A PROCISSÃO DO CEAT

O Colégio Alberto Tôrres desde sua fundação manteve estreita ligação com a Igreja Católica da cidade, que tem como padroeira Nossa Senhora do Bom Sucesso. As novenas marianas do mês de maio contavam com a presença obrigatória de todos os estudantes, que, independente de vinculações com outras religiões ou de não professar nenhuma religião, tinham que ser fazer presentes.
No dia 13 de maio, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, padroeira do Colégio, era levada em procissão para a Igreja Matriz. A imagem de Nossa Senhora de Fátima reside há décadas no pátio da escola que, em diversas ocasiões foi transformado em templo católico, acolhendo celebrações católicas. “O que poderei dizer-te, Excelsa Rainha e Senhora, nesta mensagem que Te dirijo em nome do Ginásio “Alberto Torres”, ao receber-Te triunfalmente na peregrinação que realizas pelos bairros dessa cidade que Te recebem cantando hinos em Teu louvor” escreve Clodoaldo Gomes da Costa em Poeira da Gleba sobre a procissão que acontece desde a fundação da escola em 1948 e se manteve até a década de 90.

(FONTE: RAFAEL DE JESUS SOUZA. RITOS, VULTOS E SÍMBOLOS: A EDUCAÇÃO PARA O CIVISMO NO COLÉGIO ALBERTO TORRES EM CRUZ DAS ALMAS, BA (1948-1985. SALVADOR 2019)

A FONTE DA SAPUCAIA

Fonte da Nação

Você já ouviu falar da Fonte da Nação? Ela fica localizada na Sapucaia e é muito conhecida na comunidade pelo seu grande valor histórico e sentimental. Contam os moradores dali que, há bem mais de 60 anos, a Fonte da Nação era muito frequentada pela população, que a usava para lavar roupa (inclusive “de ganho”), para tomar banho e até para o abastecimento de água potável. Dizem que na rua em frente formava-se uma enorme fila de pessoas com latas, aguardando a vez de pegar água. A fonte era um ponto de referência social e econômica muito importante para as pessoas ali. Temos o registro de que o Prefeito Waltercio Fonseca, durante a sua gestão nos anos de 64 a 67, construiu no lugar uma estrutura para abrigar as pessoas que frequentavam a fonte. Passados alguns anos, mais recentemente, durante muito tempo ela ficou abandonada e sem manutenção, o que era uma tristeza para a comunidade.
Mas agora, em 2020, graças a sensibilidade do Prefeito Orlandinho, a Fonte da Nação foi recuperada, o que causou uma feliz comoção aos moradores da localidade, pelo resgate daquela que orgulhosamente faz parte da história da Sapucaia: a Fonte da Nação.

O ANTIGO CORETO

Alguém tem informação sobre este coreto que ficava na praça em frente da Prefeitura? Quem construiu? Em que ano? Quem desmanchou e o porquê?

Contou-nos Rei Cônsul que na reforma da praça Senador Temístocles, o prefeito Dr Fonseca achou melhor desmanchar este coreto. Na verdade, o coreto que existe hoje era chamado de Bangalô; mas, de uns anos pra cá, passaram a chamá-lo erroneamente de coreto.

Guto Matias lembra que tocou neste coreto, junto com Os Rebeldes, lá por volta de 1968.

Já Carlos Alberto Passos, o Marreta, contou-nos que “Dr. Fonsequinha, oficial da reserva na época, foi interventor militar aqui na cidade, e a primeira atitude foi derrubar o prédio. A razão é que esse coreto era usado para comício de oposiçao a ele, enquanto o outro continua lá fincado, onde seu grupo político atuava. O coreto era cercado de areia…”.

OS INDÍGENAS E O FUMO

Praça Geraldo Suerdieck
Monumento ao Fumo

Sabia que, diferente do que muitos possam imaginar, foram os indígenas apresentaram aos europeus o hábito de fumar?
Com o uso regular em contextos rituais e sociais, o tabaco e outras plantas eram apreciadas justamente por seus efeitos fisiológicos e por alterarem o nível de consciência, o que permitia aos índios entrarem em estado propício às buscas espirituais, em suas práticas religiosas, do mesmo modo como utilizavam para se prepararem para as lutas entre tribos.

Quando os exploradores europeus chegaram à América, os diversos nativos já tinham longa tradição de mascar ou aspirar tabaco, algumas vezes associados a outras plantas psicotrópicas. Aliás, a expressão “fumar” só surgiu depois de 1500, inventado pelo homem branco; os nativos falavam “beber o fumo”, ou seja: sorver a fumaça.

O tabaco foi levado à Europa pelos companheiros de Cristóvão Colombo. Em 1560, Jean Nicot, embaixador de Portugal na França, atribuiu à planta poderes medicinais (vem daí o nome do seu princípio ativo, a nicotina). Mas bem antes disso, fumar tabaco já tinha virado hábito entre marinheiros e soldados europeus. No século XVII, os ingleses começaram a lucrar com o fumo do tabaco. Além de soldados e marinheiros, a substância encontrou consumidores entre intelectuais e artistas, em forma de charutos ou de tabaco para cachimbos: eram escritores, poetas e pintores que, por esse meio, queriam contestar os rígidos costumes da época. Entraram em cena inclusive algumas mulheres, que fundaram na Inglaterra a Ordem da Tabaqueira.

Isto mesmo… aqui, os primeiros a cultivarem o tabaco foram os povos nativos. Inclusive, em nossa região, muito bem antes da chegada dos Suerdieck, já existia o plantio do fumo, que chegou a ser considerada uma “cultura de pobre”, porque só negros e indígenas é que cultivavam.

Só mais tarde é que veio a valorização do produto e o desenvolvimento da cultura e, posteriormente, da indústria fumageira.

O termo tabaco acabou denominando todos os produtos derivados das folhas de fumo utilizados na forma de charutos, rapé, cachimbo, tabaco para mascar, narguilé e os cigarros industrializados.

(FONTE: “A História do Tabaco” de Alberto José de Araújo)

CIZINIO CINTRA

CURIOSIDADE
Você sabia que Cizínio Cintra, músico cruzalmense que foi um dos fundadores da Sociedade Filarmônica Euterpe Cruzalmense e, também, da Filarmônica Lira Guarany, era bisavô do cantor Rogério Lima?

Segundo relato do próprio Rogério Lima:

“Fico triste pelo esquecimento da pessoa dele pela história de Cruz das Almas. Meu bisavô foi o precursor da música aqui na cidade, sendo fundador da Euterpe Cruzalmense, se desentendendo com os grandes da época, fundou na sala de casa a Filarmônica Lira Guarany com 6 músicos travando uma batalha musical no coreto onde o prefeito e o padre tiveram de intervir já ao amanhecer… Morreu jovem aos 50 anos pobre, endividado e esquecido…O pouco que tinha, foi tomado para saudar dívidas…E a sua esposa (minha bisavó), ficou “literalmente” , no meio da rua…Vindo morar no Tabuleiro da vitória ( hoje Rua Lauro Passos) , na casa onde moro…Que era uma rancharia de ciganos…E teve de ir pra Cachoeira pedir esmolas para comprar essa casa…Essas histórias minha avó me contava…Mas sem mágoas, ela dizia que ele era um Cabo Verde, baixinho e disposto, andava alinhado com terno de linho engomado e chapéu. Excelente pai, namorador mas nunca dormiu fora de casa! Que sua memória um dia seja homenageada! Obrigado Almanaque pelo carinho e resgate!”