OS EUCALIPTOS DA ESCOLA DE AGRONOMIA

Quem hoje passa ali pela estrada asfaltada que leva à UFRB, lugar aprazível para a prática de atividades físicas, não imagina que nem sempre foi assim. O caminho era de terra batida, muito enlameado no período chuvoso, com enormes poças d’água, causando um transtorno enorme aos transeuntes que estavam a pé ou de bicicleta e tomavam um banho de lama dos carros que passavam em alta velocidade. Mas uma coisa sempre foi destaque naquele lugar: os bosques de eucaliptos nas laterais da estrada. Quem nunca, ao andar por ali de manhã cedo ou no final da tarde, respirou fundo e encheu o peito com o ar perfumado dos eucaliptos?  Alguns até recolhem algumas folhas para esmagar nas mãos e sentir o refrescante cheiro característico da planta.
Sabia que houve uma época, que era assustador passar por ali sozinho e, à noite, nem pensar! O lugar era tido como um perigoso esconderijo de “tarados, bandidos ou maconheiros sem-vergonha”. Mas, atualmente, o lugar é seguro e não mais causa essa má impressão.
Os bosques de eucaliptos, na verdade, são resultados de experimentos da antiga EAUFBA. O da esquerda foi plantado desde o início da década de 60 e o da direita, bem depois, pelo biólogo Paulo César.
Este, definitivamente, também é um lugar cruzalmense.

A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA POMBAL

A Estação Ferroviária Pombal, localizada em Cruz das Almas, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, que teve a pedra fundamental colocada em 1880, pelo Senador do Império o Barão de Cotegipe; e inaugurada em 1881, pelo Presidente da Província da Bahia, Conselheiro João Lustoza Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá. O engenheiro civil chefe foi o empreiteiro inglês Hugh Wilson, acionista administrador da Brazilian Imperial Central Bahia Railway Company Limited, concessionária da Estrada de Ferro Central da Bahia.

(Foto da placa: acervo Luciano Fraga Fraga )

AS BANDEIRANTES E OS ESCOTEIROS

VOCÊ SABIA QUE…
Em Cruz das Almas, em 1951 o Movimento Bandeirante, formado só por garotas, antecedeu o Grupo de Escoteiros, criado em 1953, formado majoritariamente por garotos?

(FONTES: JORNAL NOSSA TERRA (1955/1956); HISTÓRIA DE CRUZ DAS ALMAS de MÁRIO PINTO DA CUNHA (1959)

FAZENDA SANTA JÚLIA

A Fazenda Santa Júlia, de propriedade de Dr. Luiz Eloy Passos, era uma grande fazenda onde se plantava laranja, em Cruz das Almas.

Mas, no ano de 1941, com a guerra na Europa, a importação de trigo foi suspensa e passou-se a produzir por aqui fécula de mandioca para fazer pão. Dessa forma, Dr. Luiz Eloy Passos, um visionário e grande empresário, inaugurou na Fazenda Santa Júlia um moinho de mandioca, que beneficiava não só a produção do novo cultivo da própria fazenda, mas também a mandioca adquirida de pequenos produtores da região.

Na foto, Dr Luiz Eloy Passos e Dona Clarice, Jorge Almeida e Dona Detinha, Crisogno Fernandes, no centro Padre Edézio (da paróquia de Afonso Pena, atual Conceição do Almeda), entre outras pessoas não identificadas…

A LENDA DO SABOROSO LICOR DE JENIPAPO DE CRUZ DAS ALMAS

Contaram-me certa vez que, há muito tempo, quando ainda se plantava cana-de-açúcar nas terras de Cruz das Almas, havia lá pelas bandas do Cadete uma grande fazenda onde morava uma jovem senhora casada com o senhor daquele  engenho.

Certa vez, depois de perder o apreço do seu  marido pois o mesmo havia se engraçado com uma jovem escrava, sentiu-se tão mal a ponto de decidir dar cabo à própria vida. Resolveu envenenar-se. Lembrou-se então de um líquido resultante de uns jenipapos passados de maduros que ficavam jogados num velho barril com resto de aguardente lá no celeiro. Botou um tanto numa pequena taça de cristal, misturou com melaço e bebeu. Mas, depois de ingerir a tal beberagem, em vez de morrer, ela notou que seu humor havia era melhorado. Tanto e, tão imediato, que a mulher sentiu foi uma imensa a alegria de viver.

Com o passar dos dias, então, retomou o gosto pelas festas e até reconquistou a atenção do marido na intimidade do casal, fazendo-o esquecer totalmente da amante. Em agradecimento, a senhora doou 10 litros daquele licor para o leilão na quermesse de São João, o que foi um grande sucesso no arraiá junino. Depois disso, nunca mais faltou alegria e licor de jenipapo nas festas daquele lugar.

E dizem que, assim, foi descoberto este delicioso e poderoso elixir da felicidade.

Verdadeira ou não, a estória é boa!

(Texto revisto e corrigido, originalmente publicado na Revista Reflexos de Universos em abril de 2021)