O GOLPE DE 64 EM CRUZ DAS ALMAS

O golpe civil-militar de março de 1964 instaurou no Brasil o regime ditatorial, marcado pela repressão política e ausência de liberdade. Como em todo o país, Cruz das Almas também experimentou os efeitos deste golpe, com intensas ações repressivas e conseqüentemente articulados movimentos de resistência. Por abrigar uma instituição de ensino superior, na época Escola de Agronomia, Cruz das Almas permaneceu na mira dos militares durante todo o regime. Visando compreender tal contexto, o presente estudo objetivou conhecer a dinâmica constitutiva da ditadura militar na cidade de Cruz das Almas, a partir das marcas que se revelam nos testemunhos de seus habitantes, nas suas histórias de vida, memórias e narrativas, que compõe o imaginário individual e coletivo. Muitos moradores tiveram participação ativa, (contra ou a favor) no processo ditatorial em Cruz das Almas.

A noite do golpe, na madrugada de 31 de março para 01 de abril de 1964, foi de intensas movimentações na cidade. Após as movimentações da noite anterior, muitas pessoas que se julgavam com idéias comunistas, buscaram refúgio em locais distantes da cidade.


Segundo Mário Pinto da Cunha, “Aconteceu, então, a debandada, tragi-comédia iniciada na noite de 31 de março, com lances dramáticos, fugas e correrias desatinadas, em busca de refúgio e salvaguarda, daqueles que, de qualquer forma, julgavam ter ligação ou idéias subversivas”.


A partir desse momento, Cruz das Almas vai passar a conhecer alguns modos de repressão inerentes aos governos autoritários, na tentativa de manter sob controle a situação política da sociedade brasileira.
Em Cruz das Almas esses mecanismos são utilizados para substituir o prefeito Jorge Guerra eleito em 1962 pela coligação PSD/PTB. A oposição comandada pela UDN na Câmara de Vereadores e obedecendo as ordens militares, concentraram força para tirar do
poder o prefeito Jorge Guerra.
As fontes oficiais que trazem a saída do prefeito Jorge Guerra omitem alguns fatos relacionados aos acontecimentos da época, entretanto, narrativas de residentes que vivenciaram este momento, dão conta de ter sido este uma ato resultante de repressão do
regime autoritário no plano local, como se vê no seguimento deste capítulo. Segundo dados oficiais encontrados na ata da Câmara de Vereadores do dia 15 de abril de 1964, o prefeito Jorge Guerra renuncia de forma pacífica ao mandato, assinando o seguinte texto, “por minha exclusiva conveniência pessoal renuncio o cargo de prefeito deste município. Orgulho – me dos meus amigos. Ao povo que me elegeu a minha gratidão”. Mario Pinto da Cunha também apresenta a renúncia do prefeito de forma pacífica, “assim, pressionado, mas compreensivo, procurando evitar atritos e implicações estéreis, o Sr. Jorge Guerra renunciou”.
Mas o que a memória de alguns moradores da cidade na época revela, é que a mudança no poder cruzalmense não aconteceu de forma tão pacífica, posto que, para entregar o cargo, além de ir preso, os militares obrigaram Jorge Guerra a assinar sua própria renúncia.


Segundo o Sr. Erasmo Elias (músico da Filarmônica Euterpe Cruzalmense) “no dia 31 de março de 64, teve o encerramento de tudo, fizeram a comemoração, me lembro que as pessoas foram presas, o prefeito mesmo, Jorge Guerra, foi cassado o mandato dele, ele ficou lá no Tiro de Guerra preso”, esse acontecimento também é citado por Claudio Pinto em seu livro “O Emaranhado Marco da Minha Existência” : “Lembro-me bem, era eu vereador na época, que ele ao ser forçado por um sargento, a renunciar, ainda que preso no Tiro de Guerra local, ele reagia ao tom de não”(2005, p. 35).

Baseado nesta perspectiva, a história oficial da cidade mostra que no dia 15 de maio de 1964, o prefeito Jorge Guerra renunciou o mandato. Dessa forma, a cidade caminhava junto ao regime militar, era necessária uma pessoa de confiança para assumir o cargo de prefeito da cidade e logo foi indicado o nome do Sr.Waltércio Fonsêca, que era Tenente da Reserva do Exército e em 1959 tinha doado um terreno para a construção do quartel do TG-06/004 (Tiro de Guerra) (CUNHA, 1983).


Além da renúncia obrigatória do prefeito Jorge Guerra, também foram cassados o vereador e o suplente Mario Santos e Hélio Pitanga, por uma ação conjunta dos demais vereadores que “apresentaram um requerimento solicitando a suspensão dos vereadores e suplentes comprovadamente comunistas” (Ata da Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, 14/05/1964).

(FONTE: COSTA. Sameque Sabrina das Neves, em “Cidade Revelada: Repressão e Resistência a Ditadura Militar em Cruz das Almas – BA/ 1964 a 1974”. MONOGRAFIA. FAMAM. 2009.)

O CURRAL DO CONSELHO

Conta-nos Rei Cônsul, em um de seus livretos de causos, que havia no centro da cidade um curral do conselho, que depois passou a ser conhecido como curral da Prefeitura e que ficava localizado próximo a caixa d’água, por ali onde atualmente está o prédio do Fórum.

Muitos cruzalmenses ainda lembram que até por volta da década de 70, mulas, cavalos e jegues eram os principais meios de transporte utilizado pelas pessoas que vinham de longa distância à feira livre, tanto para comprar quanto para vender.

E, para organizar essa grande circulação de animais no centro da cidade, é que foram criados os chamados currais do conselho, em que uma taxa de manutenção era cobrada ao proprietário do animal para que este ficasse guardado lá enquanto o seu dono estivesse na feira.

PASTOR JOSIAS, UMA PERSONALIDADE CRUZALMENSE

Desde 18 de março de 1984, a Primeira Igreja Batista em Cruz das Almas é pastoreada pelo pernambucano Josias Aureliano da Silva: Pastor Evangélico, Psicanalista Clínico, Professor de Teologia, Especialista em Ciências da Religião, Filosofia e Psicanálise. Também é Especialista em Gênero e Sexualidade.

O Pastor Josias, como é conhecido não só na igreja mas por todos na cidade, ao longo desses mais de 30 anos de ministério, tem se dedicado integralmente a difusão e prática da Palavra de Deus através da evangelização.

Referência no município de Cruz das Almas e municípios circunvizinhos, a Primeira Igreja Batista, através de seus Ministérios, organizações e congregações, tem se comprometido com a missão integral da Igreja, que é o de buscar o desenvolvimento dos valores do Reino de Deus através da manifestação do amor e da justiça, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário.

(FONTE: https://www.linkedin.com/in/josiasruth )

CARGOS E FUNÇÕES NA FÁBRICA SUERDIECK EM CRUZ DAS ALMAS

A extinta Fábrica de Charutos Suerdieck deixou um acervo de fichas que contêm informações bem interessantes sobre os trabalhadores e trabalhadoras daquela unidade. Um ponto de destaque é com referência aos cargos e funções que esses homens e mulheres exerciam dentro da fábrica. Aparecem nas fichas uma variedade de ocupações, sendo que algumas tinham um maior número de trabalhadores que outras. O cargo/função com maior quantidade era o de charuteira, talvez porque o maior número de funcionários da fábrica tenha sido de mulheres e o trabalho de “enrolar” (manusear) os charutos era uma exclusividade das mulheres.
Algumas outras ocupações encontradas nas fichas:

  • aneladeira
  • trouxeira
  • distaladeira
  • ferração
  • torcida
  • cigarreira
  • quebragem
  • servente
  • carpinteiro
  • balanceiro
  • mudança de caixa
  • banqueiro
  • escolhedor
  • empapeladeira
  • quebra–fardos
  • ajudante–mestre
  • passadeira
  • embalagem
  • capoteiro
  • ajudante de enfermagem
  • banca de capa.

Assim, para cada etapa de elaboração do charuto, havia um tipo de ocupação responsável. (…)

(FONTE: A FÁBRICA DE CHARUTOS SUERDIECK NO RECÔNCAVO BAIANO:MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE TRABALHADORES NA DÉCADA DE 1935 a 1950. PRISCILLA DA SILVA ELOY. UFRB. 2016.)

A FÁBRICA DA SUERDIECK EM CRUZ DAS ALMAS E A SEGUNDA GRANDE GUERRA MUNDIAL.

A fábrica Suerdieck passou por um período de precariedade durante o período da Segunda Guerra Mundial, que ocorreu de 1939 a 1945. Havia uma terrível crise econômica entre os países envolvidos e, nesse momento de turbulência, ninguém era contratado para trabalhar e não chegava também matéria prima da Alemanha aqui para o Brasil e nem era exportado o nosso produto daqui para lá. (…)

Após o término da guerra, as coisas começaram a normalizar. Conta-se que nessa época, muitas mulheres foram chamadas em casa, sendo também contratadas muitas menores de idade, ainda sem certidão de nascimento, que tinham suas idades aumentadas, para poderem trabalhar.

(FONTE: A FÁBRICA DE CHARUTOS SUERDIECK NO RECÔNCAVO BAIANO:MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE TRABALHADORES NA DÉCADA DE 1935 a 1950. PRISCILLA DA SILVA ELOY. UFRB. 2016.)

RUA DA ESTAÇÃO

Sabia que, no período de 1935 a 1950, a rua da Estação ou Ruy Barbosa era uma das principais ruas daquele período, pois ela era caminho para a Estação Ferroviária (Pombal), sendo também a principal via de acesso à cidade, de entrada de mercadorias e movimentação de pessoas. Talvez por esses motivos tenha concentrado maior número de moradores que eram funcionários da Suerdieck, já que também era uma das principais ruas de acesso à fábrica.