CIDADE DAS BICICLETAS

“A CIDADE DAS BICICLETAS”, assim Cruz das Almas ficou conhecida por um longo e bom tempo.

Mas eram muitas bicicletas mesmo… uma quantidade enorme que circulava pelas ruas e estradas, durante a semana, por volta das 5 e 6 horas da manhã, ao meio-dia e todo final de tarde era comum milhares (sem exagero!), milhares de pessoas pedalando bicicletas: eram as operárias dos armazéns de fumo, os homens e mulheres que trabalhavam na Agro, os estudantes do Ceat e de outras escolas públicas, os jovens que trabalhavam no comércio. Aliás, esse era o meio de transporte mais comum para todos: se precisasse ir à rua, ia-se de bicicleta.

Lembro-me até de uma matéria publicada no Jornal A Tarde que dizia de uma pesquisa apontando que, na época, havia a média de 2 bicicletas para cada residência de Cruz das Almas.

Famosas e aguardadas eram as corridas ciclísticas do aniversário da cidade e os passeios de bicicleta na primavera, promovidos anualmente por uma conhecida loja de departamentos que era a principal vendedora de bicicletas Monark e Caloi na cidade.
Lembro-me também que ao comprar uma bicicleta nova, a pessoa, de posse da nota fiscal, tinha de ir registrá-la na Delegacia (falava com o Tenente Romualdo), para que assim pudesse vir a recupera-la caso fosse roubada um dia; ou mesmo evitar de comprar uma usada que fosse, porventura, objeto de roubo. Bons tempos!!!

CRESCIMENTO POPULACIONAL

Levantamento histórico do crescimento populacional de Cruz das Almas, segundo o recenseamento demográfico do IBGE, através dos anos:

1900 – 13.219 hab.

1920 – 20.723 hab.

1940 – 28.255 hab.

1950 – 32.276 hab.

1960 – 20.234 hab.

1970 – 28.814 hab.

1980 – 37.352 hab.

1990 – 45.858 hab.

2000 – 53.049 hab.

2010 – 58.584 hab.

2019 – 63.239 hab. (estimativa)

(FONTE: http://www.reconcavonews.com)

RÉGUA E COMPASSO

Muitas vezes a necessidade faz as pessoas submeterem-se à condições muito aquém do mínimo necessário para o exercício do seu trabalho. Acordar e partir para o seu posto de trabalho com algum grau de satisfação é fundamental para o serviço se desenvolver a contento e render aquilo que se espera dele. O Régua e Compasso, acreditando que todos, mesmo fora das salas de aula, tem algo a ensinar, navega por águas do cotidiano e da vivência, colocando situações que só a “escola vida”, com todo seu didatismo, poderá ministrar.

Somente hoje, com a evolução do conhecimento, pôde-se ter a real dimensão do significado da qualidade de vida, nos mais diferentes setores ou atuações profissionais. Neste sentido, os debates em torno da saúde do trabalhador, doenças ocupacionais, qualidade de vida e satisfação no trabalho ganharam corpo diante das novas descobertas científicas e do rendimento esperado nos postos de trabalho.

Essas primeiras linhas são para chamar a atenção do leitor a respeito de fatos que nos ocorrem com certa frequência, ou que pelo menos tenha ocorrido no passado. O mais importante é aperceber-se disso. Em finais dos anos 1970, conheci Antônio S. Sousa (in memorian), apelidado de Lombada. Ele trabalhava como ajudante de serviços gerais em um cinema da Cruz das Almas daqueles tempos, mas o conheci como agente de portaria daquela empresa, pois passou a substituir o funcionário anterior, que havia se demitido. Assim, permaneceu por 18 anos, somados os dois serviços na Casa. Eu e mais alguns amigos adorávamos ver os filmes exibidos nas tardes de domingo, e até me acostumei com o Lombada, que estava sempre de prontidão na catraca da entrada, recolhendo os bilhetes e liberando a passagem para a sessão de logo mais. Com frequência, via a forma desrespeitosa com que era tratado pelos jovens que desejavam entrar naquele estabelecimento sem ter adquirido antes o seu ingresso, ou seja, assistir ao filme de graça. O tratamento hostil e as ameaças de agressão eram comuns, já que ele não cedia às pressões daquele público e porque ele trabalhava sozinho. A ousadia era tão grande que alguns se arriscavam a pular a pequena mureta que separava a parte interna e externa daquele local. Quando Lombada corria para tentar impedi-los, abandonando a catraca, um outro grupo saltava pela catraca. Trabalhar naquelas condições era realmente um inferno. A sala de exibição vivia lotada, mas vários não apresentavam o ingresso.

O proprietário do cinema preocupava-se com a baixa renda obtida, mas colocava a culpa sobre a portaria. Nos dias de hoje seria muito difícil que um trabalhador se submetesse a tamanho sofrimento no local de trabalho, e onde teria que, além de realizar seu serviço normal, exercer o papel de segurança. Lombada sempre foi um homem pacato, mas tinha que fazer “cara de mau” diante dos insultos que lhes eram dirigidos. Todavia, fazia o que era necessário para manter-se no serviço, já que ali estava a sua sobrevivência, era ali que ele ganhava o seu sustento, mesmo sem a necessária carteira assinada. A necessidade o fez permanecer ali por todo aquele tempo. Imagino o estado emocional desse homem, sabendo que no dia seguinte seria igual ou pior que aquele.

Até pouco tempo achava que já tinha falecido, mas contente fiquei em saber que ele estava bem vivo, criado sete filhos e de bem com a vida, aos 74 anos. Fui até sua casa no Bairro Sorriso, conversamos um pouco e vi que não guarda qualquer mágoa daquele passado. Contou que ao deixar o trabalho no cinema em 1980, passou a trabalhar na Prefeitura Municipal de Cruz das Almas, onde se aposentou. Assim, ele nos deixa um exemplo de superação na luta pela sobrevivência, mesmo naqueles tempos difíceis, nos quais sequer se pensava em saúde do trabalhador, segurança do trabalho e qualidade de vida. Infelizmente, Lombada nos deixou no dia 13 de janeiro do corrente ano, deixando um exemplo de perseverança para todos que desanimam diante de qualquer dificuldade na vida.

(Crônica da série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes.)

ZINALDO VELAME

O cantor e compositor Zinaldo Silveira Velame nasceu em 13 de maio, em Cruz das Almas (Ba). Formou-se em Agronomia pela UFBA e é Mestre em Ciências Agrárias – Ciência do Solo pela UFRB. Seu primeiro contato com a música aconteceu no tempo em que estudava no Colégio Cruz das Almas, onde formou, com os amigos Haroldo, Vagno, Marcos, Kinor e Roberto o grupo musical Carefree e suas primeiras composições aconteceram durante os ensaios do grupo. Pouco depois Zinaldo começou a compor sozinho. Suas primeiras músicas foram: Folha Seca e Corpo Ardendo. Com Corpo Ardendo participou de vários festivais em Cruz das Almas e em outras cidades obtendo reconhecimento e ganhando prêmios. Em 2005, com o guitarrista Robertinho Lago gravou um CD de divulgação de seu trabalho, com o título, Algo Mais. Zinaldo já compôs mais de cem músicas. Entre os vários parceiros destacam-se: Kinor, Márcio Arruda, Junior, Nelson M. Filho, Graça Sena, Ian Ferreira, Luciano Fraga, Lita Passos, Luciano Passos, Marcelo Machado e Fernando Galotti. Outra paixão desse artista é a poesia.

Dentre suas apresentações inesquecíveis, destacamos a Expoflores e a noite em que Cruz das Almas conheceu o show da banda Coro de Cor na Casa da Cultura Galeno d’Avelírio, em 2009.

Em 2011, Zinaldo lançou o seu segundo CD, Tons, onde canta as palavras de amigos poetas.

Sua voz lembra o timbre de Raimundo Fagner, um dos seus ídolos. Muitos devem se lembrar da canção “Vôo Rasante” de Lui Muritiba, uma canção que fora interpretada por Zinaldo Velame, em suas apresentações ao vivo, de forma ímpar.

Ouvir Zinaldo cantar é ratificar que Cruz das Almas tem sim artistas que fazem música de qualidade!

(FONTE: Blog de Meyre Kal / maio de 2011)

JOÃO GUSTAVO DA SILVA

Foi vereador (1954 a 1958), poeta, escritor e jornalista. Não nasceu em Cruz das Almas, mas amava esta terra como um Cruzalmense. Aqui casou-se e teve filhos. Credita-se a ele a luta para a vinda da agência do Banco do Brasil para Cruz das Almas.

Nasceu em 12 de fevereiro de 1918 e faleceu em 21 de fevereiro de 1968. Eis alguns de seus poemas:

LENDO COELHO NETO.

Ser mãe é andar chorando num sorriso!

Ser mãe é ter um mundo, e não ter nada!

Ser mãe não é padecer num paraíso!

E ser pai, o que será?…

Ser pai é ser da via férrea os trilhos!

É ser o trem, é ser o maquinista.

Buscando vida para mãe e filhos!

(soneto extraído do Jornal Nossa Terra/1955)

QUANDO…

Quando ao desfalecer do dia as andorinhas

Em bando, pelo espaço, arribam velozmente…

E que lá no ocidente ínfimas nuvensinhas,

Formam o multicor cenário do poente,

Quando na densa noite em olhares diretos,

Do céu a ardente estrela infiltra-se nos lagos,

E que na mata escura a festa dos insetos

Vibra de amor, de sons e naturais afagos…

(Jornal Nossa Terra/1955)

(FONTE: Ângela Machado; Aluno Matta Santana)

O VAPOR DE CACHOEIRA

Apesar de pouco falado em Cruz das Almas, mas o “VAPOR DE CACHOEIRA” foi parte importante da história e do desenvolvimento econômico da nossa cidade. Muitos ainda guardam na lembrança, e com saudade, as viagens de trem ou de marionete até Cachoeira e, de lá, até Salvador navegando pelas águas do Paraguaçu embarcados no lotado “Vapor”.

Em 04 de outubro de 1819, portanto, há exatamente 201 anos, acontecia a viagem inaugural do “Vapor de Cachoeira”, onde navegara quase dois séculos em águas baianas. Esta foi a primeira embarcação a vapor a circular na América do Sul, foi uma revolução para a época. Ao longo das décadas seguintes esse meio de transporte impactou significativamente a vida dos baianos, não só pelo aspecto econômico mas, principalmente, pelo que ele representou para a vida social e cultural da Bahia, entre o século XIX até meados dos anos 60 do Século XX.

Navegando pelos vales verdejantes do Recôncavo, por entre ruínas de fortes e conventos da era colonial, foi testemunha do apogeu dos engenhos de açúcar e , em seguida, transportou as riquezas geradas pelo cultivo e industrialização do fumo, que fizeram a força econômica de Cachoeira e São Felix até a década de 1930.

O Vapor de Cachoeira levava produtos manufaturados até o Recôncavo e daí eram levados em tropas de burros – e mais tarde de trem – para o Sertão. Na rota inversa, trazia para o litoral tudo o que o sertão produzisse. No Império, foi o trem, que em Cachoeira interligava-se ao transporte fluvial, o grande impulsionador do desenvolvimento.

Imaginemos quantos romances (namoros, noivados e casamentos) nasceram, em face do trajeto Cruz das Almas/Cachoeira/Salvador e que devem estar unidos até hoje.

Dr. Orlando Pereira, médico cruzalmense nascido em Cachoeira, relata-nos: “Quando estudante no Gynazio da Bahia, era em 1943 o único transporte para Salvador. Morava em Cachoeira e viajei bastante no navio Paraguaçu , guiado pelo comandante Dedé. Quantas vistas lindas e as saudades que nos deixou …. dá-me vontade de chorar. Obrigado pela lembrança .
Importante dizer que minha única namorada, que veio a ser a minha saudosa e querida esposa, namoramos bastante no “ Vapor que não navega mais no mar”.

Também, Cyro Mascarenhas conta-nos: “Uma boa lembrança. Ainda me recordo da minha primeira viagem a Salvador, em 1955, chegando à Baía de Todos os Santos e avistando ao longe a cidade iluminada. Cena inesquecível.
A chegada a Cachoeira para pegar o vapor não era muito fácil. Tinha a marinete de Baratinha.
O pior é que o navio dependia da maré cheia para sair de Cachoeira, senão encalhava. A cada dia o navio saia em hora diferente porque dependia da maré. Às vezes saímos tarde da noite de Cruz para pegar o navio que partia de Cachoeira de madrugada. No meio da rota parava em Maragogipe, onde entravam novos passageiros. Quando chegava na assim chamada “meia travessa” (ponto que o Paraguassu desemboca no oceano) o navio “jogava” muito. O balanço era tanto que muita gente enjoava, não raro vomitando. A chegada no Porto era um alívio.”

Edson Chiacchio recorda-se: “Década de 50. Pegava a Marinete de Artur Martins, saindo para Cachoeira, passando por Cabeças, Muritiba, S. Félix, a ponte a atravessar e o destino final…
Era uma grande aventura para um garoto de 10 anos…
Era maravilhoso! A viagem até Salvador durava 6 horas, passando por Nagé, Coqueiro, Maragogipe e São Roque… até aí tudo tranquilo. Quando chegava ao mar, Baía de Todos os Santos, na meia travessa, o navio jogava muito, balançava demais….Era muita gente mareada e vomitando…
Enfim chegávamos a Salvador…”

Assim, o “VAPOR DE CACHOEIRA” tornou-se um mito para o povo do Recôncavo, pois fomentou a economia entre as regiões litorânea e sertaneja da nossa Bahia.

A navegação do “VAPOR DE CACHOEIRA” teve sua linha desativada no ano de 1967.

Vamos resgatar a sua história, pois o que dela resta é apenas saudade…

(Fonte: Página Bahia… terra do já teve in Facebook)

EUDALDO GOMES DA SILVA

Estudante da Escola de Agronomia da UFBA, em Cruz das Almas, militante revolucionário contra a ditadura, era conhecido pelos militares como guerrilheiro, membro da VPR, assaltante de banco etc.

Em 15 de junho de 1970, fora banido do Brasil com um grupo, por ocasião do seqüestro do embaixador da Alemanha, Von Holleben, com mais 39 presos políticos.

Retornando clandestinamente ao Brasil , foi morto no dia 7 de janeiro de 1973 juntamente com Pauline Reichstul, Evaldo Luís Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva e Soledad Barret Viedma em uma chácara no loteamento de São Bento, no município de Paulista, em Pernambuco. O caso ficou conhecido como o Massacre da Chácara São Bento.

(FONTE: Ângela Machado in FOTOS ANTIGAS DE CRUZ DAS ALMAS/FACEBOOK)