O CLUBE DAS MÃES

O Clube das Mães funcionava na Sociedade dos Artistas

O CLUBE DAS MÃES era uma associação beneficente fundada pela operária da industria do fumo Maria Joaquina e em parceria com amigas operárias e amigos operários que estavam na ativa, a exemplo de Maria Conceição (Lozinha), Maria Benedita, Marieta Costa então presidente do sindicato, Maria Helena Rodrigues, Hélio Pitanga e alguns estudantes da Escola de Agronomia que admiravam a sua luta e coragem. Esse foi um período conturbado na década de 1960. Nasce aí o primeiro movimento social de mulheres na cidade de Cruz das Almas. A implantação da associação trouxe benefícios para várias mulheres, que juntas conseguiram máquinas para os cursos de corte e costura, datilografia, as aulas aconteciam na Sociedade Euterpe Filarmônica.
Além disso, eram doados às mães pobres, gêneros alimentícios como leite, arroz e feijão. Vale lembrar que elas tanto doavam como também recebiam doações.

A IGREJA DA EMBIRA

Falando de fatos da história cruzalmense – e por extensão da história baiana – o escritor Luciano Passos não deixa passar a oportunidade de recriá-los através da sua maravilhosa produção literária. É o caso do excerto do livro Cruz das Almas, estrela guia e lençol perpétuo (1995), de onde se pode constatar a referência à Igreja da Embira, com características barrocas e imagens sacras de grande valor histórico, considerada a primeira igreja da cidade (portanto, mais antiga que a atual Catedral) e uma das mais antigas da região, construída em uma expedição de missionários jesuítas, entre os séculos XVIII-XIX pelos índios da tribo Cariri e da tribo Sabujá – população extinta que habitava esta região.

“Como se chamam os indios Cariris e os Sabujás que plantam as capelas que o evangelho dos jesuitas lhes ordena? E quem são esses sacerdotes? Os índios dizimados não deixam rastros. E os missionários esquecem a igreja da Embira, um marco sem marcas, perdido nos abismos da lembrança.”

Infelizmente, já não resta nada da arquitetura original; a igreja da Embira (Igreja de Nossa Senhora da Conceição) passou por 3 grandes reformas, ampliação e acabou sendo totalmente modificada. Porém, do patrimônio, os moradores mais antigos relatam que ainda há imagens sacras de grande porte e valor, mas que foram retiradas do seu local sob o pretexto de serem restauradas. Contam ainda que na localidade havia um antigo cemitério; até os anos 60 se podia ver ainda.

(FONTES: CONCEIÇÃO, Rosimeire de Jesus. Memórias Líricas do Recôncavo. 2015; Relatos Orais de moradores da Embira; Notas do Editor)

O SALÃO DA SUERDIECK

Ouviu o apito das fábricas. Onze e meia. O prédio surgiu como um gigante rasteiro saindo das cinzas. Lá dentro o mutismo dos movimentos. Mulheres esculturando formas marrons. Rostos de madonas, olhos de tigresas, dedos ágeis de aranhas. (…) Os charutos ninados em seus regaços mulatos cruzavam oceanos e bailavam em lábios soberanos.

FONTE: PASSOS. Luciano – Santa Cruz dos Laranjais, 1995.

FOTO: A EPOPÉIA DO GIGANTE – A História da Suerdieck.