CASA DA CULTURA GALENO D’AVELÍRIO

casa da cutura

A Casa da Cultura Galeno d’Avelírio surgiu como um espaço para abrigar todas as manifestações culturais do Recôncavo. A sua história nos remete ao ano de 1987 quando ocorreu a mudança da antiga cadeia municipal de Cruz das Almas da rua XV de Novembro para outro local. O antigo prédio, construído em 1922, poderia então ter outra finalidade. Um grupo formado pelos artistas Gláucia Guerra de Oliveira, Nelson Magalhães Filho, Hermes Peixoto, Luciano Passos, Graça Sena, Lita Passos e Luis Carlos Mendes procurou o prefeito, Sr. Carmelito Barbosa Alves, e reivindicou o espaço. Após várias rodadas de negociação em que os artistas defendiam a transformação da velha cadeia num centro cultural, começaram então as reformas.

Assim, no dia 27 de Julho de 1987, abriam-se as portas da Casa da Cultura Galeno d’Avelírio para abrigar todas as manifestações culturais presentes em Cruz das Almas e Recôncavo.

A Casa da Cultura é administrada pela Fundação Cultural Galeno d’Avelírio, organização que nasceu do desejo e da mobilização de artistas, poetas e escritores cruzalmenses.

A Fundação ganhou vida no dia 04 de agosto de 1986 e ganhou o nome do poeta baiano de Cruz das Almas Galeno d’Avelírio, pela sua contribuição para o reconhecimento da literatura desse município.

A Fundação é reconhecida de utilidade pública municipal e fica sediada na Casa da Cultura. Nesse espaço são realizadas várias atividades artístico-culturais e oferecidos cursos e oficinas para jovens e adultos. A Casa da Cultura é mantida por convênios celebrados com a Prefeitura Municipal e outras instituições governamentais.

Casa da Cultura 3

Endereço: 

R. XV de Novembro, 56, Centro, Cruz das Almas – BA.

A Diretoria Executiva da Fundação Cultural Galeno D’Avelírio é formada por: 

Presidente, Diretor Administrativo/Patrimonial, Diretor Artístico/Cultural e Diretor Financeiro

A Fundação conta ainda com Conselho Curador e Conselho Fiscal.

(FONTES: http://galenodavelirio.blogspot.com.br)

 

SERTÃO, CAMPEÃO MUNDIAL DE BOXE.

Sertão

Valdemir dos Santos Pereira, nascido em Cruz das Almas em 15 de novembro de 1974. Apelidado de Sertão, é um pugilista brasileiro e campeão mundial de boxe na categoria “pena”.

Como amador, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000 em Sydney, na categoria de Peso Pena. Venceu a primeira luta contra o australiano James Swan mas foi derrotado na segunda pelo turco Ramazan Palyani.

Conhecido como “Sertão”, se profissionalizou em 2001 e foi campeão mundial dos penas pela Federação Mundial de Boxe após vencer por pontos o tailandês Fahprakorb Rakkiatgym em 21 de janeiro de 2006 em Mashantucket, Estados Unidos. Em sua primeira defesa do cinturão cinco meses depois, em 14 de maio, perdeu seu título para o norte-americano Eric Aiken quando foi desqualificado no oitavo assalto.

Tentou uma luta revanche contra Aiken em março de 2007 mas um exame de saúde impossibilitou a luta. Abandonou o boxe e retornou a sua cidade natal.

Cartel
Lutas 25
Vitórias 24
Vitórias por nocaute 15
Derrotas 1
Empates 0

(FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sert%C3%A3o_(pugilista))

PRAÇA DO EXPEDICIONÁRIO

005 - Monumento a Antônio Souza
006 - Monumento a Antônio Souza

Você sabia que a Praça do Expedicionário (que alguns chamam de Pracinha do Soldado) foi construída na década de 50 em homenagem ao soldado Antonio Souza, conhecido como Toninho de Castor,  natural de Cruz das Almas? Ele que, em 1945 lutou na Itália durante a Segunda Grande Guerra Mundial e veio a falecer naquele mesmo ano, no Rio do Pó, vítima de afogamento.

A ideia de construir uma praça naquele lugar foi do prefeito Jorge Guerra que, em 1950, resolveu transformar o local, que era um terreno baldio, cheio de mato e com restos de construção, em uma agradável praça.   A Prefeitura então desapropriou a área com total aquiescência do proprietário, o sr. Cecílio José dos Santos, um abastado fazendeiro.
Porém,  a sugestão de dar àquela praça o nome de Praça do Expedicionário, em homenagem a Antonio Souza, foi de Dr. Waltércio Fonseca, prefeito nomeado.

Segundo registros do escritor Alino Matta Santana, decidida a construção da praça, o Dr. Waltércio Fonseca resolveu solicitar de amigos os recursos para construir naquele local uma estátua em homenagem ao herói cruzalmense. A prefeitura então arrumou a praça, o comércio ofereceu os bancos e com o dinheiro arrecadado entre amigos foi encomendada ao  escultor e mestre-de-obras Francisco Marques, que trabalhava na então Escola Agrícola da Bahia. Preparada e colocada a estátua, foi inaugurada em 15 de novembro de 1953, com grande festa.

Curiosamente, a atual estátua não corresponde à original ali colocada. Depois de sofrer danos causados por um galho de árvore e caiu sobre ela, na reforma foi-lhe tirado o fuzil que segurava em suas mãos.

É uma das primeiras e poucas praças no Brasil que tem uma estátua em homenagem a um pracinha brasileiro que lutou na Grande Guerra Mundial.

A foto a seguir mostra como a primeira versão da estátua:

A ESTAÇÃO ENG. EURICO MACEDO, ANTIGA ESTAÇÃO DE POMBAL

A estação de Pombal foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome foi alterado para Cruz das Almas. Desta estação, que ficava a 6 km do centro do município, deveria sair uma variante que uniria a linha à estação de Santa Teresinha, na mesma linha, atravessando o rio Paraguassu mais para o sul, eliminando o gargalo da ponte entre Cachoeira e São Félix. Ela fica próxima da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que é situada na antiga entrada rodoviária da cidade. A partir de 1970, a lista de estações no Guia Levi já não mostra a estação de Cruz das Almas, mas sim uma estação chamada de Eng. E. Macedo, comumente chamada de Eurico Macedo, que é a mesma – a falta de documentação não permite a confirmação, mas o prédio tem arquitetura dos anos 1930 e o fato de ter sido construída uma nova estação mais próxima à cidade também com o nome da cidade (na linha de Santo Antonio de Jesus, aberta no final dos anos 1950 e erradicada em 1964) levam à quase certeza que a estação mais afastada tenha trocado o nome. “Dá medo visitar a estação Eurico Macedo, é um lugar isolado, não existe absolutamente ninguém; para andar na linha, só quando se acha alguém do lugar que sabe exatamente onde ela fica. Passei em lugares em que mal cabe o trem, não tem vias marginais, só mato e trilho, e se o trem passar no momento exato, aícomplica” (Roosevelt Reis, 12/2008). O relato mostra que o antigo acesso de passageiros e de cargas que levava à antiga estação desapareceu depois de sua desativação, o que deve ter se dado nos anos 1980.

A antiga estação ferroviária Eng. Eurico Macedo fica próxima da UFRB, situando-se na estrada que dava o antigo acesso a entrada rodoviária na cidade.

(FONTES:Lorena Silva Santos; Roosevelt Reis; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr.: Estradas de Ferro do Brazil, 1886; A Leste Brasileiro e o Desenvolvimento Econômico da Bahia, 1960; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XX, 1958; Guia Geral das Estradas de Ferro, 1960; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht; Foto capa: Decio Marques)

TIRO DE GUERRA 06/004

Tiro-de-Guerra-06-004-Cruz-das-Almas-BA

Síntese Histórica

O Tiro de Guerra 06-004 foi criado pela Portaria Ministerial nº 115, de 8 de abril de 1952, por iniciativa do Senhor Jorge Guerra, Prefeito Municipal de Cruz das Almas e teve como seu primeiro instrutor o 1º Sargento Napoleão Batista dos Santos.

Missão

O Tiro de Guerra 06-004 tem como missão formar reservistas de 2ª categoria aptos ao desempenho de tarefas limitadas, no contexto da Defesa Territorial e Defesa Civil. A formação do atirador é realizada no período de 40 semanas, com uma carga-horária semanal de 12 horas, totalizando 480 horas de instrução. Há um acréscimo de 36 horas destinadas às instruções específicas do Curso de Formação de Cabos – um terço desse tempo é direcionado para matérias relacionadas com ações de saúde, ação comunitária, defesa civil e meio ambiente.

O Tiro de Guerra 06-004 está perfeitamente integrado a sociedade cruzalmense e participa ativamente de ações comunitárias, como campanhas de vacinação e de prevenção de enfermidades.

(FONTE: http://tirodeguerracruzdasalmas.spaceblog.com.br/17/)

JAYME FYGURA, UM CRUZALMENSE.

Sabia que o Jayme Fygura, personagem da Bahia, artista plástico que circula pelo centro da capital baiana com roupas extravagantes e esquisitas é filho de Cruz das Almas?

Certa vez, numa entrevista, ele afirmou:

“nasci Jaime de Andrade Almeida, flho de Cruz das Almas Ba, cheguei em Salvador com cinco anos de idade(…)”

Sempre calado, mas artisticamente escandaloso, revolucionou o cenário popular de Salvador com suas obras de artes e sua história de vida.

(FONTE: http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/jayme-fygura/)

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DA SUERDIECK EM CRUZ DAS ALMAS E NA BAHIA – PARTE 1

O Centenário da Chegada de August Suerdieck ao Brasil (1888-1988), em Cordel de autoria de Antônio Alves da Silva

 Suerdieck 1960

Me jogo de corpo e alma

Nos braços da poesia.

Ponho os mistérios da noite

Na claridade do dia,

Envolvendo minha musa

D´uma inspiração sadia.

 

                            Em direção ao Parnaso

                            Sigo meu itinerário

                            Para registrar um fato

                            Um lance extraordinário…

                            Da chegada de um homem

                            Seu primeiro centenário.

 

Para que o nosso povo

Guarde sempre na memória,

Faço aqui um retrocesso

Tecendo os fios da história

Trazendo assim ao presente,

Todo passado de glória.

 

                            Foi em mil e oitocentos

                            E oitenta e oito; então

                            Que AUGUST SUERDIECK

                            Pisava em nosso torrão,

                            Com esperança na alma,

                            E fervor no coração.

 

De uma firma na Alemanha

SUERDIECK era empregado.

Nesse ano, a Cruz das Almas

O mesmo fora enviado

Pra fiscalizar o fumo

Que ali era enfardado.

 

                            Ao chegar em Cruz das Almas

                            Prosseguiu no seu trabalho.

                            Enfrentando o sol e a chuva,

                            Às vezes sem agasalho…

                            Como um pássaro que voa

                            Pousando de galho, em galho.

 

O progresso nesse tempo

Era ainda um utopia!

O transporte era penoso

Pois estrada não havia.

Era no lombo de burros

Que tudo se conduzia.

 

                            Em noventa e quatro, ele,

                            Nesse ano, adquiriu

                            Em Cruz um grande armazém,

                            Sua própria firma abriu

                            Por nome de SUERDIECK

                            Que logo se expandiu.

 

Mais tarde, em noventa e novembro

Do ano mil e oitocentos,

Já com firma registrada

E novos investimentos,

Seus negócios se expandiam

Ao sopro dos quatro ventos!

 

                            Sua firma conquistava

                            Uma nova freguesia

                            Exportando para a França,

                            Pois sua mercadoria

                            Era uma das melhores

                            Produzidas na Bahia!

 

Então, o fumo baiano

Como artigo de primeira

Começou a destacar-se

Por toda terra estrangeira,

Graças ao homem, que teve

Essa idéia pioneira.

 

                                             Ainda em novembro                         

                                             Homem de boa estirpe

                                             Ele estendeu seus negócios

                                             Até a Maragogipe,

                                             Onde construiu um prédio

                                              Junto com sua equipe.

 

                            Em pouco tempo, a Bahia

                            Com seu campo fumageiro

                            Se projetava, por fim

                            Em todo solo estrangeiro!

                            Pelo trabalho de um homem

                            Desbravador e pioneiro…

 

                                                        Hoje, se rendem                                                                             homenagens

                                                        Entre maravilhas mil

                                                        À AUGUST SUERDIECK

                                                        Por seu trabalho viril!…

                                                        Projetando no estrangeiro,

                                                        A imagem do Brasil.

 

                            Hoje, as marcas do progresso

                            No Brasil, seguem seu rumo.

                            Sendo a Bahia a mais rica

                            Na exportação de fumo,              

                            Também de outras lavouras,

                            Seja de grãos ou de sumo.

 

                                                        Entretanto, os obstáculos,

                                                        Como ouço alguém dizer,

                                                        Não conseguem atrofiar

                                                        A vontade e o saber

                                                        Daqueles que têm na alma

                                                        O ideal de vencer.

 

                            Como homem de negócios

                            SUERDIECK prosperava

                            Mês a mês, ano após ano,

                            Sua empresa disparava

                            Cresciam assim os pedidos

                            Dos fumos que exportava.

 

                                                        Irei registrar aqui

                                                        Lance de grande valia

                                                        Que foi a fabricação

                                                        Num auspicioso dia:

                                                        Dos charutos SUERDIECK

                                                        No estado da Bahia.

 

                            Foi em mil oitocentos                           

                            E noventa e nove; então

                            Que chegava na Bahia

                            FERDINAND, um seu irmão

                            Para ajuda-lo na empresa

                            De fumo e exportação.

 

                                                        Ambos, ainda bem moços,

                                                        Juntos foram trabalhar.

                                                        Comprando fumo e                                                                         exportando,

                                                        Naquele labor sem par.

                                                        Enfrentando mil problemas

                                                        Sem nunca desanimar.

 

                            No entanto, inconformado

                            Com a paralisação

                            Durante todo o inverno

                            Sem ter outra ocupação,

                            FERDINAND então, falou

                            Assim para seu irmão:

 

                                                        AUGUST, eu tive uma idéia

                                                        E creio que vai dar certo

                                                        Vamos fabricar charutos

                                                        Pois este é um campo 

                                                        aberto

                                                        Para assim nos                                                                               expandirmos,

                                                        Nossa vitória está perto…

 

                            AUGUST logo acatou

                            As idéias do irmão

                            E iniciaram aos poucos

                            Pequena fabricação

                            De charutos SUERDIECK,

                            Com uma grande aceitação.

 

                                                        No começo, a produção

                                                        Era pouca , na verdade,

                                                        Porém os charutos eram,

                                                        De uma boa qualidade,

                                                        Foram conquistando o povo

                                                        De toda aquela cidade.      

 

                            Vendo que ia dar certo,

                            Naquele mesmo momento,

                            Logo os irmãos SUERDIECK

                            Sem nenhum impedimento,

                            Partiram para fundar

                            Um novo empreendimento.

 

                                                        Sem temer os contratempos,

                                                        Não dispondo nem de um jipe

                                                        AUGUST, então transferiu

                                                        O irmão com sua equipe,

                                                        Fundando a primeira fábrica

                                                        Na bela Maragogipe.

 

                            Mil novecentos e cinco

                            Foi a data preferida

                            Para a fundação da fábrica.

                            Numa tarde colorida,

                            Trazendo para a cidade

                            Um novo meio de vida.

 

                                                        Ao ver que a prosperidade

                                                        Em sua porta batia

                                                        O povo em Maragogipe

                                                        Na mais completa alegria,

                                                        Com fogos, dança e bebida

                                                        Festejou aquele dia.

 

                            Outras marcas de charutos

                            Já existiam afinal,

                            No entanto, a SUERDIECK

                            No seu modo artesanal

                            Suplantava em pouco tempo

                            Todas elas em geral.

 

                                                        Ficaram duas empresas

                                                        No registro brasileiro

                                                        A SUERDIECK charutos

                                                        No fabrico pioneiro

                                                        E a AUG. SUERDIECK

                                                        Pelo setor fumageiro.

 

                            Essas empresas cresceram

                            E depressa se espalharam

                            N´outras cidades baianas

                            Várias firmas instalaram,

                            Novas marcas de charutos

                            Sabiamente criaram.

 

                                                        Modernizaram-se os tempos

                                                        Outras firmas do estrangeiro

                                                        Vieram e depois se foram

                                                        Deste solo brasileiro

                                                        Enquanto que a                    SUERDIECK

                                                        Exportava ao mundo inteiro.

 

                            Às vezes eu me pergunto,

                            Depois respondo sozinho,

                            A SUEDIECK venceu

                            Os entraves do caminho,

                            Por fabricar seus produtos

                            Com muito amor e carinho.

 

                                                        Tudo que se faz na vida

                                                        Com jeito, paz e doçura,

                                                        É como o lírio do campo

                                                        Que não perde a formosura!

                                                        A paixão pode acabar:

                                                        Porém o amor perdura.

 

                            Muitos anos se passaram.

                            Houve alguma tempestade.

                            Passaram-se duas guerras

                            Com muita intranqüilidade

                            Mas, afinal triunfou

                            A chama da liberdade.

 

                                                        Aqueles primeiros donos

                                                        Hoje não existem mais.

                                                        Vieram outros parentes

                                                        Porém como são mortais,

                                                        Morre o homem e fica a fama,

                                                        Esta o tempo não desfaz.

 

                            Posso citar alguns nomes

                            Diretor, sócio ou gerente

                            O senhor GERHARD MEYER

                            Que também era parente

                            Se tornando logo um sócio,

                            Com trabalho eficiente.

 

                                                        Não obstante, as pessoas  

                                                        De porte grande, ou menor

                                                        Citaremos, só o nome

                                                        Que já sabemos de cor.

                                                        È GERHARD SUERDIECK

                                                        O seu benfeitor maior.

 

                            Pois quando se comemora

                            Esta data tão feliz

                            Cem anos da bela história

                            No nosso imenso país,

                            Lhe devemos a vitória

                            Por toda esta raiz.

 

                                                        Contudo outra figura

                                                        Merece nossa homenagem

                                                        Porque dirige esta empresa

                                                        Com força, amor e coragem.

                                                        Embora que nesta vida

                                                        Estejamos de passagem.

 

                            Dita pessoa merece

                            Uma homenagem fagueira

                            Por não deixar esta indústria

                            Cair na mão estrangeira

                            Demonstrando ser mulher

                            Firme, forte e verdadeira.

 

                                                        Tal mulher de quem vos falo

                                                        De face meiga e singela

                                                        Comanda este empreendimento

                                                        Entre a paz ou a procela

                                                        Todos sabem o seu nome:

                                                        Se chama dona GISELA.

 

                            Mas um livro de cordel

                            Tem espaço limitado

                            Para se falar no nome

                            De todos, que no passado

                            Trabalharam, para o bem

                            Desta empresa em nosso estado.

 

                                                        Porém, deixando o passado,

                                                        Falo no tempo atual.

                                                        Dona GISELA incrementa

                                                        A Agro Comercial

                                                        Com todos seis dirigentes

                                                        Num arrojo colossal!…

 

                            Nas fábricas e nos campos

                            Tudo é limpo e asseado.

                            Os operários trabalham

                            Com zelo e muito cuidado

                            Qual um belo monumento

                            Por um artista talhado.

 

                                                        Tudo é feito com carinho

                                                        Num trabalho muito lento.

                                                        Do plantio do tabaco

                                                        Até o encaixotamento,

                                                        Para que não hajam falhas,

                                                        E tudo saia a contento.

 

                            O Brasil é o país,

                            Sem exageros astutos,

                            O único que usa cedro

                            Para encaixar seus charutos.

                            Exportando para Europa,

                            Enaltece seus produtos.

 

                                                        Dizem que antigamente

                                                        Só para enganar os trouxas

                                                        O fabrico dos charutos

                                                        Só era feito nas coxas.

                                                        Das mulheres que faziam.

                                                        Pretas, morenas ou roxas.  

 

                            Porém, isso é invenção

                            Do povo da antiguidade

                            Os charutos eram feitos

                            Sobre as coxas, na verdade;

                            Das mulheres, e por isto

                            Nos dava animosidade.

 

                                                        A importância do fumo

                                                        Junto a nossa economia

                                                        Vem do tempo imperial

                                                        Sendo que nossa Bahia

                                                        Foi o lugar mais propício

                                                        Não foi escolha tardia.

 

                            O valor desses tabacos

                            Está bem enraizado

                            Nos campos de nossa terra

                            Onde são bem cultivados

                            De maneira carinhosa,

                            E processos demorados.

 

                                                        A Agro Comercial

                                                        Tem um processo sadio

                                                        Desde a escolha das mudas

                                                        Ao momento do plantio.

                                                        Nem muita chuva, nem sol,

                                                        Pouco calor, pouco frio.

 

                            Primeiro se colhe a folha

                            No setor da plantação

                            Começa então a secagem,

                            Depois a fermentação

                            E o beneficiamento

                            Do capeiro exportação.

 

                                                        Tudo tem de ser correto

                                                        Na maneira do cultivo.

                                                        Desde o tamanho das folhas

                                                        Ao aroma positivo,

                                                        Para que cada charuto

                                                        Seja mais convidativo.

 

                            Pois o valor do produto

                            Não pode ser distorcido.

                            Nas praças do mundo inteiro

                            Ele já é conhecido

                            Como uma obra de arte!…

                            Sendo muito consumido.

 

                                                        Esse cuidado excessivo

                                                        Da colheita à produção

                                                        Que a SUERDIECK tem,

                                                        Não se trata de vaidade

                                                        É trabalho, meu irmão

                                                        Pra perfeita qualidade.

 

                            Pois os seus consumidores

                            Na Europa ou no Brasil,

                            São por demais exigentes

                            Até no toque sutil!…

                            Um charuto SUERDIECK

                            Tem valor mais de mil!

 

                                                        Na Alemanha ou na Bélgica,

                                                        Na Suíça ou na Holanda,

                                                        O produto SUERDIECK

                                                        De boca em boca ele anda

                                                        Quanto mais o tempo passa

                                                        Aumenta mais a demanda.

 

                            Ainda em outros países

                            Ele é bem procurado.

                            Os pedidos se avolumam

                            Dentro e fora do estado

                            Cresce o conceito entre o povo

                            Aumenta mais o mercado.

 

                                                        Há gente que desespera

                                                        É capaz de ficar louca

                                                        Se alguém lhe diz que ouviu

                                                        Seu nome de boca em boca

                                                        E for mulher, grita tanto

                                                        Que chega até ficar rouca.

 

                            Porém com a SUERDIECK

                            O negócio é diferente                 

                            É ela que faz questão

                            Sem se sentir descontente

                            De ver os charutos seus

                            Na boca de muita gente.

                                     

                                                        Quem tem negócio é capaz

                                                        De ficar doido varrido

                                                        Quando vê o seu produto

                                                        Pelo fogo consumido

                                                        Outros até desfalecem

                                                        Quando tudo está perdido.

 

                            Aí é que a SUERDIECK

                            Entra de cara no jogo

                            Pois quando isto acontece

                            Ela nunca pede rogo…

                            Pois sua alegria é ver

                            Seu produto pegar fogo.

 

                                                        São os contrastes da vida

                                                        Quando um vem, outro vai.

                                                        O que mamãe põe em casa

                                                        Vale só para meu pai

                                                        O avião só é bom

                                                        Quando desce, mas não cai.

 

                            Quando um fala mal do fumo

                            Já tem outro que aprecia

                            Zé vive botando fumo

                            No cachimbo de Maria

                            Tem até cabra levando

                            Fumo em casa, todo dia.

 

                                                        Lá em Feira, tem um cabra

                                                        Brabo que só um leão!

                                                        Faz desordem, pinta o sete

                                                        Na Princesa do Sertão

                                                        Porém quando vê co fumo

                                                        Fica de quatro no chão!…

 

                            Tem moça que quando vê

                            Um charuto, perde o prumo

                            E diz: com esta fumaça

                            Eu nunca me acostumo…

                            Mas quando está namorando,

                            Tá doida pra levar fumo.

 

                                                        Seu Nozinho de São Gonçalo

                                                        Só faz o que velha quer.

                                                        Compra uma tora de fumo

                                                        E diz; este é de colher!

                                                        Na hora em que chega em casa

                                                        Tome fumo na mulher.

 

                            Detinha de São Felipe

                            Quando vai fazer a feira

                            Compra dois quilos de fumo

                            E diz: este é de primeira

                            Como não tenho marido

                            Vou fazer uma besteira.

 

                                                        Em Ipirá tem um velho

                                                        Vermelho, feito uma brasa

                                                        Que me falou: seu Antônio

                                                        Quem não fuma se arrasa

                                                        Eu fico sem a farinha

                                                        Mas levo fumo pra casa.

 

                            Gildete de Muritiba

                            Mulher de seu Zé Comprido

                            Antes de tomar café

                            Ela suspende o vestido

                            E vai pra roça limpar

                            O fumo de seu marido.

 

                                                        Esta parte do folclore

                                                        Sobre o fumo da Bahia

                                                        É assunto que o poeta

                                                        Observa, anota e cria.

                                                        Para lançar as sementes

                                                        Nos campos da poesia.

 

                            Não pensem caros ouvintes

                            Que faltou ao menestrel

                            Inspiração sobre o fato

                            No qual descreve fiel

                            É, que quis por humorismo

                            Neste livro de Cordel.

 

                                                        Voltando ao primeiro assunto

                                                        Falo com sabedoria

                                                        Nas cidades onde o fumo

                                                        É boa mercadoria

                                                        É que são consideradas

                                                        As melhores da Bahia.

 

                            Foi a menina dos olhos

                            De SUERDIECK, afinal.

                            Cruz das Almas, com seu povo

                            Sempre alegre e jovial

                            Sendo ela a pioneira

                            Desta saga colossal.

 

                                                        A sua população

                                                        É demais hospitaleira

                                                        A graça dos seus jardins

                                                        É uma atração fagueira

                                                        A feira livre é intensa,

                                                        O comércio é de primeira.

 

                            Em Cruz das Almas, seu moço

                            O povo é bem divertido.

                            Lá existe cada jovem

                            Com diminuto vestido!

                            Que deixa o rapaz tesudo

                            O velho bem sacudido.

 

                                                        Depois tem Maragogipe

                                                        Cidade do artesanato

                                                        Terra tradicional

                                                        De um povo humilde e pacato.

                                                        Seu forte é o fumo e a pesca

                                                        Onde se compra barato.

 

                            Foi lá em Maragogipe

                            Que SUERDIECK instalou

                            O seu primeiro fabrico

                            De charutos, que criou

                            Um conceito, que perdura

                            Desde quando começou.

 

                                                        Falo agora em Muritiba

                                                        Terra de sonho e magia!…

                                                        Onde o grande Castro Alves

                                                        Veio ao mundo certo dia,

                                                        Lutando pelos escravos

                                                        Num brado de poesia.

 

                            Existem outras cidades

                            Que me fogem da memória

                            E que também contribuem

                            Com seu passado de glória

                            Para enriquecer as páginas

                            Dessa fascinante história.

 

                                                        Seus operários trabalham

                                                        Com muita dedicação

                                                        Nos armazéns ou nas fábricas,

                                                        Seguindo orientação

                                                        Da gerência, que elabora

                                                        Toda movimentação.

 

                            Dona GISELA, é porém,

                            A responsável direta

                            Com todos seus auxiliares,

                            Trilhando em busca da meta

                            Que é sempre a perfeição

                            Com uma linha correta.

 

                                                        Há trinta anos que ela

                                                        Também chegou juvenil

                                                        Veio como secretária

                                                        Cheia de encantos mil

                                                        Hoje comanda as empresas

                                                        Suave, forte e gentil

 

                            Se dizia antigamente

                            Pela boca da Candinha

                            Que mulher só tinha jeito

                            Pra trabalhar na cozinha

                            Ou falar da vida alheia

                            Lá na casa da vizinha.

 

                                                        Essa vil mentalidade

                                                        Já não existe mais não…

                                                        A mulher hoje comanda

                                                        Trabalha em qualquer função

                                                        E já é considerada

                                                        Braço forte da Nação.

 

                            A mulher é heroína

                            Em todos pontos falando!

                            Durante o dia é na fábrica

                            Seu trabalho executando

                            Quando anoitece, o marido

                            Já está em casa esperando.

 

                                                        Vai logo agarrando ela

                                                        Dizendo assim: meu benzinho

                                                        Eu estou daquele jeito…

                                                        Vem cá, me faz um carinho.

                                                        Ela lhe diz: Mariozinho

                                                        Vai procurar teu caminho.

 

                            Trabalhei hoje enrolando

                            Fumo fino e fumo grosso.

                            E por estar resfriada

                            Nem toquei no meu almoço,

                            Ainda bem não chego em casa

                            Tu vens grudar no meu osso.

 

                                                        Mariozinho que já está

                                                        Todo cheio de cachaça

                                                        Avança contra a mulher

                                                        E pega ela na raça

                                                        Tudo isso meus amigos

                                                        A mulher em casa passa.

 

                            O amor só é bonito

                            No momento fraternal

                            Quando os dois se compreendem

                            Num idílio conjugal

                            Aí é que a palha avôa:

                            Como diz seu Juvenal.

 

                                                        Por mais que a mulher trabalhe

                                                        Nos setores desta vida

                                                        É sempre aos olhos do homem

                                                        Uma flor pra ser colhida.

                                                        O sorriso da mulher

                                                        Adoça o amargo da vida.

 

                            Na vida da SUERDIECK

                            A mulher está ligada.

                            Cada caixa de charutos

                            Que por ela é fabricada

                            A sua imagem na tampa

                            Vai com ela registrada.

 

                            ‘                            E todos os operários

                                                        Têm carinho especial

                                                        Das empresas SUERDIECK,

                                                        Pelo cunho social

                                                        Que ela sempre oferece

                                                        Para todo o pessoal.

 

                            Pessoas que começaram

                            No fulgor da mocidade

                            Ainda hoje trabalham,

                            Já em avançada idade.

                            Amam a sua profissão

                            Sem orgulho e com vaidade.

 

                                                        Na fábrica de Muritiba

                                                        Conheci uma senhora

                                                        Que trabalha há trinta anos

                                                        Nunca pensou ir embora.

                                                        O charuto para ela

                                                        É como um filho que adora.

 

                            Quantos rapazes e moças

                            Nas fábricas namoraram

                            E com o passar do tempo

                            Por lá mesmo se casaram

                            Tiveram filhos e filhas,

                            Que ali continuaram.

 

                                                        Ali o convívio é outro

                                                        Se trabalha com harmonia

                                                        Sem zuadeiro de máquinas

                                                        Que parecem artilharia…

                                                        O ambiente é suave,

                                                        Tem traços de poesia.

 

                            E quando se comemora

                            Neste dia alvissareiro

                            A vinda de SUERDIECK

                            Neste País Brasileiro,

                            Todo operário agradece

                            Ao tão nobre pioneiro.

 

                                                        Esta é uma data histórica

                                                        De regozijo e ternura

                                                        Muitos deles já se foram

                                                        Mas a lembrança perdura.

                                                        Passará de pais pra filhos

                                                        Toda a geração futura.

 

                            Foi AUGUSTO e FERDINAND

                            Irmãos no sangue e na dor

                            Que fincaram nesta terra

                            Marco de grande valor.

                            Plantando com seu trabalho

                            As sementes do amor.

 

                                                        Um amor que conseguiu

                                                        Através de muitos planos

                                                        Superar os obstáculos

                                                        Temores e desenganos.

                                                        Chegando assim até nós

                                                        Nesta data dos cem anos.

 

                            O senhor GERHARD MEYER

                            Homem extraordinário

                            Merece grande destaque

                            No primeiro centenário,

                            Dos que vieram à Bahia

                            Pelo mesmo itinerário.

 

                                                        Muitos outros dirigentes

                                                        Por esse mesmo roteiro

                                                        Elevaram a SUERDIECK

                                                        Ao ponto mais altaneiro

                                                        Projetando o seu conceito

                                                        No Brasil e no estrangeiro.

 

                            Cem anos já se passaram

                            Daqueles dias de glória

                            E o bom nome da empresa

                            Fulgura em nossa memória

                            Por causa daqueles homens

Que fizeram sua história.

 

                            Mas a criatura humana

                            É falha como ninguém.

                            Como nos diz o ditado

                            Que encaixa muito bem,

                            Panela que muitos mexem

                            Um dia quebra também.

 

Foi assim que a SUERDIECK

Quase comete um engano.

Ia sendo transferida

Para um grupo italiano,

O braço de uma mulher

Foi quem frustrou este plano.

 

                            Pois adquiriu sozinha

                            A empresa a quem servia

                            Conservando um patrimônio

                            Que também é da Bahia,

                            E assim seus operários

                            Voltaram a ter alegria.

 

Uma alegria geral

Que faz bem ao coração

Agradecendo a GISELA

Pela a sua atuação

À frente da sua empresa

Progresso da região.

 

                            Dona GISELA merece

                            Uma menção de louvor

                            Por ter resgatado enfim

                            Num terno rasgo de amor

                            Um patrimônio que é

                            Também do trabalhador.

 

Quantas famílias hoje vivem

Neste meio nada hostil

No campo colhendo fumo

Ou do lado mercantil,

Exportando e conseguindo

Divisas par o Brasil.

 

                            Todos nós nos orgulhamos

                            Com carinho especial

                            De todos que construíram

                            Um grupo tão colossal!

                            Que atravessou um século,

                            Chegou com força total!…

 

Chegou ao tempo presente

Sem nenhuma distorção.

Com produtos fumageiros

Todos, tipo exportação.

Trazendo cada vez mais

Riquezas para a nação.

 

                            Para seus consumidores,

                            A SUERDIECK dedica

                            Este livro de Cordel

                            Que de fora ele não fica…

                            Exaltando nestes versos

                            Nossa Bahia tão rica.

 

E todos os operários

Da SUERDIECK, também

Recebam estes meus versos,

Não passem para ninguém.

Guardar poema no peito

É prova de querer bem.

 

                            Muritiba e Cruz das Almas

                            São Gonçalo e Cachoeira

                            Maragogipe, que foi

                            A cidade pioneira,

                            Agradecem à SUERDIECK

                            Esta data alvissareira.

 

GISELA e dona TIBÚRCIA

Cada qual mais atraente,

Mulheres que representam

O passado e o presente,

Queiram receber meus versos

Da forma mais complacente.

 

                            Para AUGUST e FERDINAND

                            Senhor GERHARD e Família

                            Recebam no coração

                            FERNANDO, HUGO ou CECÍLIA,

                            Um abraço do Governo

                            Que mora lá em Brasília.

 

Transcorridos já cem anos

Num clima de amor e paz,

A SUERDIECK prossegue

Sem dar voltas para trás,

Mas o que fez no passado

Ninguém esquece jamais.

(FONTE: http://www.amigosdocachimbo.com.br/hugo/fm/fm253.htm)

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DA SUERDIECK EM CRUZ DAS ALMAS E NA BAHIA – PARTE 3

 Armazém da Suerdieck, parte do prédio onde hj é o SupermercadoTodo Dia
Armazém da Suerdieck, parte do prédio onde hj é o SupermercadoTodo Dia

Suerdieck fecha sua última fábrica de charutos

O ano é 2000 e a maior produtora de charutos e cigarrilhas do Brasil, a Suerdieck, instalada na Bahia havia 106 anos, fechou sua última unidade, na cidade de Cruz das Almas, dispensando os cem funcionários. Desde o inicio dos anos 90 a empresa vinha passando por dificuldades financeiras, acumulando um passivo bancário próximo dos R$ 20 milhoes.Mesmo com a crise, a Suerdieck produziu no ano passado cerca de cinco milhoes de unidades, bem mais que a segunda maior charuteira baiana, a Menendez-Amerindo, que fabricou cerca de 3,5 milhoes.

Os problemas da Suerdieck foram provocados por falta de capital de giro para financiar a lavoura de fumo. Isso levou ao fechamento da unidade da cidade de Maragogipe em 92. Mas a situaçao se agravou com os sucessivos prejuízos da Agro Comercial Fumageira, outra empresa do grupo (que chegou a empregar mais de cinco mil pessoas até o final dos anos 80) responsável pela produçao do fumo usado na confecçao dos charutos e cigarrilhas. Na ano passado, o grupo nao conseguiu plantar fumo, alugando seus campos para outras empresas do setor.

Nenhum diretor da Suerdieck quis comentar sobre o fechamento da fábrica de Cruz das Almas para informar se o grupo vai encerrar definitivamente suas atividades. A empresa foi criada por uma família de alemães que se instalou no Recôncavo Baiano no século passado, quando a Bahia iniciou um intenso intercâmbio comercial com a Alemanha.

Ao longo dos últimos cem anos, Suerdieck virou sinônimo de qualidade, produzindo um charuto fabricado artesanalmente, apreciado, principalmente, na Europa, e comparável aos famosos cubanos. No ano passado a Bahia produziu cerca de 3,5 mil toneladas de fumo e dez mil unidades de charutos e cigarrilhas.

As vendas externas de fumo e charutos chegaram aos US$ 20 milhões e os produtores esperam um aumento de 20% esse ano.

(FONTE: http://www.dgabc.com.br/Noticia/276356/suerdieck-fecha-sua-ultima-fabrica-de-charutos)

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DA SUERDIECK EM CRUZ DAS ALMAS E NA BAHIA – PARTE 2

(…)

A arte de fazer charuto é de conhecimento da Bahia desde 1829, todavia, as fábricas de charuto tal como entendemos hoje tem seus primórdios a partir de 1850. Não demoraria em surgir espaços fabris que seriam conhecidos no mundo, como Dannemann e Suerdieck que foram as mais prósperas.

As redes ferroviárias na Bahia promovem o nascimento de cidades, sua urbanização e progresso. Igualmente, as fábricas de charuto delimitam o florescimento do poderio econômico de cidades como Maragogipe que não fora contemplada com a ferrovia, mas foi elegida o maior parque charuteiro da América Latina. As ferrovias estiveram a serviço das fábricas de charutos transportando-os para os sertões e proximidades dos rios e mar navegáveis, rendendo grandes fortunas ao Recôncavo.

As instalações da fábrica Danneman dar-se em 1873 na cidade de São Félix pelo Gerhard Dannemann e que ocupou logo depois a primeira Intendência do referido município. O fabrico dos produtos começaram aproximadamente com 6 operários, se tornando uma das maiores empresas do país. Lygia Maria Alcântara Wanderley diz que esta fábrica “(…) foi desativada em 1948 e depois adquirida por um grupo suíço. Hoje, é a única remanescente de um áureo passado, contudo, sua prioridade é a exportação do fumo beneficiado para a Europa”.

A história da Suerdieck começa na Bahia em 1888, quando August Wilhelm Suerdieck, funcionário da F. H Ottens foi enviado para Cruz das Almas com a função de fiscalizar o enfardamento de fumos. Passado quatro anos, e “relacionado com a firma J.O.H. Achelis & Soehne, de Bremen, criou sua própria empresa em Cruz das Almas, como exportador e enfardador de fumo, dedicando-se também ao cultivo das matas de São Félix e Cruz das Almas (…)”, informa Lygia Maria Alcântara Wanderley. A qualidade do fumo Suerdieck permitiu que esta fábrica ficasse conhecida na Europa proporcionando grandes lucros. A vinda de Ferdinand Suerdieck para a Bahia, irmão de August, se tornaria possível em 1899 a instalação do primeiro armazém e em 1905 se constrói a primeira fábrica Suerdieck em Maragogipe.

A segunda metade do século XX é marcada por momento complexo, como o apogeu de muitas fábricas e armazéns como a Suerdieck com instalações nas cidades de Maragogipe, Cachoeira e Cruz das Almas, Dannemann em São Félix, Maragogipe e a C. Pimentel fundada em Muritiba. Entretanto, não duraria muito para acompanharmos a partir da década de 1990 o fechamento de algumas, inclusive a Suerdieck de Maragogipe que teve suas instalações transferidas para Cruz das Almas. A crise econômica que atinge a Bahia nesta segunda metade do século gerou a extinção de grandes empresas, muitas delas inclusive, fundadas no século XIX como a Dannemann, mas jovens empresas surgem com novas tecnologias e num cenário de precarização do trabalho. Os trabalhadores teriam que se inserir na nova realidade que se abria aos seus olhos, e com isso o número de mulheres que trabalham em seus domicílios aos poucos diminuiu.

(…)

(FONTE: excerto do trabalho de Geferson Santana, bolsista PIBEX do Cahl / UFRB, publicado em http://www3.ufrb.edu.br/lehrb/2013/08/29/cotidiano-mundo-fumageiro-reconcavo/)

LIVRO “SUERDIECK, EPOPÉIA DO GIGANTE”

suerdieck

No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragojipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5×25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Clique no link a seguir para acessar o livro:

http://www.ubaldomarquesportofilho.com.br/noticias_interna.aspx?id=192