PROF. GERALDO

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A figura a quem dirigimos a nossa homenagem sempre lecionou matemática no velho e bom CEAT (hoje CETEP). Na verdade, conheci o professor Antonio Geraldo, de matemática, ainda no ginásio, quando o mesmo detinha a posse de um lindo fusca, novinho em folha, cor vermelho nobre. Estudávamos no prédio principal e da altura da sua escada de entrada tínhamos uma vista muito boa daquela generosa área. Pois, era dali mesmo que contemplávamos o lindo automóvel do professor Geraldo, que ficava estacionado, majestoso, sobre o gramado ao lado direito daquele prédio, também imponente. Isso era nos idos de 1975, quando o fusca era a última palavra em tecnologia automobilística. Significa dizer que o nobre mestre andava na moda, embora fosse uma pessoa extremamente simples e de bom trato. Curiosamente, o professor Geraldo não deixava qualquer poeirinha achar assento naquela reluzente pintura vermelha. Era realmente um belíssimo carro. Nunca testemunhei, mas dizem que ele, entre uma aula e outra, se dirigia até o carro pra ver se estava tudo bem, aproveitando para passar a flanela nas laterais daquela última conquista material do competente professor. Excelente professor, não fazia terrorismo em sala de aula nem qualquer outra pressão. Era solidário, amigo, compreensivo e, neste embalo, fazia a diferença e cumpria sua nobre missão. Vejam que, embora fosse uma matéria pouco simpática ao estudante, a matemática era melhor digerida na forma como era ministrada pelo eterno mestre. Ministrava com didática adequada à clientela, comentava coisas engraçadas sem perder o controle da turma, mas mantendo a disciplina da classe. Ao final da aula, o professor Geraldo papeava com alguns alunos que o seguiam pelo corredor daquele prédio, encurtando a distância entre eles. Assim, deixava os alunos à vontade, mas com o cuidado de mantê-los sob controle, ministrando os conteúdos com reconhecida competência e maestria. Incansável em ajudar , nunca gozou uma licença prêmio. Nosso homenageado, de tão popular e querido que era, foi eleito Vereador de Cruz das almas na década de 1980, desenvolvendo a função com seriedade e respeito ao Município. Parte dos seus filhos seguiu a carreira do pai, numa inequívoca demonstração de que a arte de ensinar ainda vale a pena. Tales Miler, o filho mais velho, é professor da UFRB, tendo sido, inclusive, Coordenador da Pós-graduação. Taliane, a segunda, está se doutorando em engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Bem, talvez nem ele mesmo tenha a real dimensão de sua importância no contexto educacional cruz-almense, pois o valor do professor vai além da avaliação de dentro da sala de aula. A sociedade está a observar a sua conduta também no dia a dia, nas questões familiares, honestidade etc. Por isso, sem sombra de dúvida, acreditamos que o professor Antonio Geraldo foi aprovado, na sua caminhada com Distinção e Louvor, servindo de exemplo a tantos quantos testemunharam seu feito, professores ou não, de como fazer o melhor, dentro e fora das salas de aula. Cruz das Almas agradece.

(Crônica VIII da Série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes)

O PIONEIRO DA LARANJA-BAHIA EM CRUZ DAS ALMAS

CEL. J.B DA FONSECA

Segundo Orlando Sampaio Passos, foi a partir da laranja-bahia que a citricultura se expandiu no estado, no Brasil e no Mundo. Em 1873, aproveitando os serviços diplomáticos norte-americanos instalados no Brasil, os técnicos em citricultura de Riverside, na Califórnia, receberam três mudas de laranja-bahia (ou de umbigo), do bairro do Cabula, em Salvador. Delas saíram as mudas que, posteriormente, se espalharam pelos EUA e outras partes do mundo.
Em Cruz das Almas, segundo Mário Pinto da Cunha, o Coronel José Batista da Fonseca, o Cazuzinha, foi pioneiro, juntamente com o Major Alberto Passos, da cultura da laranja no planalto cruzalmense. “Cada um deles comprou 90 mudas, adquiridas em Salvador, possivelmente no Cabula”.

CLUBE DE CAMPO LARANJEIRA

Você sabia que o Clube de Campo Laranjeira, foi idealizado por um grupo de amigos empresários, comerciantes e profissionais autônomos bem sucedidos de Cruz das Almas que se juntaram para buscar apoio para a sua construção?

Fundado no início da década de 70, mas as tratativas para sua criação começaram em 1968 com Dr. Orlando Passos (IPEAL). Originalmente, o Clube de Campo Laranjeira foi criado para ser um espaço amplo, adequado e de alto nível, que possibilitasse a seus membros a oportunidade de participarem de atividades sociais como reuniões, banquetes, bailes e praticarem esportes, como futebol, futebol de salão, voleibol, basquete, natação, etc.
O destaque do clube, além de sua belíssima arquitetura, da área verde e das suas piscinas, era o grande lago, com uma ilhota construída artificialmente, que faz parte do complexo.

Os primeiros sócios, fundadores portanto, foram Dr. Orlando Passos, Dr. Orlando Peixoto, Dr. Hermes Peixoto, Tonhe Dória, Tonhe de Irineu, Dr. Plínio, Dr. Álvaro, entre outros. Atualmente, o clube está interditado por conta de muitas dívidas tributárias e trabalhistas.

Outra curiosidade é que o Clube de Campo Laranjeira foi projetado pelo renomado arquiteto feirense Amélio Amorim. Símbolo de arrojo e genialidade, o nome de Amélio Amorim ficou conhecido em todo o país pois o arquiteto realizou importantes projetos em várias cidades brasileiras.

AS MULHERES E O SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA INDÚSTRIA DO FUMO

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo de Cruz das Almas, uma entidade que tinha por finalidade representar os trabalhadores e as trabalhadoras da indústria fumageira de Cruz das Almas e também das cidades circunvizinhas como: Sapeaçu, Baixa de Palmeira, Castro Alves, São Felipe, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Muritiba entre outras. Fundado em 5 de julho de 1942 e reconhecido pelo decreto-lei n. 1402, de 5 de julho de 1949, tem sede própria inaugurada em 22/12/1968, sito a Travessa Cícero Nazareno n.º 57, Cruz das Almas-Ba, atualmente está denominado como Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo e Alimentos de Cruz das Almas – SINTIFA.
Como entidade representativa de um grupo majoritariamente formado por mulheres que, aliás, eram milhares delas, possuia em seus registros encontrados, datados a partir de 1949, apenas 63 mulheres fazendo parte da diretoria do sindicato e que, na sua grande maioria, ocupavam lugares de secretárias, suplentes conselhos fiscais e tesoureiras. Na sua presidência, durante estes vários anos, teve apenas as seguintes mulheres:

  • Marieta Costa Borges
  • Benedita Souza Salomão
  • Josenita Souza Salomão
  • Joseane Pereira

(FONTE: MULHERES NEGRAS E PODER NA INDÚSTRIA FUMAGEIRA de Luzia Souza Ferreira e Elizabete Rodrigues da Silva in Textura, FAMAM.Governador Mangabeira-BA, v. 6, n. 11, p. 27-29, jan./jun., 2013).