VOCÊ SABIA?

Segundo anotações de inventários post-mortem encontrados no Arquivo Regional de Cachoeira e no Arquivo Público do Estado da Bahia, imóveis e escravos destacavam-se como os bens (parte das fortunas) dos inventariados nas freguesias de Cruz das Almas, Muritiba e Outeiro Redondo no período de 1834-1850. A saber:

Escravos 42,5%

Imóveis 24,5%

Dívidas ativas 15%

Animais 5%

Dote 1%

Financeiros 1%

Mercadorias 2,5%

Benfeitorias 4%

Objetos 2,5%

Lavouras 4%

A LENDA (?) DA COVA DO NÊGO

Dizem que a Cova do Nêgo era uma localidade aqui em Cruz das Almas que passou assim a chamar-se pois, em tempos idos, uma mãe, negra, provavelmente escravizada ou descendente de escravos, que não teve, por parte de seu senhor, permissão para enterrar o seu filho morto no único cemitério da cidade, acabou por enterrá-lo por ali mesmo, numa cova próxima da sua casa.

Importante lembrar uma questão histórico-cultural: naquela época, não existiam cemitérios públicos e, por isso, nem todos tinham “direito” a um funeral cristão ou dispunham de condições financeiras para fazê-lo.

E, embora negra e escrava, é mãe e sente

as mesmas dores da mãe branca-dona

que quer para o filho um enterro descente.

Separa-os a morte, mas a mãe nunca o abandona!