GRAÇA SENA

Maria das Graças Carneiro de Sena ou Graça Sena como é mais conhecida, nasceu no dia 25 de abril.

Assistente Social, doutorada em Sociologia, trabalhou por muitos anos na Embrapa Mandioca e Fruticultura e atualmente e empreendedora proprietária de um restaurante vegano.

Ativista feminista, é integrante do Coletivo Jacinta Passos; e militante cultural, é uma das fundadoras da Casa da Cultura Galeno D’Avelírio.

Eis Graça Sena por Graça Sena:

“Feirense de nascimento, cruzalmense por adoção. Em Cruz das Almas vivi metade da minha vida, criei filhas, cultivei amigos. Perdi alguns, ganhei afetos e desafetos. Mas é aqui, nessa cidade sem rios, que rio e, às vezes, choro rios.

Eu e as Artes…

Na Poesia, publiquei meus primeiros poemas em cadernos literários e participei de várias coletâneas com outros poetas: Pacto de Gerações; Célula-doce e Corpo; Imprevista Claridade; Necessariamente Agora, em parceria com Gláucia Guerra; Conteúdo Suspeito, com Lita Passos; Laranja na Chuva das Urânias, com Nelson Magalhães Filho. Fui colaboradora e publiquei no jornal Reflexos de Universos.

No Teatro, escrevi os textos: A noite; O pesadelo de Lilith; As Cartas. Atuei em grupos de teatro, em Feira de Santana e em Cruz das Almas. TEAM. TEF, Os Sapatos Marrons do Anonimato e Cia. dos Anjos Baldios (atriz e diretora).

Cinema e vídeo: Atuei no curta Mais uma História de Amor, dirigido por Nelson Magalhães Filho; dirigi o documentário A Arte das Operárias.

Na Música, em Feira, participei de festivais (compositora e intérprete). Com Beto Rebelde e Nelson Magalhães F. formei o Cabaret Neopatético, banda de rock/folk/blues.” [Mais recentemente, integrou o grupo musical Operárias da Arte.]

FONTES: https://www.blogger.com/profile/02009439543811583736 ; http://www.seagri.ba.gov.br/content/maria-das-gra%C3%A7as-carneiro-de-sena

BANDA SARAPATEL COM PIMENTA

No início da década de noventa, em Cruz das Almas, Bahia, engenheiros agrônomos amigos, aficionados pela cultura regional (música, dança, culinária, etc.,) reuniam-se periodicamente em celebração aos bons momentos que a vida proporciona tocando xotes, baiões, cocos, xaxados, e demais estilos musicais que costumam alegrar as nossas noites nordestinas. A denominação da banda surgiu quando esse grupo de amigos comia um delicioso sarapatel (Iguaria típica da região), bem apimentado, durante uma tocada, e alguém sugeriu que fosse criado um nome que os identificasse. Assim foi batizado de Sarapatel com Pimenta até então uma brincadeira (1994).
Àquela época o Sarapatel com Pimenta contava com Zé Moraes como um dos vocalistas do grupo. Zé, professor e agrônomo de renome na cidade, posteriormente veio a ser vereador em Cruz das Almas e deixou o grupo. Os que frequentavam o famoso Bar do Um Real com certeza lembram-se bem dessa época. O sucesso foi tanto que o grupo de forró precisou ampliar sua estrutura e veio a tornar-se uma banda. Bruno Silva assumiu os vocais principais da banda, tendo em vista que desde o início participava das “reuniões de forró” com os seus amigos. E, a agora banda Sarapatel com Pimenta, por alguns momentos contou com algumas vozes femininas ao lado da voz de Bruno, entre estas vozes destacamos a cantora Cíntia (hoje com um trabalho gospel muito bem elogiado), que no período de licença maternidade foi substituída por Meyre Kal.

A cantora Meyre Kal e Bruno Silva dividindo o palco do Cruz das Almas Clube na década de 90
Bruno Silva, que nasceu em Cruz das Almas, sempre nutriu certo fascínio pelas obras de Luiz Gonzaga, Mestre Lindú, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. Este jovem cantor é neto do saudoso Benedito Vermelho, um dos “químicos” locais, pioneiro na confecção de “espadas” – artefatos pirotécnicos indispensáveis nas festas juninas cruzalmenses.
Sarapatel com Pimenta dividiu os palcos com astros da música brasileira como Elba Ramalho, Leandro e Leonardo, Flávio José, Zé Ramalho e outros. Bruno destaca-se pelo carinho e responsabilidade com que encara a nossa música, e assim, estudou, aprimorou-se, estreitou laços de amizade com velhos mestres do estilo como o pernambucano Félix Porfírio.
Com cerca de 10 trabalhos gravados entre registros ao vivo e em estúdio, em 2011 a banda lança o CD intitulado “Vento Solidão” e apresenta regravações e canções inéditas. Além de Bruno, o Sarapatel com Pimenta conta com grandes músicos como Romero na sanfona, Sid Bemtivi no baixo, Léo Nariga na zabumba entre outros.
Aos que hoje tem a oportunidade de ver Bruno Silva e Sarapatel com Pimenta nos palcos, principalmente de Cruz das Almas, percebem a linda magia que a banda tem de interação com seus fãs.

(FONTE: https://meyrekal.blogspot.com/2011/07/personalidade-cruzalmense-bruno-silva-e.html )

UMA CRÔNICA DE ZÉ MORAES – 1

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Devolva o chapéu do rapaz! Você o conhece? Essas foram as primeiras frases salvadoras, proferidas por aquele homem, que já fazia história em nossa cidade. Esse início de conversa faz parte do relato de um cidadão cruz-almense, que se sentiu aliviado pela providencial intervenção do seu conterrâneo Antonio Santos Anunciação, conhecido de todos como Tonhe Piaba.

Pois, Tonhe Piaba ia chegando naquele bar, em dia de carnaval, poucos minutos depois do nosso amigo ter seu chapéu subtraído por um inconveniente indivíduo, que se pusera a dançar freneticamente, posando com aquele chapéu, que não era seu. Certamente, estava doido pra arrumar confusão com alguém. Embora o pacato cidadão, como diria o saudoso Silvestre Caldas, apelasse para que a referida peça lhe fosse devolvida, o sujeito desavergonhado se negava a devolvê-lo. Tonhe Piaba, já no interior do bar, sentou-se à mesa do nosso amigo, o qual não escondia seu desassossego. Ao tomar conhecimento do que acontecera, Tonhe Piaba proferiu aquelas palavras, lá do início do texto. “Mas eu só estava brincando”, justificou o elemento. “Devolva, já disse”, ordenou Piaba.

Na verdade, esses episódios envolvendo Tonhe Piaba (in memorian) iam se tornando cada dia mais comum, pois essas atitudes faziam parte de sua personalidade. Interessado em sua história, busquei entrevistá-lo, mas o seu falecimento aos 79 anos de idade não permitiu. Inclusive já havia falado a respeito com seu sobrinho (Celso Oliveira), e por duas vezes não consegui encontrá-lo, ou porque já havia saído do local que costumava frequentar, ou porque não teria aparecido no local naquele dia.

Pessoa do bem, desde cedo ajudava seu pai (Pedro Santos) no serviço de panificação, em padaria da Praça da Bandeira. Aliás, a sovação diária da massa dos pães seria a provável razão dele apresentar fortes mãos, as quais abertas e levantadas, desciam com grande ímpeto, lhe proporcionando êxito nos embates que travava. Entretanto, esses não eram o único recurso contra aquele que o desafiasse. Piaba também era meio que autodidata no jogo na capoeira, lhe conferindo molejo e muito boa esquiva. Além do mais, ele sabia combinar muito bem suas habilidades: o molejo, próprio da capoeira, o livrava dos golpes adversários. Em seguida, suas mãos entravam em ação, “liquidando a fatura”.

Assim, sua fama corria rápido pela cidade, e isso incomodava muita gente, que desejava pô-lo à prova, caso houvesse oportunidade para tal, ou não, já que, do nada, surgia um desafiante desconhecido, mesmo sem motivo algum, apenas desejando derrotar o tio de Celso Oliveira, e pegar a fama para si. Baum Silveira, antigo morador da rua dos Poções conta que sempre quis vê-lo em ação, mas não conseguia. Até que, por pura sorte, ia passando pela praça do Lavrador, e deu de cara com um sujeito que, aos berros, gritava: “quero ver se você é esse homem todo que todos dizem que você é, Piaba” . O nome Piaba o fez correr para o local onde aquela confusão iniciava. Segundo ele, Piaba estava sozinho, debruçado sobre o balcão daquele bar e o desafiante estava à porta de entrada, falando alto e lhe dirigindo impropérios. Aliás, o valentão já aguardava por aquele momento há tempos. Piaba, já acostumado a essas situações, calmamente, afastou-se do balcão e, com o pé direito, empurrou algumas cadeiras para o canto. Virou-se para o inoportuno desconhecido, abrindo as pernas, cruzando os braços e fixando o olhar, sem dar uma palavra.

O cabra já espumando, investiu pesadamente contra o nosso herói que, aparentemente, não estava suficientemente aquecido para a iminente peleja. Ledo engano. Os movimentos eram muito rápidos, então quem assistia a cena podia perder algum lance interessante, caso desviasse o olhar por alguns segundos. A cada investida, uma esquiva e um forte tapa na cabeça, numa sequência invariável, mas que era dotada de movimentos que deixavam o opositor tonto e dolorido. Essa combinação de golpes nunca o deixou em maus lençóis. Ao contrário, lhe rendia grande sucesso, inclusive quando chegou a enfrentar cinco homens de uma só vez. Esses enfrentamentos se davam tão somente pelo senso de justiça, na tentativa de defender os mais fracos e injustiçados, ou então porque o desafiavam. Não era, de maneira alguma, desordeiro ou desrespeitador. Na verdade, era companheiro e de bom trato, contrastando com o perfil apresentado anteriormente.

(Uma crônica da série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes.)

LEI AUTORIZA TELÉGRAFO EM CRUZ DAS ALMAS

Fixa a Despeza Geral da Republica dos Estados Unidos do Brasil para o exercicio de 1923

Art. 97. Fica o Governo autorizado:

XXXIII- A, dentro dos limites expressos na consignação respectiva, executar os seguintes serviços, preferindo entre os mesmos aquelles que, a juizo dos orgãos technicos da administração, forem considerados mais urgentes: prolongamentos ou ramaes ou linhas telegraphioas – a de Lavras a Carmo, passando por Villa Nepomuceno, Tres Pontas e Dores da Boa Esperança; a de Cambuquira a Lavras, passando por Tres Corações, Carmo, Cachoeira e S. João Nepomuceno, no Estado de Minas Geraes; a de Santa Rita a Jatahy; as de Axirá a Miritiba, Itapicurá a Burity, passando por Vargem Grande e Chapadinha; Brejo a Santa Quiteria, Biachão a Victoria do Alto Parnahyba, e Pinheiro a Santa Helena, no Estado do Maranhão, a que deve servir a Aracy, Tucano, Pombal, Cicero Dantas e Geremoabo, a de Ituassú a bom Jesus dos Meiras, de Carinhanha a Santa Maria da Victoria, dahi a Correntina, de Ituassú a Conquista e do Rio Branco a Macahubas, de Barra do Rio de Contas a Itapura, de Capivary a Baixa Grande, de Nazareth a Jaguaripe, de Capivary a Orobó, de Cruz das Almas a Conceição do Almeida, no Estado da Bahia; de Porto Calvo a Leopoldina, de Porto Calvo a Porto das Pedras; de Camaragibe a S. Miguel dos Milagres; de Pão de Assucar a Bello Monte, de Traipú a Porto Real de Collegio, passando por São Braz, no Estado de Alagôas; da cidade de Tubarão, a S. Joaquim da Costa da Serra, no Estado de Santa Catharina: e de Tres Lagôas a Sant’Anna do Paranahyba, no Estado de Matto Grosso; e da estação de Correntes, no mesmo Estado, á Santa Rita do Araguaya.

Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 1923, 102º da Independencia e 35º da Republica.

ARTHUR DA SILVA BERNARDES
R. A. Sampaio Vidal

FONTE:

  • Coleção de Leis do Brasil – 7/1/1923, Página 10 Vol. 1 (Publicação Original)
  • Diário Oficial da União – Seção 1 – 7/1/1923, Página 568 (Publicação Original)

UM EXEMPLO DA FORÇA DA TRADIÇÃO

Mesmo com a modernidade da comunicação e de seus avançados recursos tecnológicos como a Internet, televisão, rádio, jornais e panfletos informativos, os serviços de alto-falante, fixo e volante, ainda resistem em municípios de pequeno porte e até em cidades como Cruz das Almas, com mais de 70 mil habitantes. É uma tradição fundamentada na oralidade e nos valores culturais da sociedade que ainda resiste ao tempo.

No serviço fixo, o seu conteúdo, geralmente, se baseia na divulgação do noticiário local, numa programação musical bem popular, no calendário de festas religiosas, nos anúncios de utilidade pública, de extravio de documentos e na propaganda comercial. Já o serviço volante, conhecido como carro de som, é sem dúvida a mais eficaz, além de barata, fonte de informação na divulgação de promoções do comércio local e, principalmente, de notas de falecimento da cidade.

Aliás, o Serviço de Alto-Falante aqui é tão importante que em 2010 a Rede Lider de Publicidade recebeu da Câmara de Vereadores o certificado de Patrimônio Cultural do Município.

No Brasil, o alto-falante foi utilizado pela primeira vez no Rio de Janeiro durante um evento comemorativo do centenário da Independência da República em 7 de setembro de 1922, o que impressionou os participantes da festa. A partir de então se popularizou no restante do País, principalmente nas cidades de interior.

Aqui em Cruz, como conta-nos Renato Passos da Silva Pinto Filho,  lá pelos idos de 1930, “no fim do dia ouvindo a Ave-Maria através das onze bocas do Serviço de Alto-Falantes Tamandaré, em pura alta fidelidade, a atual voz da cidade, distribuídas nas principais ruas e pontos estratégicos a zumbir, para melhor se fazer ouvir. Antes do Serviço de Alto-Falante Tamandaré, a voz da cidade era falada pelo serviço de alto-falantes de Zete, filho de seu Artur Martins e você precisava escutar o Picopeu, locutor de categoria (…)”.

Com o advento do rádio, a sua influência foi sendo reduzida, mas persistiu em pequenas comunidades, sempre voltado para a prestação de serviço. Mas até em Cruz das Almas, uma cidade universitária de porte médio, a tradição ainda é mantida. Observa-se ainda que além do sistema fixo em pontos específicos no Centro da cidade, também existe o sistema volante; mesmo existindo emissoras de rádio AM e FM, a população ainda se informa das notas de falecimento através da veiculação de carro de som. A voz pausada, com uma ótima entonação, informa quem morreu. O carro de som percorre as ruas dos bairros nos arredores da localidade da família e de onde residia o falecido.

Ambos os serviços, fixo e volante, contaram ao longo dos anos com muitos locutores que, alguns deles, depois seguiram carreira no rádio. Como não lembrar de Zete de Arthur Martins, de Honorato Azevedo, de Silvestre Caldas, de Rei Cônsul, de Olivaldo Oliveira, de Pedro Itatiaia, de Amaral…

Da nova geração de locutores destes veículos de comunicação, podemos destacar as vozes marcantes de Silvio Caldas, de Celso Oliveira, de Edy Júnior, de Joelson Paz, dentre outros.