LUCIANO FRAGA

Nossos mestres nos ajudam a polir a lente através da qual se enxergará a realidade do mundo, e, para tanto, se esforçam, se desgastam, abrem mão de tanta coisa que poderiam estar a desfrutar, tudo para que cada estudante tenha um acesso mais facilitado ao conhecimento. Mas não é só isso. Toda escola é uma casa de cidadania, local onde se aprende a ser gente, a servir ao outro, a ter sensibilidade tal que lhe permita indignar-se com as injustiças e a regozijar-se com o êxito do outro.

Assim, nessa mesma linha, assumida desde a inauguração deste espaço, buscando sempre o melhor de cada professor, cada qual em seu tempo, a pretensão desse quadro é colocar em destaque a figura do amado mestre, rememorando momentos inesquecíveis, que se eternizaram na vida de cada estudante. Hoje, a bola da vez é o queridíssimo Luciano Fraga. Isso mesmo, aquele sujeito bom de bola e que jogava sempre de óculos de grau. Aliás, estive a observá-lo diversas vezes, nas tardes de futebol no quintal de Nelsinho Magalhães, onde o nosso homenageado dava um show. O professor Luciano desconsertava seus marcadores, às vezes Zinaldo Velame, às vezes Giordano, Japonês e mesmo o próprio Nelsinho. As travessuras do professor Luciano com a bola nos pés eram constantes, fazendo com que o jogador Zé Meia noite fosse dormir com a coluna em frangalhos. E era isso mesmo, ele acabava com qualquer marcador que se aventurasse a impedi-lo de chegar até o gol adversário.

Conheci a família do professor Luciano ainda menino, quando seus integrantes moravam na Manoel Vilaboim. Seu pai tinha uma loja de produtos em couro na avenida Alberto Passos, mais ou menos onde hoje existe uma loja de bicicletas. Sua mãe, dona Maria, matriarca da família, pessoa demais distinta; suas irmãs Amanda (da extinta EBDA) e Maria Luiza (professora) dispensam comentário, já que sempre tiveram conduta notável em suas profissões.

Naqueles tempos não conhecia o talento educacional do nosso querido professor, o que, para mim, iria, mais tarde, representar uma grata surpresa. Pensei: “esse cara pode ser o que quiser”. Claro, bate um bolão e ainda é um professor de matemática de raro talento. Mas, ai, nosso mestre resolve exercer a profissão de Engenheiro Agrônomo, já que havia se formado e precisava mesmo ingressar no mercado de trabalho. Teve que deixar as salas de aula de ir praticar o que aprendeu na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, um sonho de todos que ralam para conseguir um canudo universitário. Assim, trabalhou com a cultura do dendê em conhecida empresa de produção de óleo, depois em usina açucareira, onde passou a trabalhar com a cana-de-açúcar. Levou, então, muitos anos longe de Cruz das Almas e das salas de aula. Recentemente, soube que o professor Luciano Fraga está de volta, para a felicidade dos estudantes e da Educação. E haja surpresa: o mestre Luciano é também poeta e escritor, tendo sido colaborador do famoso jornal literário Reflexos de Universos. Provavelmente conheci todas as facetas do amado mestre. Entretanto, não ficarei mais surpreso se descobrir que ele também canta ou dança.

Vai aqui a nossa gratidão a tudo que ele fez (e ainda faz) pela educação cruzalmense, e desejar que Deus lhe dê vida longa para que possamos desfrutar do convívio com essa grande figura humana. Cruz das Almas agradece.

(Crônica da Série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes)

PERFIL SOCIOECONÔMICO DO MUNICÍPIO

Fotomontagem: Wikipédia

Localizado no Território de Identidade Recôncavo, o município de Cruz das Almas foi criado pela Lei Estadual nº 190 de 29/07/1897. Além de Cruz das Almas, Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragogipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Salinas da Margarida, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Félix, São Felipe, Sapeaçu, Saubara e Varzedo, são os municípios que compõem o Território de Identidade Recôncavo. Cruz das Almas está localizado entre as coordenadas aproximadas de latitude -12º40´12´´ e longitude 39º06´07´´, a uma altitude média de 220 m acima do nível do mar e caracteriza-se pelo clima árido e semiárido. Faz divisa com os municípios de Cabaceiras do Paraguaçu, Muritiba, São Félix, São Felipe e Sapeaçu. Com uma área territorial de 139,117 km² (IBGE 2018), Cruz das Almas fica distante 138 Km de Salvador, capital do Estado da Bahia. A rodovia BR-101 é a principal via de acesso ao município, que não possui aeroporto. De acordo com Censo Demográfico 2010, Cruz das Almas possuía 58.606 habitantes. Sua densidade demográfica era de 402,11 hab/km2 . Em relação à situação do domicílio, 49.885 habitantes residiam em áreas urbanas e 8.721 habitantes residiam em domicílios rurais, perfazendo um grau de urbanização de 85,1%. Na decomposição por gênero, a população era majoritariamente do sexo feminino, ou seja, em números absolutos eram 30.924 habitantes do gênero feminino e 27.682 do sexo masculino. Para o ano de 2016, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Cruz das Almas conta com uma população de 64.552 habitantes, apresentando um acréscimo de 10,1% em comparação ao ano de 2010.

De toda riqueza produzida no município, no ano de 2014, 79,7% era proveniente do setor de comércio e serviços. O setor industrial respondia por 14,6% do Valor Agregado Bruto (VAB), e o setor primário (agropecuária), foi responsável por 5,6% do VAB do município de Cruz das Almas. No mesmo ano, os maiores estoques de emprego formal pertenciam aos seguintes setores de atividade econômica: serviços (3.227), comércio (4.517), indústria de transformação (1.563) e administração pública (1.729).

Informações do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) indicam que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o município de Cruz das Almas aumentou de 0,574 em 2000 para 0,699 em 2010. Vale ressaltar que o IDH é sintetizado por três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda, sendo que quanto mais próximo de 1 (um) for o valor do IDH, maior será o nível de desenvolvimento da cidade.

(FONTES:
 Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia e IBGE / 2016 e 2018)