O RIO CAPIVARI

Conta-nos o memorialista Leandro Costa Pinto de Araújo que, em épocas passadas, paralelamente à Ferrovia Leste Brasileiro, lá pras bandas da Estação do Pombal, corria o rio Capivari de modo contínuo em longo percurso, desde a nascente até o seu desaguadouro no Rio Paraguaçu na cidade de São Félix, no qual havia peixes de várias espécies e eram feitas muitas pescarias, preferencialmente com anzol. Inclusive, no trecho mais largo, em frente da Estação Ferroviária, havia uma ponte de madeira ligando a estrada com destino a Muritiba, destinada à travessia de veículos, pessoas e animais. Por ali passavam também os pequenos caminhões conduzindo fumo beneficiado até o porto de Cachoeira, para ser transportado por via marítima, entre os quais o do armazém de Garridinho, dirigido por Crispim de Adélia. Nas grandes tempestades o volume de água crescia provocando enchentes que atingiam as casas ribeirinhas, indo até o quintal da venda de Aristóteles, situada próximo à ferrovia. Atualmente esta importante dádiva da natureza está agonizante e ecologicamente destruída. Os peixes desapareceram em razão do alto grau de poluição; seu curso d’água outrora volumoso, nos dias atuais é apenas um córrego, interrompido em vários trechos pela formação de brejos e pastagens.

MATA DE CAZUZINHA – O NOSSO PARQUE FLORESTAL.

Parque Florestal2

Esta área florestal pertencia a Fazenda Itapicuru, de propriedade do Coronel José Batista da Fonseca, cujo apelido era Cazuzinha. Pessoa de visão ambientalista, preservou uma área de Mata Atlântica na sua Fazenda. Ao longo dos anos, a população passou a chamar a área de Mata de Cazuzinha, e o nome foi oficializado. Na década de 60, a área foi doada ao município pelo herdeiro Lauro Barroso Fonseca (Maninho), filho de Sr. Cazuzinha.

“Quero justificar a desapropriação da Mata de Cazuzinha, última reserva florestal do Município, e que será no futuro o Parque da Cidade, sendo o que há de mais interessante nesta cidade e, que há mais de 40 anos luto pela sua preservação. Sinto não ter realizado o que pretendia no aproveitamento da mata em vista de ter que atender a certas outras obras indispensáveis, e não pude fazer o que desejava. São 110.990m² de área, fora o Instituto do Fumo. Paguei ao senhor Lauro Fonseca, em desapropriação amigável, o mesmo valor, aliás, menos que o terreno das casas populares. A mata, hoje, faz parte da área urbana, já com os meios fios”. – Trecho de documento manuscrito deixado por Dr.Lauro Passos, ex-prefeito de Cruz das Almas, 1963-1967.

Um sonho de meio século que se realizou em junho de 2012, pelo então prefeito Orlando Peixoto Pereira Filho, com a inauguração do Parque Florestal Mata de Cazuzinha, no Centro de Cruz das Almas. Idealizada ainda na gestão do prefeito Lauro Passos,  na década de 60, o Parque finalmente virou uma realidade. A proposta da implantação do Parque Florestal Mata de Cazuzinha, além de preservar a mais importante área urbana de Mata Atlântica do município, é servir como espaço de Educação Ambiental e local de lazer e esporte. Ele conta com a aprazível Praça Marinalva Carmo Figuerêdo Vilas Bôas, uma área bem cuidada para receber aqueles que ali visitam.

(FONTES: D. Ana Lucia Reis Fonseca e Revista Cruz das Almas “Uma cidade melhor para viver” – informativo daPrefeitura Municipal de Cruz das Almas, 2012)

VÍDEO INAUGURAÇÃO DO PARQUE FLORESTAL