CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS… PARTE III


“Esse mundo todo de gente é daqui da cidade; agora você não imagina quanta gente vem das cidades vizinhas para fazer a feira aqui. Olha prá o abrigo lá da praça e veja quem vai chegando; é o Baratinha, na sua conhecida Marinete vermelha cor do barro das estradas por onde ela rodopia. Vem trazendo de Cachoeira o pessoal que chegou pelo vapor da Baiana, vindo da Bahia e a rebarba de gente que ponga pulos caminhos em Muritiba, Mão Divina, Cabeças e pelas estradas afora, que dividem os matos em duas bandas por este mundão de terra, fazendo a gente chegar de um lugar a outro todo sujo e chocalhando.
Vem, também, gente de Sapé, de Afonso Pena…”

Renato Passos da Silva Pinto Filho.

O CARURU DE SETE MENINOS

Oferecer caruru de São Cosme e São Damião para 7 meninos é uma tradição, que infelizmente, tem se perdido com o tempo.

Sete garotos (algumas casas aceitavam meninas) sentados no chão e no meio um grande prato de barro com caruru, vatapá, galinha, feijão fradinho, feijão preto, banana frita, farofa de dendê, rapadura, pipoca, cana, abará, acarajé…

Primeiro, eram entoados cânticos para os santos gêmeos da igreja católica e ibêjis do candomblé.
Depois, era autorizada a comilança!

Sim, um (bom e inesquecível) momento de farra: os pequenos avançavam, metiam a mão no prato, muitas risadas, caras lambuzadas de caruru, era dendê nas paredes, nos cabelos…
E a disputa pelo pedaço de galinha? Era a parte mais cobiçada, sendo comum um querer tirar o pedaço da ave da boca do outro!

Dizia a tradição ainda que quem encontrasse um quiabo inteiro, no ano seguinte deveria oferecer um caruru dedicado aos santos.
Havia também a tradição de distribuir pelas ruas, queimados/balas/doces para os pequenos.
Mais do que uma farra, era uma festa! Salve, São Cosme e São Damião!

E você, essa experiência faz parte das suas lembranças de infância?

(Baseado no texto do Professor Adson Brito do Velho, Salvador,Bahia)

CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS…PARTE II

“E quanta gente vem dos povoados, fazendas e sítios distantes do centro da cidade: vem todo mundo que mora nas terras da Escola de Agronomia, vem toda gente da Chapadinha, da Serraria, desce gente da Matataúba, da Boa Vista, do Coqueirinho e Baseana; não fica ninguém no Campo Limpo, e o mesmo acontece em Batatan, Sapezinho, Conceição Velha e Caminhoá; lá vem chegando o povo de Poções, da Umbaubeira, do Araçá, da Boca da Mata e do Oitão; chega gente, e mais gente, e lá vem gente que não acaba mais; não sei como é que dá todo mundo aqui na praça. Chega o povo da Embira, da Santa Júlia, da Tapera, do São José, do Alegre, do Taboleiro da Miséria, da Laranjeira e da Taboca; tem gente que chega de caminhão da Sapucaia, de Oliveira, de Monte Alegre; muita gente do Oiteiro Redondo, do Capivari, do Mirante; do Bom Gosto e da Melancia, chegam desde a noite para se acomodarem cedo e se alojarem nos seus lugares; tem gente chegando montada em animais, em cima das carroças e dos carros de bois das Três Bocas, lá do Combê, do Tintureiro, da Tábua, da Tiririca e do Engenho.”

Renato Passos da Silva Pinto Filho

CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS… PARTE I


Notem os nomes de algumas localidades, entre as décadas de 40 e 50:

“Vem gente da rua Assembléia de Deus, do Beco do Futuca, da rua da Jurema, da rua do Sacopan, da rua do Hospital onde fica o Hospital Nossa Senhora do Bom Sucesso, da Mata do Casuzinha e da rua do Genipapo; vem mais gente da rua da Malva, da rua das Flores, da rua da Cadeia, da rua dos Poções, da rua da Casta Suzana, da rua do Anjo, da rua Santo Antonio, da rua da Vitória, da Baixinha da Vitória, do Pulo do Bode; vem todo mundo do Beco de Martiniano Gomes, da rua do Cemitério e onde fica o Cemitério, rua da Palmeira, da Praça da Bandeira, rua da Tabela, do Beco do Cinema, da rua do Joga Pinico, do Alto do Rolete, da rua Desidério Brandão que era o marido de Dona Amanda e pai de Alvaro Brandão; e lá vem mais gente da rua Cicero Nazareno, da rua Crisógno Fernandes pai de Maria Helena, da rua do Itapicuru, da rua da Estrada de Ferro e das outras ruas de cujo nome agora não me lembro.”

Texto de Renato Passos Silva Pinto Filho.

O JACARANDÁ DA PRAÇA DA MATRIZ

Sabia que o Jacarandá-da-Bahia, no jardim em frente a Catedral, foi plantado por alunos do CEAT no ano de 1952, para marcar o início da primavera daquele ano?

Antigamente a chegada da primavera era comemorada todos os anos em Cruz das Almas. A Semana da Primavera era um grabde e movimentado evento cultural promovido para estudantes do primário e do CEAT, com direito a lanche, plantio de mudas, bonitos desfiles com alegorias, jogos da primavera, eleição da Rainha da Primavera, etc.

O HOMEM QUE CRIAVA JIBÓIAS

Você, cruzalmense, conheceu ou já ouviu falar de Seo Láo, dono de uma pensão no Centro da cidade e que criava duas jibóias soltas dentro de casa? Segundo contam, ele dizia que eram para comer os ratos e que elas eram mansinhas. Inclusive, Seu Láo gostava de exibir-se saindo para passear com as cobras no pescoço. E aí… esta estória procede?

NOUTROS TEMPOS

“UM PASSEIO DE RECREIO À PITTORESCA FREGUEZIA DA CRUZ DAS ALMAS”, NO ANO DE 1888

Na edição de 3 de dezembro de 1888, o jornal cachoeirano “A ORDEM” publicou um comunicado, assinado pela “directoria” da “PHILHARMONICA EUTERPE COMMERCIAL MURITIBANOS”, acerca de “um passeio de recreio à pittoresca freguezia da Cruz das Almas”, a ser realizado no dia 8 do mês corrente, data da festa em homenagem à santa padroeira da “freguezia”.O deslocamento seria feito de trem, desde a estação de São Felix até a estação de Pombal, onde os “passeiantes” seriam recebidos e trasladados para a “freguezia”, utilizando-se animais e “carros”. Nesse traslado deve ter ocorrido algo, de fato, pitoresco, aos olhos de hoje. Os “carros” só poderiam ser aqueles puxados por bois, uma vez que, a primeira importação de um veículo motorizado para o Brasil (feita por Alberto Santos Dumont) só viria a ocorrer três anos depois, em 1891.

NOTA DO EDITOR: Observe-se que o artigo faz referência a uma Philarmonica 2 de Julho, pertencente à Freguesia anfitriã, ou seja, Cruz das Almas.

(FONTE: JOÃO NASCIMENTO in FACEBOOK / ALMANAQUE CRUZALMENSE)

O DIA DA FESTA DA PADROEIRA

VOCÊ SABIA QUE…
antigamente, a Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a Padroeira de Cruz das Almas, era celebrada anualmente no dia 08 de dezembro?

Uma das providências que se fez necessária para a criação da Diocese de Cruz das Almas foi a alteração da data da Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso; isto porque outras paróquias da nova Diocese, a exemplo de Sapeaçu, Governador Mangabeira e Cachoeira, também festejam Nossa Senhora em 08 de dezembro; optou-se, então que, a partir de 2010, celebração da festa da Mãe do Bom Sucesso seria no dia 15 de setembro. Para tanto, por tratar-se de um feriado municipal, foi sancionada a Lei Municipal N° 2109/2010 instituindo a mudança do feriado do dia da Padroeira.

Como se vê, tal alteração precisou ser feita em nome da unidade diocesana: não haveria como fazer a Festa da Padroeira da Diocese com a efetiva participação de todas as suas Paróquias, num dia em que muitas delas estariam também festejando a Virgem Maria em seus territórios.

(FONTE: https://www.diocesedecruzdasalmas.com.br/home )

SEIS ANOS DE TRABALHO E GRATIDÃO

Neste mês de setembro, há seis anos, eu tomava a iniciativa de criar o blog Almanaque Cruzalmense. Na época, quando ainda estava trabalhando em um município vizinho, tive a ideia de produzir um memorial digital contando a História daquele lugar e de seu povo. Daí pensei: por que não dispender este mesmo esforço de pesquisa para fazer um site sobre Cruz das Almas, com informações históricas e curiosas do meu município? E, sinceramente falando, foi uma decisão da qual nunca irei me arrepender. Foi através dessa decisão que eu dei início a esse maravilhoso projeto ao qual eu tenho tentado me dedicar e que cresce a cada dia.

Atualmente, o Almanaque Cruzalmense tem seu próprio site e está em várias outras plataformas digitais, como o Facebook, Instagram e Spotify.
Nosso grupo público, com um grande número de membros é muito acessado e visa preservar e compartilhar a Memória Afetiva de Cruz das Almas através de registros históricos, causos, fotografias, vídeos, áudios e depoimentos.
O site (www.almanaquecruzalmense.com) tem sido um excelente auxiliar de pesquisa para estudantes, professores e profissionais de Comunicação que precisam de informação sobre o Município.

Trata-se, no entanto, de um trabalho voluntário, sem nenhum aporte financeiro, não tem mídia paga, mas que demanda muitos custos para pesquisa e manutenção. Ainda assim, seguiremos adiante até quando for possível.

Idealizado, organizado e administrado por mim, Edisandro Barbosa Bingre, o Almanaque Cruzalmense proporcionou-me a outorga do Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara Municipal de Cruz das Almas, o que muito me honra e enche de felicidade.

Assim, nestes seis anos de trabalho árduo, só tenho uma palavra para definir tudo o que sinto agora: Gratidão 🙏🏻

UMA CIDADE VOCACIONADA À EDUCAÇÃO.

Sabia que até a metade do século passado a educação ainda era um privilégio das famílias abastadas que podiam pagar um professor particular ou uma escola católica para dar as primeiras letras aos seus filhos?

Cruz das Almas, no entanto, desde a sua emancipação administrativa, já demonstrava vir vocacionada a ter uma Educação de Excelência. O seu primeiro gestor, o Cônego Antônio da Silveira Franca, empossado no Cargo de Intendente da Villa no dia 1 de dezembro de 1897, preocupava-se com o fato de Cruz das Almas ter apenas seis escolas e poucos ainda eram os moradores que sabiam, ao menos, assinar o próprio nome. O acesso de todos, indistintamente, à Educação era a sua principal meta de governo. Empenhou-se então no combate ao analfabetismo.

Dizem que era um homem muito culto e um escritor primoroso, o Cônego Antônio da Silveira Franca pregava que “cada escola que abrirmos será mais um foco de luz que criamos, será mais um título de benemerência que conquistamos no presente e no futuro. (…) Cuidemos da instrução porque só a ignorância faz o homem abdicar do direito mais sagrado que tem, que é a liberdade de pensar e de fazer o que dita a consciência”.

Assim, o nosso primeiro prefeito, padre, foi um homem dedicado à luta contra o analfabetismo, direcionando os futuros dias do nosso Município a uma Educação de escol para todos.