LEI DE CRIAÇÃO DA UFRB

Lei que criou a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, um presente não só para Cruz das Almas, mas para a Bahia e para o Brasil!!!

PROGRAMA RÁDIO NOVIDADES

Com grata emoção, sentindo-me honrado, recebi de um querido amigo este precioso documento: trata-se da foto do jovem Hermes Peixoto no Studio do Serviço de Altofalantes Tamandaré, na década de 50.

Conta-nos Hermes que, naquela época, ele comandava as manhãs de domingo, com o programa Rádio Novidades. A praça Senador Themistocles recebia um número grande de ouvintes que sentavam nos bancos para curtir as transmissões que ecoavam dos altofalantes no alto da praça instalados.

Hermes Peixoto tinha um gravador de rolo e, durante a semana, ia gravando as novidades que eram veiculadas pela rádio Globo e, em ondas curtas, pela BBC de Londres. A propósito, foi desse jeito que Cruz das Almas ouviu pela primeira vez os Beatles, Sarita Montiel, Louis Armstrong, entre outras novidades musicais.
Assim, o programa Rádio Novidades intercalava músicas e notícias de Cruz, da Bahia, do Brasil e do mundo.

FONTE: Hermes Peixoto Santos Filho.

QUEM ERAM OS HOMÔNIMOS “MANOEL CAETANO”?

Praça Manoel Caetano da Rocha Passos

Conheçam o curioso caso dos quatro homônimos “MANOEL CAETANO” de Cruz das Almas, todos de uma mesma linhagem familiar:

  1. Manoel Caetano de Oliveira Passos, conhecido como “O Velho”, português de aspecto sisudo, no século XIX fora um dos fundadores do arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Cruz das Almas, próximo a São Félix e a Cachoeira, conseguindo obter terras na área.
  2. Seu sobrinho, Manoel Caetano de Oliveira Passos (1842-1905), Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife em 1864, iniciou sua carreira política como deputado provincial entre 1866 e 1869. Foi também promotor público em Salvador e chefe de polícia da província da Bahia na gestão do conselheiro José Luís de Almeida Couto (14 de junho a 14 de novembro de 1889). Já na República, estando em curso a legislatura 1891-1893, foi eleito deputado federal pelo 3º distrito. Empossado em 5 de setembro de 1892, obteve sucessivas reeleições e permaneceu na Câmara dos Deputados até 31 de dezembro de 1902.
  3. Outro Manoel Caetano da Rocha Passos (1884-1958), sobrinho do anterior, foi deputado estadual (1927-1930; 1935-1939 e 1947-1951), tendo participado das Constituintes estaduais em 1935 e 1947.
  4. Por sua vez, seu filho, Manoel Caetano da Rocha Passos Filho (1917-1972). Cursou Medicina em Salvador. Colaborou no jornal O Imparcial e, poeta também, compartilhou com sua irmã, Jacinta Passos, o livro Nossos Poemas (1942), escrevendo a parte intitulada “Mundo em Agonia”. Caetano Filho, médico pneumologista, contraiu tuberculose em 1945, tratando-se em Campos de Jordão, São Paulo, estado onde passou a residir e onde foi diretor do Instituto Clemente Ferreira.

SOCIEDADE DOS ARTÍFICES

A Sociedade dos Artífices era uma agremiação representativa que reunia os artífices cruzalmenses, ou seja, os trabalhadores artesãos que produziam algum artefato, mediante encomendas recebidas: eram sapateiros, alfaiates, pintores, pedreiros, desenhistas, etc.

Segundo o memorialista Mário Pinto da Cunha, chamava-se “Sociedade Beneficiente dos Artistas” e foi fundada em 27 de setembro de 1947. Funcionou durante muito tempo em prédio próprio onde, além das reuniões de representação da classe, os associados se reuniam também (e com maior frequência) para confraternizações, jogatinas (cartas, dominó, etc) e havia até um time de futebol.

Sua sede localizada na Rua Prof. Mata Pereira, defronte da Praça dos Artistas, um belíssimo prédio, que chegou a ficar em ruínas; mas foi totalmente restaurado em 2005, durante a gestão do prefeito Orlandinho.

LUCIANO FRAGA

Nossos mestres nos ajudam a polir a lente através da qual se enxergará a realidade do mundo, e, para tanto, se esforçam, se desgastam, abrem mão de tanta coisa que poderiam estar a desfrutar, tudo para que cada estudante tenha um acesso mais facilitado ao conhecimento. Mas não é só isso. Toda escola é uma casa de cidadania, local onde se aprende a ser gente, a servir ao outro, a ter sensibilidade tal que lhe permita indignar-se com as injustiças e a regozijar-se com o êxito do outro.

Assim, nessa mesma linha, assumida desde a inauguração deste espaço, buscando sempre o melhor de cada professor, cada qual em seu tempo, a pretensão desse quadro é colocar em destaque a figura do amado mestre, rememorando momentos inesquecíveis, que se eternizaram na vida de cada estudante. Hoje, a bola da vez é o queridíssimo Luciano Fraga. Isso mesmo, aquele sujeito bom de bola e que jogava sempre de óculos de grau. Aliás, estive a observá-lo diversas vezes, nas tardes de futebol no quintal de Nelsinho Magalhães, onde o nosso homenageado dava um show. O professor Luciano desconsertava seus marcadores, às vezes Zinaldo Velame, às vezes Giordano, Japonês e mesmo o próprio Nelsinho. As travessuras do professor Luciano com a bola nos pés eram constantes, fazendo com que o jogador Zé Meia noite fosse dormir com a coluna em frangalhos. E era isso mesmo, ele acabava com qualquer marcador que se aventurasse a impedi-lo de chegar até o gol adversário.

Conheci a família do professor Luciano ainda menino, quando seus integrantes moravam na Manoel Vilaboim. Seu pai tinha uma loja de produtos em couro na avenida Alberto Passos, mais ou menos onde hoje existe uma loja de bicicletas. Sua mãe, dona Maria, matriarca da família, pessoa demais distinta; suas irmãs Amanda (da extinta EBDA) e Maria Luiza (professora) dispensam comentário, já que sempre tiveram conduta notável em suas profissões.

Naqueles tempos não conhecia o talento educacional do nosso querido professor, o que, para mim, iria, mais tarde, representar uma grata surpresa. Pensei: “esse cara pode ser o que quiser”. Claro, bate um bolão e ainda é um professor de matemática de raro talento. Mas, ai, nosso mestre resolve exercer a profissão de Engenheiro Agrônomo, já que havia se formado e precisava mesmo ingressar no mercado de trabalho. Teve que deixar as salas de aula de ir praticar o que aprendeu na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, um sonho de todos que ralam para conseguir um canudo universitário. Assim, trabalhou com a cultura do dendê em conhecida empresa de produção de óleo, depois em usina açucareira, onde passou a trabalhar com a cana-de-açúcar. Levou, então, muitos anos longe de Cruz das Almas e das salas de aula. Recentemente, soube que o professor Luciano Fraga está de volta, para a felicidade dos estudantes e da Educação. E haja surpresa: o mestre Luciano é também poeta e escritor, tendo sido colaborador do famoso jornal literário Reflexos de Universos. Provavelmente conheci todas as facetas do amado mestre. Entretanto, não ficarei mais surpreso se descobrir que ele também canta ou dança.

Vai aqui a nossa gratidão a tudo que ele fez (e ainda faz) pela educação cruzalmense, e desejar que Deus lhe dê vida longa para que possamos desfrutar do convívio com essa grande figura humana. Cruz das Almas agradece.

(Crônica da Série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes)

A CAIXA D’ÁGUA DA SUZANA

Você sabia que, antes de chegar o fornecimento de água encanada em Cruz das Almas, os cruzalmenses só usavam água de cisterna e, para beber, água da Fonte do Doutor, que aguadeiros carregavam até os lares em barris no lombo de jumentos? E que o prefeito Dr. Fernando Araújo, na sua 1a gestão (1959/1963), tentara resolver este problema construindo uma enorme caixa d’água no bairro da Suzana?

BIBLIOTECA MUNICIPAL CARMELITO BARBOSA ALVES

A Biblioteca Municipal Carmelito Barbosa Alves, localizada na Rua 31 de março, Centro, foi construída na administração do Prefeito Carmelito Barbosa Alves e inaugurada em 29 de Julho de 1976, e teve como primeira diretora a Sra. Iara Barbosa.
A Biblioteca Carmelito Barbosa Alves é uma instituição dedicada à propagação de uma política de leitura, de pesquisa e de guarda do acervo bibliográfico do município e tem sua estrutura organizacional dividida em sete setores: empréstimo, pesquisa, infantil, leitura, sala de informática, diretoria e um auditório que possui capacidade para 290 assentos e atende a população em eventos e até como espaço de cinema.
Possui um acervo de aproximadamente 20.000 livros, que atende toda a comunidade. Seus usuários são em sua grande maioria estudantes da rede pública municipal, estadual e particular, atendendo também a estudantes pré-vestibulandos e universitários que chegam à procura de materiais bibliográficos e de um espaço adequado para ler e estudar. Mais de uma dezena de funcionários trabalham para atender ao horário do expediente que é das 8:00 às 19:00 h. Os serviços de empréstimo domiciliar, são feitos para usuários cadastrados, que possuem a carteira da biblioteca obtida mediante os seguintes documentos: 2 fotos, comprovante de residência, carteira de identidade e o pagamento de uma pequena taxa. Apresentando carteira o usuário poderá levar 2 livros e 1 revista pelo prazo de 7 dias corridos para devolução.

UMA CURIOSIDADE:

Você sabia que a Biblioteca Municipal Carmelito Barbosa Alves foi projetada pelo arquiteto Elomar Figueira Mello, também conhecido nacionalmente como o cantor e compositor Elomar?

Sim, Elomar desenhou o bonito prédio de linhas retas que possui um hall de entrada e um foyer que atende a um amplo auditório, além de um bem cuidado jardim interno, rodeado por várias salas de pesquisa, leitura e um acervo bibliográfico bem diverso.

(FONTE: ÉRICA PAIXÃO DA SILVA in AVALIAÇÃO DE PÚBLICO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL CARMELITO BARBOSA ALVES:UM OLHAR MUSEOLÓGICO. 2012. UFRB; e pesquisa ALMANAQUE CRUZALMENSE)

JOEL DE ALMEIDA, UM CINEASTA CRUZALMENSE

Você sabia que um dos mais importantes cineastas baianos é cruzalmense?

Sim, estamos falando de Joel de Almeida, que tem uma longa trajetória com o cinema baiano.

Nascido na cidade de Cruz das Almas, em 1954, Joel é Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal da Bahia, com especialidade em História Social e Política do Brasil com o trabalho “Roberto Pires e o Ciclo de Cinema da Bahia”; e especialista em História Social e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, com o trabalho de pesquisa intitulado “O Ator Negro no Contexto do Ciclo Baiano de Cinema” pela Faculdade da Cidade do Salvador.

“Desde 1979, ano em que ingressei na Universidade Federal da Bahia como estudante, estabeleci uma espécie de interdependência entre a História e o Audiovisual. Enquanto estava no curso, também me dediquei a diversas atividades da cultura cinematográfica. Virei um cineclubista. Exibimos filmes do movimento do Cinema Novo Brasileiro, dos movimentos do Neorrealismo italiano, Nouvelle Vague francês e o Novo Cinema Alemão, este último, apoiado pela cinemateca do Instituto Cultural Brasil-Alemanha [ICBA] em Salvador, conta Joel.

O cineclube ficava localizado no Restaurante Universitário da UFBa, onde funciona até hoje a Residência Universitária 1, no Corredor da Vitória. “Foi uma das minhas escolas e durou um pouco mais de 3 anos. O cineclubismo no período da abertura política no Brasil foi um movimento vigoroso, uma metodologia de conscientização política que alimentava as organizações sociais e trabalhávamos em defesa da reconstrução da democracia”, declara o cineasta.

Joel também acompanhou e participou durante todos esses anos em Salvador, de um dos festivais de cinema mais antigos e importantes do Brasil, a Jornada Internacional de Cinema da Bahia, que acontecia anualmente nos meses de setembro. A primeira edição ocorreu em 1972, e a última em 2011, coordenada pelo professor da UFBA e cineasta Guido Araújo.

E entre os anos de 2002/2012, vivenciou uma experiência como curador juntamente com o fotógrafo Lúcio Mendes, do projeto Quartas Baianas, que exibiu filmes baianos no mais antigo e tradicional cinema de arte da Bahia, a Sala Walter da Silveira.

Produção cinematográfica

Dentre os filmes em destaque de sua extensa filmografia, está o de 1994/98 Penitência, curta integrante do longa metragem Os Sete Sacramentos de Canudos, filme produzido pela ZDF Canal 2 de Televisão da Alemanha e ART, TV francesa.

Penitência foi vencedor do prêmio de Melhor Vídeo e Melhor Direção no VIII Cine Ceará; Melhor Vídeo do Festival dos Festivais no III Festival de Curitiba; Melhor Direção no III Vídeo Terra de Brasília; Prêmio Quanta e Melhor Produção Baiana (Prêmio Diomedes Gramacho) na XXV Jornada Internacional do Cinema e Vídeo da Bahia; além da Menção Honrosa na Mostra do Filme Livre 2005.

Em 2010, foi um dos curadores da seleção de filmes que compôs o Box em homenagem ao Centenário de Cinema Baiano lançado pela Secretaria de Cultura do Estado em parceria com a Cinemateca do Ministério da Cultura.

Já em 2013, lançou o filme Cuíca de Santo Amaro, êle o tal, documentário de longa-metragem, em parceria com Josias Pires, resultado do Prêmio Nacional promovido pela PETROBRAS 2006, e que mostra a vida e a obra do grande trovador popular baiano José Gomes, o Cuíca de Santo Amaro. O filme passou por diversos festivais no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Luanda (Angola), Ilhéus, Cachoeira, e ainda teve exibição em Universidades e Escolas do segundo grau em 35 cidades do interior baiano.

Joel de Almeida ainda foi realizador dos filmes Vento Leste (2010), ganhador do Tatu de Ouro na XXXIX Jornada Intenacional de Cinema da Bahia; Penitentes do Médio São Francisco (2003), Hansen Bahia (2003), Calunbis, Pífanos e Zabumbas (2002), Resistência do Sonho 1 (em 1996) e 2 (em 2001), e Preto no Branco (1999).

Em 2019 iniciaram as filmagens do novo documentário de longa-metragem Maré Vazante. O filme está em produção e é patrocinado pela Ancine e Irdeb, com produção da Caranguejeiras Filmes, sobre a memória dos mestres saveiristas da Baía de Todos os Santos e suas clássicas embarcações.

Valorização da cultura e da arte

Sobre a sua atuação na valorização do audiovisual, Joel Almeida revela: “Venho militando como quadro em diretorias ou associado, em todas entidades de classe que foram criadas como instrumento de defesa e ações do audiovisual na Bahia por todas essas décadas. Em paralelo, venho trabalhando também como pesquisador e professor de história. O que consegui realizar até agora como cineasta, está diretamente relacionado a minha vida com a militância, com a Academia, e sempre em defesa da memória, da Justiça Social, dos Direitos Humanos, da valorização da cultura e da arte como algo que nos distingue e nos engrandece como ser civilizado”, finaliza o cineasta.

Foto: Arquivo Pessoal no Facebook

Fonte: http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/2020/07/14339/PerfilDasArtes-Com-uma-filmografia-extensa-Joel-Almeida-une-a-Historia-e-a-Educacao-ao-Audiovisual.html