A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA POMBAL

A Estação Ferroviária Pombal, localizada em Cruz das Almas, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, que teve a pedra fundamental colocada em 1880, pelo Senador do Império o Barão de Cotegipe; e inaugurada em 1881, pelo Presidente da Província da Bahia, Conselheiro João Lustoza Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá. O engenheiro civil chefe foi o empreiteiro inglês Hugh Wilson, acionista administrador da Brazilian Imperial Central Bahia Railway Company Limited, concessionária da Estrada de Ferro Central da Bahia.

(Foto da placa: acervo Luciano Fraga Fraga )

AS BANDEIRANTES E OS ESCOTEIROS

VOCÊ SABIA QUE…
Em Cruz das Almas, em 1951 o Movimento Bandeirante, formado só por garotas, antecedeu o Grupo de Escoteiros, criado em 1953, formado majoritariamente por garotos?

(FONTES: JORNAL NOSSA TERRA (1955/1956); HISTÓRIA DE CRUZ DAS ALMAS de MÁRIO PINTO DA CUNHA (1959)

FAZENDA SANTA JÚLIA

A Fazenda Santa Júlia, de propriedade de Dr. Luiz Eloy Passos, era uma grande fazenda onde se plantava laranja, em Cruz das Almas.

Mas, no ano de 1941, com a guerra na Europa, a importação de trigo foi suspensa e passou-se a produzir por aqui fécula de mandioca para fazer pão. Dessa forma, Dr. Luiz Eloy Passos, um visionário e grande empresário, inaugurou na Fazenda Santa Júlia um moinho de mandioca, que beneficiava não só a produção do novo cultivo da própria fazenda, mas também a mandioca adquirida de pequenos produtores da região.

Na foto, Dr Luiz Eloy Passos e Dona Clarice, Jorge Almeida e Dona Detinha, Crisogno Fernandes, no centro Padre Edézio (da paróquia de Afonso Pena, atual Conceição do Almeda), entre outras pessoas não identificadas…

A LENDA DO SABOROSO LICOR DE JENIPAPO DE CRUZ DAS ALMAS

Contaram-me certa vez que, há muito tempo, quando ainda se plantava cana-de-açúcar nas terras de Cruz das Almas, havia lá pelas bandas do Cadete uma grande fazenda onde morava uma jovem senhora casada com o senhor daquele  engenho.

Certa vez, depois de perder o apreço do seu  marido pois o mesmo havia se engraçado com uma jovem escrava, sentiu-se tão mal a ponto de decidir dar cabo à própria vida. Resolveu envenenar-se. Lembrou-se então de um líquido resultante de uns jenipapos passados de maduros que ficavam jogados num velho barril com resto de aguardente lá no celeiro. Botou um tanto numa pequena taça de cristal, misturou com melaço e bebeu. Mas, depois de ingerir a tal beberagem, em vez de morrer, ela notou que seu humor havia era melhorado. Tanto e, tão imediato, que a mulher sentiu foi uma imensa a alegria de viver.

Com o passar dos dias, então, retomou o gosto pelas festas e até reconquistou a atenção do marido na intimidade do casal, fazendo-o esquecer totalmente da amante. Em agradecimento, a senhora doou 10 litros daquele licor para o leilão na quermesse de São João, o que foi um grande sucesso no arraiá junino. Depois disso, nunca mais faltou alegria e licor de jenipapo nas festas daquele lugar.

E dizem que, assim, foi descoberto este delicioso e poderoso elixir da felicidade.

Verdadeira ou não, a estória é boa!

(Texto revisto e corrigido, originalmente publicado na Revista Reflexos de Universos em abril de 2021)

O DOUTOR DA FONTE

Encontramos num acervo pertencente a Fundação Clemente Mariani documentos que versam sobre a biografia de José Joaquim Ribeiro dos Santos, cruzalmense nascido em 1851, filho do Coronel Joaquim Ribeiro dos Santos e de D.Ana Maria do Nascimento Ribeiro. O Dr. Ribeiro dos Santos era médico oftalmologista e citado muitas vezes como Senador, foi o proprietário da Fazenda Bonsucesso, em cujas terras se localiza a Fonte do Doutor e, posteriormente, vendida ao Dr. Lauro Passos. Dr. Ribeiro dos Santos teve uma filha chamada Ana Adelaide que casou-se com João Dantas, filho do Dr. Cícero Dantas, o Barão de Jeremoabo, em 1895.

SAPUCAIA

VOCÊ SABIA QUE…
O nome dado ao povoado Sapucaia é uma herança indígena e origina-se da contração da palavra Tupi “iaçapucay”: que “ia”, quer dizer fruto de árvore, e “eçá-pucá-y” significa fruto que faz saltar o olho? Isso é por causa de árvores da espécie Lecythis pisonis, vulgarmente chamadas de sapucaia, que existiam em abundância ali, mas que hoje não mais são encontradas.

(FONTE: RODRIGUES, A.C.C.; GUEDES, M.L.S. Utilização de plantas medicinais no Povoado Sapucaia, Cruz das Almas – Bahia. Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia. Salvador – BA)

A FAZENDA CAMPO LIMPO

A Fazenda Campo Limpo data de 1865 e pertence à família Passos, de origem portuguesa, que chegou ao Recôncavo, vindo a  estabelecer-se de forma próspera em Cruz das Almas. Localizada a 06km do centro da cidade, a fazenda originalmente foi constituída pela junção das terras dos engenhos de Areia e da Presa, que eram de grande porte. Na Campo Limpo chegou-se a cultivar cana-de açúcar. Posteriormente, com a desativação dos engenhos, foi iniciado o plantio de café, em larga escala, seguido da pecuária e do cultivo da laranja.

A história da fazenda conta ainda de várias gerações da família Passos, formada por notáveis políticos e poetas. Viveram ali o Senador Temístocles da Rocha Passos e família; Manoel Caetano Oliveira Passos e família, Manoel Caetano Passos Filho e irmãos; Jacinta Passos e família; Alberto Passos e família; Ramiro Eloy Passos e família; e, Luciano Passos e família.

Destaque para o estado de conservação da casa grande, em estilo colonial, que preserva a sua beleza e mantém muitos móveis e utensílios de época. Atualmente, a fazenda tombada como Patrimônio Cultural do Estado pelo IPAC, abriga o Instituto Campo Limpo.

O PARQUE SUMAÚMA

Localizado no bairro Lauro Passos, é uma área plana, aprazível, situada no perímetro urbano de Cruz das Almas que, no passado, era a sede da Fazenda Bonsucesso, de propriedade do ex-prefeito da cidade, Dr. Lauro de Almeida Passos, falecido em 1982. Com o desmembramento da área, que se transformou em loteamento, abriram-se ruas largas e uma grande praça.

Sede da Fazenda Bonsucesso

Com o objetivo de preservar uma árvore de sumaúma (ceiba pentandra) ali existente, construiu-se uma praça nas proximidades da sede da antiga fazenda, uma área ampla e mais arborizada. Essa área passou a se chamar Parque Sumaúma e a referida árvore secular que inspirou o topônimo foi preservada, sendo posteriormente integrada oficialmente ao patrimônio ambiental do município. Contam que a árvore foi um presente de aniversário que Dr. Lauro Passos teria ganhado de seu irmão Hélio Passos, por ocasião do seu quinquagésimo aniversário.

A praça é arborizada, com muitas mangueiras, possui como monumento um busto em metal de seu fundador, Dr. Lauro Passos. Considerado um bairro nobre, em seu entorno pode-se observar tanto grandes residências das classes média e alta, como também outras edificações, como escolas particulares, escritórios e clínicas médicas. Mais recentemente, instalou-se ali também o Centro Administrativo da Prefeitura.

A partir do final da década de 80, numa iniciativa do  então prefeito Lourival José dos Santos, a festa de São João, grande evento que anualmente atrai milhares de turistas e apresenta vários dias de grandes shows, acontece no Parque Sumaúma, que na época passa a ser chamado de Arraial ou Arraiá.

Com o passar do tempo, o crescimento e a consolidação do caráter espetacular da festa, é montada uma mega estrutura, com um grande palco principal, com a frente voltada para as principais vias de canalização do fluxo de foliões juninos que para ali se dirigem. Nestes vários anos,  já  apresentaram-se em seu palco grandes artistas como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Daniel, Cidade Negra, Santana, Flávio José, Calypso, Trio Nordestino, Alceu Valença, Leonardo, Acarajé com Camarão, Sarapatel com Pimenta, além de muitos outros.

Atualmente, os cidadãos utilizam o referido logradouro público para práticas esportivas, caminhadas ou simples contemplação.

(FONTES: Da casa à praça pública: a espetacularização das festas juninas no espaço urbano, do prof. Jânio Roque Castro)