ESTAÇÃO DA LESTE MANOEL VITORINO

Pesquisando sobre qual teria sido a importância da Estação de Pombal (ou Estação Cruz das Almas ou Estação Eng. Eurico Macedo) para Cruz das Almas, encontro no interessante trabalho acadêmico do Historiador Nilton Antonio Souza dos Santos a curiosa informação de que a referida estação também teria tido o nome de Manoel Vitorino.

“A Estação Ferroviária está na memória dos viajantes, dos moradores, dos funcionários em geral. Em um jornal da época foi publicado alguns versos escrito pelo Senhor Avelino Pereira dos Santos:

Saudade expressão que mim recorda
Os meus áureos tempos de menino
Quando passo naquela estaçãozinha
Hoje fechada por força do destino.
Solitária, silenciosa e adormecida
Estação de Leste Manoel Vitorino.
Hoje fechada ela contempla o passado
Desafiando o tempo ainda resiste
Como para servir de testemunha
De muita coisa que não mais existe
Mais quando a vejo alegro-me em revelá-la
Lamentando sua sorte fico triste.
Seu nome lembra um velho Engenheiro
Da nossa republica, um vice – presidente.
Ali comecei minha vida Férrea
Num belo dia e com desejo ardente
Onde meu maior sonho de menino
Era da ferrovia um dia ser agente

A memória é também uma construção do passado, mas pautada em emoções e vivencias. Percebe-se a importância e saudade que ele sente da Estação de Manoel Vitorino, que localizava no Município de Cruz das Almas.”

Daí, buscando mais informações, encontrei o seguinte:

http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/manoel.htm

A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA POMBAL

A Estação Ferroviária Pombal, localizada em Cruz das Almas, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, que teve a pedra fundamental colocada em 1880, pelo Senador do Império o Barão de Cotegipe; e inaugurada em 1881, pelo Presidente da Província da Bahia, Conselheiro João Lustoza Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá. O engenheiro civil chefe foi o empreiteiro inglês Hugh Wilson, acionista administrador da Brazilian Imperial Central Bahia Railway Company Limited, concessionária da Estrada de Ferro Central da Bahia.

(Foto da placa: acervo Luciano Fraga Fraga )

CRÔNICA SOBRE A ESTAÇÃO DE POMBAL

Conta-nos o Dr. Leandro Costa Pinto de Araújo, através de suas crônicas sobre a Cruz das Almas de antigamente…
A Estação Ferroviária de Pombal, inaugurada em 1881 e reformada em 1930, distante cerca de seis quilômetros do centro da cidade era, naquela época, além de principal ponto de embarque e desembarque de passageiros e mercadorias, também uma opção de lazer muito prazerosa e bem aproveitada pela mocidade local que para lá se dirigia, envolvendo aí passeios e encontros amorosos, principalmente nas tardes de domingo, feriados e dias santos.
Ah… quantas histórias devem ter acontecido, entre encontros e desencontros, idas e vindas, chegadas e partidas!

ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Estação Cruz2

A Estação de Pombal foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome foi alterado para Cruz das Almas. Desta estação, que ficava a 6 km do centro do município, deveria sair uma variante que uniria a linha à estação de Santa Teresinha, na mesma linha, atravessando o rio Paraguassu mais para o sul, eliminando o gargalo da ponte entre Cachoeira e São Félix. Esse era o projeto dos anos 1960, que nunca foi construído. Ferroviários da região dizem que a estação recebeu muito cimento vindo de Minas Gerais por via ferroviária nos anos 1970. Ela fica próxima da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que é situada na entrada rodoviária antiga da cidade. A partir de 1970, a lista de estações no Guia Levi já não mostra a estação de Cruz das Almas, mas sim uma estação chamada de Eng. E. Macedo, comumente chamada de Eurico Macedo, que é a mesma – a falta de documentação não permite a confirmação, mas o prédio tem arquitetura dos anos 1930 e o fato de ter sido construída uma nova estação mais próxima à cidade também com o nome da cidade (na linha de Santo Antonio de Jesus, aberta no final dos anos 1950 e erradicada em 1964) levam à quase certeza que a estação mais afastada tenha trocado o nome. “Dá medo visitar a estação Eurico Macedo, é um lugar isolado, não existe absolutamente ninguém; para andar na linha, só quando se acha alguém do lugar que sabe exatamente onde ela fica. Passei em lugares em que mal cabe o trem, não tem vias marginais, só mato e trilho, e se o trem passar no momento exato, aí complica” (Roosevelt Reis)

Conta-nos Geraldo Almeida Souza… “a Estação de Pombal, também conhecida como estação velha. Está viva na minha memória o deslumbramento de criança ao ouvir o apito da maria fumaça e o seu despontar bufando os vapores da caldeira. Tinha uma pequena vila ao seu redor com casas de funcionários da ferrovia. No pátio os vendedores de amendoim, laranja, cocadas e outros alimentos comercializados com os passageiros. Essa lembrança é da década de cinquenta o que prova que o nosso cérebro é um fantástico computador.”

(FONTES: Lorena Silva Santos; Roosevelt Reis; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr.: Estradas de Ferro do Brazil, 1886; A Leste Brasileiro e o Desenvolvimento Econômico da Bahia, 1960; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XX, 1958; Guia Geral das Estradas de Ferro, 1960; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht, via http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cruzalmas.htm )

O RIO CAPIVARI

Conta-nos o memorialista Leandro Costa Pinto de Araújo que, em épocas passadas, paralelamente à Ferrovia Leste Brasileiro, lá pras bandas da Estação do Pombal, corria o rio Capivari de modo contínuo em longo percurso, desde a nascente até o seu desaguadouro no Rio Paraguaçu na cidade de São Félix, no qual havia peixes de várias espécies e eram feitas muitas pescarias, preferencialmente com anzol. Inclusive, no trecho mais largo, em frente da Estação Ferroviária, havia uma ponte de madeira ligando a estrada com destino a Muritiba, destinada à travessia de veículos, pessoas e animais. Por ali passavam também os pequenos caminhões conduzindo fumo beneficiado até o porto de Cachoeira, para ser transportado por via marítima, entre os quais o do armazém de Garridinho, dirigido por Crispim de Adélia. Nas grandes tempestades o volume de água crescia provocando enchentes que atingiam as casas ribeirinhas, indo até o quintal da venda de Aristóteles, situada próximo à ferrovia. Atualmente esta importante dádiva da natureza está agonizante e ecologicamente destruída. Os peixes desapareceram em razão do alto grau de poluição; seu curso d’água outrora volumoso, nos dias atuais é apenas um córrego, interrompido em vários trechos pela formação de brejos e pastagens.

RUA DA CORRENTE

Sabia que antigamente, até a década de 50, a entrada rodoviária para Cruz das Almas se dava pela Rua da Corrente (atual Rua Amado Queiroz / Av. Juracy Magalhães), na Tabela, e não pela Cajá como atualmente? Era a estrada que passava ali pela Estação de Pombal, ia para Cabeças (hoje Gov. Mangueira), Muritiba e por aí seguia chegando até São Félix e Cachoeira, onde pegava-se o vapor em direção a Salvador.

Quem por ali chegava, seguia a Rua Rui Barbosa em frente ao CETEP (antigo CEAT), passava pela Rua da Estação até o centro da cidade. Ou subia a Av. Juracy Magalhães em direção à Rua da Mata, passando por onde hoje é a Praça da Rua da Mata, beirando a Mata de Cazuzinha, passava no trecho onde atualmente estão localizados os colégios municipais Virgildásio Sena, Recanto Feliz e CEC. Seguia-se por onde hoje é a Praça Multiuso, Avenida Irmã Dulce (em frente a Bibi, estação da Coelba, Rodoviária e UPA), seguindo a linha do trem até a Estação Ferroviária Cruz das Alma na Coplan e ia pela estrada que fica do outro lado em frente ao Campo da Coplan, que era por onde se ia para a Embira, Sapeaçu ou Conceição do Almeida.

AS DUAS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE CRUZ DAS ALMAS

Você sabia que Cruz das Almas tem duas antigas estações ferroviárias?

A Estação de Pombal, que ficava a 6 km do centro do município, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome da estação foi alterado para Cruz das Almas e, posteriormente, novamente alterado para Eng. Eurico Macedo.

A outra estação, que também tem o nome de Cruz das Almas, a do ramal de Conceição do Almeida, foi aberta pela VFFLB em dezembro de 1958; é a que fica ali na entrada da cidade, perto da Coplan. Dizem que foi inaugurada, mas nunca entrou em funcionamento.

A ESTAÇÃO CRUZ DAS ALMAS

 

Aquele prédio nas proximidades da Coplan, conhecido como “estação velha” e que chama a atenção principalmente de quem entra na cidade, pois se destaca pelos seus belos traços que, segundo Ygor Coelho, lembram a arquitetura moderna de Niemeyer nos anos 50, é o antigo prédio da Estação Cruz das Almas, construída  pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro em 1958. 

Ela fez parte do trecho Cruz das Almas-Santo Antônio de Jesus e a ideia do  projeto original era unir as linhas Sul (Salvador – Monte Azul) e da E. F. Nazaré, esta isolada mais ao sul do Recôncavo. Por algum motivo ainda não determinado, a linha nunca foi concluída; ou seja, jamais alcançou a cidade de Santo Antônio de Jesus, muito menos Nazaré. Mas, mesmo assim, sabe-se que pelo menos entre os anos de 1960 e de 1963 um trem de passageiros chegou a circular entre Cruz das Almas e Conceição de Almeida. Alguns cruzalmenses contemporâneos relatam  terem a lembrança de presenciar trem com vagões de carga (cimento, pedras) manobrando por ali, mas logo depois a linha foi desativada. De 1960 a 1963, realmente, o Guia Levi, usado como referência de horários de trens de passageiros, acusa a existência de trens de passageiros ligando Cruz das Almas à estação de Conceição de Almeida, um trecho com 11 quilômetros de extensão; mas, em 1965, ele já não mais existia. Este trecho seria o início da ligação com a E. F. Nazaré e jamais teria sido completado – ou se foi, foi desativado antes que os trens fizessem a ligação de Cruz das Almas com Santo Antônio de Jesus, já que a linha parou de funcionar em 1970. Esta estação, que na verdade é um ramal, ganhou o nome de Cruz das Almas porque a Estação de Pombal que ficava mais longe da cidade, na linha principal, teve o nome alterado para Engenheiro Eurico Macedo.

O prédio abandonado desde o início da década de 70, atualmente faz parte do espólio da RFFSA e está sob a guarda do Município. Neste São João recebeu uma pintura artística que serviu não só para embelezar o monumento mas reforçou o desejo da população de que o prédio venha a  transformar-se num equipamento de uso público, como um centro cultural ou um museu, por exemplo.

(REFERÊNCIA: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cruzalmas-nova.htm )

A ESTAÇÃO ENG. EURICO MACEDO, ANTIGA ESTAÇÃO DE POMBAL

A estação de Pombal foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome foi alterado para Cruz das Almas. Desta estação, que ficava a 6 km do centro do município, deveria sair uma variante que uniria a linha à estação de Santa Teresinha, na mesma linha, atravessando o rio Paraguassu mais para o sul, eliminando o gargalo da ponte entre Cachoeira e São Félix. Ela fica próxima da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que é situada na antiga entrada rodoviária da cidade. A partir de 1970, a lista de estações no Guia Levi já não mostra a estação de Cruz das Almas, mas sim uma estação chamada de Eng. E. Macedo, comumente chamada de Eurico Macedo, que é a mesma – a falta de documentação não permite a confirmação, mas o prédio tem arquitetura dos anos 1930 e o fato de ter sido construída uma nova estação mais próxima à cidade também com o nome da cidade (na linha de Santo Antonio de Jesus, aberta no final dos anos 1950 e erradicada em 1964) levam à quase certeza que a estação mais afastada tenha trocado o nome. “Dá medo visitar a estação Eurico Macedo, é um lugar isolado, não existe absolutamente ninguém; para andar na linha, só quando se acha alguém do lugar que sabe exatamente onde ela fica. Passei em lugares em que mal cabe o trem, não tem vias marginais, só mato e trilho, e se o trem passar no momento exato, aícomplica” (Roosevelt Reis, 12/2008). O relato mostra que o antigo acesso de passageiros e de cargas que levava à antiga estação desapareceu depois de sua desativação, o que deve ter se dado nos anos 1980.

A antiga estação ferroviária Eng. Eurico Macedo fica próxima da UFRB, situando-se na estrada que dava o antigo acesso a entrada rodoviária na cidade.

(FONTES:Lorena Silva Santos; Roosevelt Reis; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr.: Estradas de Ferro do Brazil, 1886; A Leste Brasileiro e o Desenvolvimento Econômico da Bahia, 1960; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XX, 1958; Guia Geral das Estradas de Ferro, 1960; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht; Foto capa: Decio Marques)