A IMPORTÂNCIA DA FEIRA LIVRE EM CRUZ DAS ALMAS

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As feiras livres evidenciam a forte relação do campo com a cidade, pois aquilo que vem do campo abastece a cidade, garante a sobrevivência de várias famílias e movimenta a economia local. Essa população de feirantes de Cruz das Almas, em sua maioria rural, possui um forte vinculo com o urbano, devido ao seu papel no abastecimento na cidade. Ao mesmo tempo, entende-se que essa população dependente do comércio e serviços oferecidos pela cidade, e ,sendo assim, apesar da sua população no circuito inferior da economia ela acaba contribuindo para o crescimento do circuito superior, tornando-os, um grande contribuinte para a movimentação da economia de cidades como Cruz das Almas.

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Grande parte da população rural que trabalha na feira produz seus produtos em família, em especial os derivados da mandioca como farinha, beiju, tapioca e goma. As frutas, exceto as compradas no atacado produzidas pelo agronegócio, são colhidas nas áreas rurais e também ser vendidas de acordo com sua época de colheita.
Nos dias de feira essa população, que em muitas das vezes tem na venda desses produtos sua única forma de sobrevivência, chega ao centro da cidade às 4:30 da manhã. e a oportunidade, apesar de muito trabalho, de rever clientes e amigos, trocar informações e contar seus causos, tornando esse espaço um local de relações socioculturais. Grande parte da população urbana compra frutas, legumes e farinha de mandioca e seus derivados na feira, pois, além do menor preço em relação aos supermercados, segundo os consumidores,as frutas e legumes vendidos nos tabuleiros ou até mesmo no chão da feira possuem um sabor melhor; a farinha e outros derivados da mandioca, muitas das vezes, podem ser comprados ainda quentes. Além dessas vantagens, o local favorece a negociação dos preços das mercadorias e nele criam-se laços de fidelidade e amizade entre fregueses e feirantes.

A feira livre de Cruz das Almas apresentou momentos de grande importância histórica. Em 1947, o Jornal Tribuna Popular divulgou a construção do mercado municipal para abrigar feirantes do comércio de cereais e de carne. (AGUIAR, 2007). A partir desta data o espaço da feira livre começou a apresentar uma nova dinâmica, atraindo outros comércios para dentro e no entorno da feira.

(FONTES: FEIRA LIVRE DE CRUZ DAS ALMAS UMA RELAÇÃO ENTRE A POPULAÇÃO RURAL E OS CIRCUITOS INFERIOR E SUPERIOR DA ECONOMIA. por Marcos Vinicius Almeida Conceição. in http://periodicos.uesb.br/index.php/ascmpa/article/view/4417 ; DINÂMICA ESPACIAL DA FEIRA LIVRE DE CRUZ DAS ALMAS: UMA LEITURA A PARTIR DAS PROPOSIÇÕES DE GESTÃO E PLANEJAMENTO MUNICIPAL, por Daciane de Oliveira Silva, Graduada em Administração pela UEFS in http://periodicos.uesb.br/index.php/ascmpa/article/viewFile/3635/3322)

FOTO 1 - Acervo IBGE Municípios e FOTO 2 - Editonio Solidade

MANUEL CAETANO DE OLIVEIRA PASSOS

Manuel Caetano de Oliveira Passos nasceu em Cruz das Almas (BA) no dia 25 de novembro de 1842, filho de Manuel Caetano de Oliveira Passos (O Velho) e de Maria Balbina do Amor Divino.

Sua família, de grandes proprietários rurais, tinha grande influência na região. Seu irmão Trasíbulo da Rocha Passos foi deputado provincial (1854-1855). Outro irmão, Temístocles da Rocha Passos, foi também deputado provincial (1882-1887) e senador estadual (1897-1910). Seu sobrinho Manuel Caetano da Rocha Passos foi deputado estadual (1927-1930; 1935-1939 e 1947-1951),

Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife em 1864, iniciou sua carreira política como deputado provincial entre 1866 e 1869. Foi também promotor público em Salvador e chefe de polícia da província da Bahia na gestão do conselheiro José Luís de Almeida Couto (14 de junho a 14 de novembro de 1889).
Já na República, estando em curso a legislatura 1891-1893, foi eleito deputado federal pelo 3º distrito. Empossado em 5 de setembro de 1892, obteve sucessivas reeleições e
permaneceu na Câmara dos Deputados até 31 de dezembro de 1902. Faleceu em Cruz das Almas em 14 de janeiro de 1905.

(FONTES: Jaime Oliveira do Nascimento in https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PASSOS,%20Manuel%20Caetano%20de%20Oliveira.pdf ;  BEVILAQUA, C. História; BULCÃO SOBRINHO, A. Histórico; BULCÃO SOBRINHO, A. Relembrando; BULCÃO SOBRINHO, A. Representantes (263, 1964. p. 55-86); Cartas de Ontem 1891 a 1967; Diário Oficial do Estado da Bahia (2004. p.484-485, 488); Diário de Notícias. Salvador. Falecimentos (17, 16/1/1905); SAMPAIO, C. Partidos (p. 61/62). )

A ESTAÇÃO CRUZ DAS ALMAS

 

Aquele prédio nas proximidades da Coplan, conhecido como “estação velha” e que chama a atenção principalmente de quem entra na cidade, pois se destaca pelos seus belos traços que, segundo Ygor Coelho, lembram a arquitetura moderna de Niemeyer nos anos 50, é o antigo prédio da Estação Cruz das Almas, construída  pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro em 1958. 

Ela fez parte do trecho Cruz das Almas-Santo Antônio de Jesus e a ideia do  projeto original era unir as linhas Sul (Salvador – Monte Azul) e da E. F. Nazaré, esta isolada mais ao sul do Recôncavo. Por algum motivo ainda não determinado, a linha nunca foi concluída; ou seja, jamais alcançou a cidade de Santo Antônio de Jesus, muito menos Nazaré. Mas, mesmo assim, sabe-se que pelo menos entre os anos de 1960 e de 1963 um trem de passageiros chegou a circular entre Cruz das Almas e Conceição de Almeida. Alguns cruzalmenses contemporâneos relatam  terem a lembrança de presenciar trem com vagões de carga (cimento, pedras) manobrando por ali, mas logo depois a linha foi desativada. De 1960 a 1963, realmente, o Guia Levi, usado como referência de horários de trens de passageiros, acusa a existência de trens de passageiros ligando Cruz das Almas à estação de Conceição de Almeida, um trecho com 11 quilômetros de extensão; mas, em 1965, ele já não mais existia. Este trecho seria o início da ligação com a E. F. Nazaré e jamais teria sido completado – ou se foi, foi desativado antes que os trens fizessem a ligação de Cruz das Almas com Santo Antônio de Jesus, já que a linha parou de funcionar em 1970. Esta estação, que na verdade é um ramal, ganhou o nome de Cruz das Almas porque a Estação de Pombal que ficava mais longe da cidade, na linha principal, teve o nome alterado para Engenheiro Eurico Macedo.

O prédio abandonado desde o início da década de 70, atualmente faz parte do espólio da RFFSA e está sob a guarda do Município. Neste São João recebeu uma pintura artística que serviu não só para embelezar o monumento mas reforçou o desejo da população de que o prédio venha a  transformar-se num equipamento de uso público, como um centro cultural ou um museu, por exemplo.

(REFERÊNCIA: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cruzalmas-nova.htm )

SOBRE A ESTRADA REAL

Sobre a discussão da Estrada Real ter sido ou não caminho para os tropeiros que passavam por Cruz das Almas nos seus primórdios, eis o que nos trazem os pesquisadores Ubaldo Marques Porto Filho e Mateus José da Silva Santos, em interessantíssimos trabalhos a respeito.

Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e do Instituto Genealógico da Bahia, a partir de 2012,  Ubaldo Marques Porto Filho passou a se dedicar intensamente às pesquisas sobre os Caminhos do Ouro na Bahia, durante o século XVIII, resultando na elaboração do seu livro ‘Estrada Real da Bahia’:

De 1731 a 1734, o sertanista Joaquim Quaresma Delgado, contratado pelo Governo da Colônia, percorreu os sertões da Bahia para mapear os caminhos por onde penetravam os povoadores e por onde circulavam os tropeiros, as mercadorias e as riquezas minerais. Naquela época, a Bahia era uma grande produtora de ouro, extraído das minas de aluvião, localizadas em três núcleos: Jacobina, Rio de Contas e Minas Novas.

Joaquim Quaresma catalogou quatro caminhos que seriam parte das antigas rotas da Estrada Real na Bahia, assim identificados:

  • Caminho do Ouro Fino (de Jacobina a Salvador);
  • Estrada Real (de Jacobina a Rio de Contas);
  • Caminho de Itacambira (de Minas Novas do Araçuaí a Rio de Contas); e,
  • Caminho do Ouro da Boa Pinta (de Rio de Contas a Cachoeira/Porto de São Félix).

Dos quatro caminhos coloniais, o mais movimentado foi o do Ouro da Boa Pinta, que terminava ou começava na margem direita do Rio Paraguaçu, no povoado de São Félix. Esta localidade se constituía na principal via de acesso aos sertões da Bahia, de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso. Portanto, pelo Caminho do Ouro da Boa Pinta, subiam as famílias e os escravos dos povoadores, além das mercadorias e tudo de necessário às fazendas e povoados que foram surgindo no sertão. E do sertão desciam as riquezas minerais até São Félix, o ponto terminal do longo percurso terrestre, onde eram embarcadas, pela via fluvial-marítima, para Salvador, a capital da colônia portuguesa.

Já o Graduando em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mateus José da Silva Santos, em seu trabalho intitulado “No planalto há um cruzeiro? Reflexões sobre uma história cruzalmense” apresentado no IX Encontro Estadual de História, traz à luz o seguinte:

(…) algumas das codificações dos locais de parada nos roteiros de viagem, elaborada por Erivaldo Fagundes Neves e Antonieta Miguel (2007) acerca da mesma estrada em 1721, baseada na expedição de Pereira da Costa, observe que o traçado é praticamente o mesmo, modificando apenas alguns dos pontos citados:

De Cachoeira (Freguesia de São Pedro) a Rio de Contas:

01. Freguesia de São Pedro (Cachoeira)

02. Aporá Pequeno

03. Fazenda Genipapo (Município de Castro Alves)

04. Fazenda Curralinho (Origem da Vila de Castro Alves)

Tanto o mapa como a descrição citada anteriormente não indicam nenhum pouso chamado Cruz das Almas e nem mesmo cita alguma localidade que faziam referência ao núcleo original da cidade. Apesar de, se considerarmos o período histórico em estudo, o chamado Caminho do Ouro da Boa Pinta abranger também partes da Freguesia do Outeiro Redondo, o fato é que o mesmo não engloba nem a sua sede e nem tampouco as áreas mais próximas da mesma. A dita estrada para o sertão citada pela narrativa tradicional, portanto, não foi aquela que se tornou uma das rotas mais realizadas no interior da Capitania da Bahia.(…)

(FONTES: SOUZA, Oséas Fernando Oliveira de. HISTÓRIA E MEMÓRIA DE SÃO FÉLIX – CIDADE PRESÉPIO. Cachoeira: Portuário Atelier Editorial, 2018. SANTOS, Mateus José da Silva. NO PLANALTO HÁ UM CRUZEIRO? REFLEXÕES SOBRE UMA HISTÓRIA CRUZALMENSE. http://www.encontro2018.bahia.anpuh.org/resources/anais/8/1534697387_ARQUIVO_Noplanaltohaumcruzeiro.pdf )