29 DE JULHO NÃO É O COMEÇO DA HISTÓRIA

124 anos…
Parece bastante tempo, não é mesmo? Mas saiba que essa é apenas uma parte da sua História; nossa Cruz das Almas é bem mais antiga que isso…

Sim, não contaram para você na escola mas, bem antes, já existia por aqui uma civilização: a indígena, os nossos povos originais. E, antigamente também, lá no tempo do Império, Cruz das Almas já era um arraial provavelmente conhecido pelos tropeiros que por aqui passavam e paravam.

Prova disso é que de 1815 há o registro de quando ela foi elevada à condição de “Freguezia” por Permissão Real do Príncipe Dom João. Em 1817 ganhou Igreja Matriz, um marco para o lugar.

O “districto” continuou a crescer, em 1881 ganha linha de trem e estação, a Pombal. Demonstra também ter força política e, finalmente em 1897, emancipa-se de São Félix e é elevada à condição de “Villa”.

Tudo isso bem antes de 124 anos atrás!
Pois é, meu jovem… Cruz das Almas tem muito mais História pra contar!

A CASA SENHORIAL DO MAJOR ALBERTO PASSOS


Provavelmente, muitos sabem que no local onde está edificada a agência do Banco do Brasil em Cruz das Almas, fora, outrora, o endereço da casa senhorial do Major Alberto Veloso da Rocha Passos.
Renato Passos da Silva Pinto Filho, neto do Major Alberto Passos e autor do livro “Cruz das Almas dos meus bons tempos”, traz, no Capítulo I desta obra, uma descrição primorosa desta casa, intitulada “Apresentação da Casa Grande do meu Avô”. Na ilustração da capa do seu livro, aparece o portão de entrada, que ficava bem ao lado do Paço Municipal.
Esta casa viria a ser demolida, parece-me que no início da década de 1970 (corrija-me quem souber a data precisa), para, no mesmo local, ser edificada a atual agência do Banco do Brasil, que até então funcionava na Rua J. B. da Fonsêca.

(FONTE: João Nascimento in Facebook/Almanaque Cruzalmense)

MÁRIO PINTO DA CUNHA

Nascido em 2 de fevereiro de 1907, natural da cidade de São Francisco do Conde/Bahia. Filho de João Pinto Cunha e de dona Maria Carolina Freitas da Cunha, casou-se com a senhora Zulmira de Almeida Cunha com quem teve oito filhos: Nei, Almir. Haroldo, Getúlio, Mário Augusto, Rui, Luiz e Carolina. Era funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos e, por este motivo, veio morar em Cruz das Almas.

Depois de ter morado em diversas cidades do interior, radicou-se em Cruz das Almas e aqui foi Inspetor Federal do Ensino e Secretário Municipal. Participou do movimento literário desta cidade escrevendo uma coluna no jornal NOSSA TERRA. Também escreveu para o JORNAL DO CLUBE DE CAMPO LARANJEIRA, para o jornal O NACIONALISTA, foi Editor do JORNAL DO POVO e foi correspondente do jornal A TARDE de Salvador.

Escritor, um ótimo cronista, intelectual destacado e declarado admirador da cultura helênica. Escreveu os livros “História de Cruz das Almas”, “Aquarela de Cruz das Almas e, por último, o “Memorial de São Francisco do Conde”. Mário Pinto da Cunha faleceu em Cruz das Almas no dia 29 de abril de 1985.

(Fonte: SANTANA, Alino Matta. in Cruz das Almas Cultural. 2018. Graf.e Edit. Nova Civilização. MAGALHÃES, Cyro. in Facebook/Almanaque Cruzalmense. Foto: acervo de Reflexos de Universos, gentilmente cedida por Hermes Peixoto)

CRUZ DAS ALMAS: SUA CRIAÇÃO, A ORIGEM DE SEU NOME E SUAS VÁRIAS HISTÓRIAS.

O arraial de Cruz das Almas, então pertencente ao Município de São Félix, tornou-se vila há 124 anos, em 29 de julho de 1897. Graças a sua emancipação política, ou seja, ao seu desmembramento de São Félix, através da Lei Estadual 190 de 1897, obteve a sua independência administrativa, com o que, meses depois, já podia organizar a sua primeira eleição para ter Intendente e Conselheiros próprios.


Quanto ao nome do Município, para explicar a sua origem, duas versões foram contadas e que hoje já são de domínio do conhecimento popular cruzalmense: a primeira, inclusive tida como oficial, atribui o nome à existência de um cruzeiro na antiga estrada das tropas, cujos tropeiros a caminho de São Félix e Cachoeira, aqui paravam para se encontrar, descansar e, à noite, rezavam para as almas, pedindo a elas proteção durante a viagem. Em torno deste local, teriam sido construídas as primeiras casas “de brancos”, que então formaram o núcleo inicial do lugarejo.


Já uma outra versão, dá-nos conta de que alguns fundadores da vila, estes de origem européia, por homenagem ou saudosismo, teriam batizado o novo povoado com o mesmo nome de sua terra natal, a Cruz das Almas de Portugal.

Bem… de certo mesmo, e o que se tem de registro da época em documentos da Igreja Católica, é que através do Alvará Régio do Príncipe Regente Dom João, datado de 22 de janeiro de 1815, a região de Cruz das Almas foi oficialmente elevada, com a bênção da igreja, à condição de Freguesia, recebendo o nome de Nossa Senhora do Bonsucesso da Cruz das Almas, tendo como matriz a igreja de Nossa Senhora do Desterro do Outeiro Redondo e, só anos depois, em 1817, foi construída a Igreja Matriz de Cruz das Almas. Estava pois criado o distrito, mas a escrituração continuou nos livros de Outeiro Redondo até 1857, quando então foi aberto o primeiro livro separado de Cruz das Almas.

Mas é importante lembrarmos de que, apesar do apagamento na História, os primeiros donos e habitantes destas terras eram os indígenas, povos Cariris e Sabujás. O que aconteceu com eles? Foram expulsos? Dizimados?

Vamos pesquisar!

FLORIANO DE ARAÚJO MENDONÇA

FLORIANO DE ARAÚJO MENDONÇA, ou Dr. Floriano Mendonça, era natural de Itabuna, nascido em 15 de maio de 1908. Graduado em Engenharia Agronômica, veio para Cruz das Almas para ser professor de Entomologia da então recém instalada Escola de Agronomia. Também lecionava Latim e Português no Colégio Alberto Tôrres. Grande amante das letras, participou ativamente do movimento literário que se instalou em Cruz das Almas graças a fundação do jornal NOSSA TERRA. Escritor, tinha uma redação extremamente escorreita; era cronista, compositor e poeta. Dentre os vários trabalhos tinha publicados os livros: Folhas Dispersas, em 1932; Rumor de Passos, em 1935; O Milagre das Rosas, em 1945 e, em 1972, A Sombra da Torre de Santa Tereza, que retrata o seu período como seminarista. Assinava a coluna intitulada “Pé de Coluna”, na última página do Jornal NOSSA TERRA, que fazia muito sucesso. De sua criação também é a belíssima letra do Hino de Cruz das Almas.

PAVILHÃO

Conjunto de bandeiras (estadual, nacional e municipal) em frente ao Paço Municipal. Cada bandeira, como símbolo oficial, pode ser definida classicamente como ícone visual representativo de um estado soberano, país, estado, município, intendência, província, bairro, organização, sociedade, clã, coroa ou reino, ou seja, toda e qualquer entidade constituída, quer seja uma nação e seu povo, ou mesmo uma família, desde que reconhecida por outras entidades ou tradição. As hastes das bandeiras são chamados mastros, postes ou paus de bandeira, quando fixos. Mais altos que o alcance normal de uma pessoa, para içar a bandeira é, normalmente usada um corda (“adriça”) que dá a volta numa poleia no topo do mastro, sendo os seus extremos atados na base. A adriça, então é esticada e atada à base do mastro. Hasteada nos edifícios públicos ou particulares, templos, campos de esporte, escritórios, salas de aula, auditórios, embarcações, ruas e praças, e em qualquer lugar em que lhe seja assegurado o devido respeito, podendo ser hasteada e arriada a qualquer hora do dia (ou da noite, desde que devidamente iluminada). Normalmente faz-se o hasteamento às 8 horas e o arriamento às 18 horas.No dia 19 de novembro, Dia da Bandeira, e no dia 29 de julho, Aniversário da Cidade, o hasteamento das bandeiras é realizado com solenidades especiais.

A ESSÊNCIA DO ALMANAQUE CRUZALMENSE

Sou apenas memória. Demorei para perceber. Não se trata de melancolia ou nostalgia, mas de uma compreensão arrebatadora acerca da minha existência e da relação que estabeleço comigo. Sou o resultado das memórias que construí, nada além disso. À exceção deste exato segundo, nada é genuinamente meu, senão as memórias do que vivi, a luz dos locais que conheci, o cheiro das pessoas que amei, o gosto das injustiças que sofri. Não deixa de ser paradoxal: a construção da memória se dá no agora, mas a vida é sempre retroativa. A retrospectiva do meu caminho é quem dá o tom à minha vivência. Molda o meu olhar; impulsiona ou retarda meus passos; determina o estado geral de emoções que em mim habita. Cada memória é uma eternidade particular, que continua a irradiar seus efeitos ao meu espírito. Para mim, felicidade, infelicidade e indiferença frente à vida são basicamente os resultados da soma geral dos efeitos das minhas memórias. Descobri, com o tempo, se tratar de mera questão matemática. Quanto mais coleciono memórias, mais sou tomado pela energia irradiada. A partir daí, descobri minha missão diária: colecionar as memórias pelas quais quero ser amparado e lembrado pelo tempo.

Baseado no texto de @escrevoporquecura

EPIDEMIA NA “FREGUEZIA DA CRUZ DAS ALMAS”, NO ANO DE 1868


No Relatório de 26 de julho de 1868, com que o governador da Província da Bahia José Bonifácio Nascentes de Azambuja transfere a Administração Provincial para Antônio Ladislau de Figueiredo Rocha, consta, no item “SALUBRIDADE PUBLICA”, que “O facto de maior importancia que occorreu a esse respeito, foi a epidemia que appareceu na freguezia da Cruz das Almas do município da Cachoeira, que tem ceifado muitas vidas”.
Prossegue o mandatário: “Mandei um medico com ambulancia sortida para esse logar, um pharmaceutico e dois enfermeiros; e ordenei que a população desvalida fosse socorrida com dietas”.
Conclui o relato: “Prolongando-se a epidemia, e desejando ter noticia circumstanciada d’ella e informação das medidas que porventura ainda seja necessario tomar-se, fiz partir para alli o inspector de saude publica no dia 18 do corrente, o qual não me consta que tivesse regressado”.


O Relatório não esclarece que tipo de doença estava causando a epidemia; mas, nos surtos epidêmicos na Bahia, durante a segunda metade do século XIX, a cólera seria a causa mais frequente.

(https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/salvador-cidade-das-pestes-capital-foi-afetada-por-varias-epidemias-ao-longo-dos-anos/).

Colaboração de pesquisa: João Nascimento, membro do grupo Almanaque Cruzalmense/Facebook