NOUTROS TEMPOS

“UM PASSEIO DE RECREIO À PITTORESCA FREGUEZIA DA CRUZ DAS ALMAS”, NO ANO DE 1888

Na edição de 3 de dezembro de 1888, o jornal cachoeirano “A ORDEM” publicou um comunicado, assinado pela “directoria” da “PHILHARMONICA EUTERPE COMMERCIAL MURITIBANOS”, acerca de “um passeio de recreio à pittoresca freguezia da Cruz das Almas”, a ser realizado no dia 8 do mês corrente, data da festa em homenagem à santa padroeira da “freguezia”.O deslocamento seria feito de trem, desde a estação de São Felix até a estação de Pombal, onde os “passeiantes” seriam recebidos e trasladados para a “freguezia”, utilizando-se animais e “carros”. Nesse traslado deve ter ocorrido algo, de fato, pitoresco, aos olhos de hoje. Os “carros” só poderiam ser aqueles puxados por bois, uma vez que, a primeira importação de um veículo motorizado para o Brasil (feita por Alberto Santos Dumont) só viria a ocorrer três anos depois, em 1891.

NOTA DO EDITOR: Observe-se que o artigo faz referência a uma Philarmonica 2 de Julho, pertencente à Freguesia anfitriã, ou seja, Cruz das Almas.

(FONTE: JOÃO NASCIMENTO in FACEBOOK / ALMANAQUE CRUZALMENSE)

SEIS ANOS DE TRABALHO E GRATIDÃO

Neste mês de setembro, há seis anos, eu tomava a iniciativa de criar o blog Almanaque Cruzalmense. Na época, quando ainda estava trabalhando em um município vizinho, tive a ideia de produzir um memorial digital contando a História daquele lugar e de seu povo. Daí pensei: por que não dispender este mesmo esforço de pesquisa para fazer um site sobre Cruz das Almas, com informações históricas e curiosas do meu município? E, sinceramente falando, foi uma decisão da qual nunca irei me arrepender. Foi através dessa decisão que eu dei início a esse maravilhoso projeto ao qual eu tenho tentado me dedicar e que cresce a cada dia.

Atualmente, o Almanaque Cruzalmense tem seu próprio site e está em várias outras plataformas digitais, como o Facebook, Instagram e Spotify.
Nosso grupo público, com um grande número de membros é muito acessado e visa preservar e compartilhar a Memória Afetiva de Cruz das Almas através de registros históricos, causos, fotografias, vídeos, áudios e depoimentos.
O site (www.almanaquecruzalmense.com) tem sido um excelente auxiliar de pesquisa para estudantes, professores e profissionais de Comunicação que precisam de informação sobre o Município.

Trata-se, no entanto, de um trabalho voluntário, sem nenhum aporte financeiro, não tem mídia paga, mas que demanda muitos custos para pesquisa e manutenção. Ainda assim, seguiremos adiante até quando for possível.

Idealizado, organizado e administrado por mim, Edisandro Barbosa Bingre, o Almanaque Cruzalmense proporcionou-me a outorga do Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara Municipal de Cruz das Almas, o que muito me honra e enche de felicidade.

Assim, nestes seis anos de trabalho árduo, só tenho uma palavra para definir tudo o que sinto agora: Gratidão 🙏🏻

UMA CIDADE VOCACIONADA À EDUCAÇÃO.

Sabia que até a metade do século passado a educação ainda era um privilégio das famílias abastadas que podiam pagar um professor particular ou uma escola católica para dar as primeiras letras aos seus filhos?

Cruz das Almas, no entanto, desde a sua emancipação administrativa, já demonstrava vir vocacionada a ter uma Educação de Excelência. O seu primeiro gestor, o Cônego Antônio da Silveira Franca, empossado no Cargo de Intendente da Villa no dia 1 de dezembro de 1897, preocupava-se com o fato de Cruz das Almas ter apenas seis escolas e poucos ainda eram os moradores que sabiam, ao menos, assinar o próprio nome. O acesso de todos, indistintamente, à Educação era a sua principal meta de governo. Empenhou-se então no combate ao analfabetismo.

Dizem que era um homem muito culto e um escritor primoroso, o Cônego Antônio da Silveira Franca pregava que “cada escola que abrirmos será mais um foco de luz que criamos, será mais um título de benemerência que conquistamos no presente e no futuro. (…) Cuidemos da instrução porque só a ignorância faz o homem abdicar do direito mais sagrado que tem, que é a liberdade de pensar e de fazer o que dita a consciência”.

Assim, o nosso primeiro prefeito, padre, foi um homem dedicado à luta contra o analfabetismo, direcionando os futuros dias do nosso Município a uma Educação de escol para todos.

31 DE AGOSTO

HÁ CEM ANOS, EM 31-08-1921, A VILA DE CRUZ DAS ALMAS FOI ELEVADA À CONDIÇÃO DE CIDADE
Em 29-07-1897 o Distrito de Cruz das Almas foi emancipado politicamente e elevado à categoria de VILA, com território municipal desmembrado de São Félix. Porém, a elevação à condição de CIDADE só viria a ocorrer 24 anos depois, por força da Lei Estadual n.º 1.537, de 31-08-1921.
Veja os eventos relacionados à autonomia administrativa e ao status de Cruz das Almas, os dispositivos legais que os promoveram e as respectivas datas de suas promulgações, segundo o IBGE:

Criação do DISTRITO de Cruz das Almas, subordinado ao município de São Félix, pelo Alvará Provincial de 22-01-1815.

Elevação do Distrito à categoria de VILA, desmembrada de São Félix, pela Lei Estadual n.º 190, de 29-07-1897.

Elevação da Vila à condição de CIDADE, pela Lei Estadual n.º 1.537, de 31-08-1921.

(FONTE: JOÃO NASCIMENTO in ALMANAQUE CRUZALMENSE/FACEBOOK)

A LOJA MAÇÔNICA No 51: DEUS E FRATERNIDADE

Aos doze dias do mês de agosto de mil novecentos e cinquenta e dois (12/08/1952), reuniu-se na residência do Sr. José Nunes de Oliveira Filho, na rua J. J. Seabra, na cidade de Cruz das Almas, os Senhores Claudemiro Dias Pamponet, Hermiro Costa e Silva, Anfilófio Lima de Oliveira, Emmanuel Veiga de Azevedo, Luiz Vargas Leal, Deoclides Sacramento Neto, José Nunes de Oliveira Filho, Joel Martins Reis, Gelasio Felix Vieira, Antônio Candido de Oliveira Filho, João Batista dos Santos Junior, João Pereira de Deus, Edvaldo Amorim do Val, José Nascimento Passos, Manoel Anastácio Ribeiro e Edgar Oliveira Regis, sob a presidência do Sr. Claudemiro Dias Pamponet, decidiram pela fundação de um Triangulo Maçônico no Oriente de Cruz das Almas, ocasião em que foi escolhido o nome de “Deus e Fraternidade” para a futura Loja. Aos dezenove dias de maio de mil novecentos e cinquenta e quatro (19/05/1954), foi Ritualisticamente Instalada a Loja “Deus e Fraternidade” que recebeu da Grande Loja Unida da Bahia o número 51, conforme a sua Carta Constitutiva.

Aos dezenove dias do mês de março de mil novecentos e cinquenta e cinco, (19/03/1955) teve lugar com as formalidades ritualísticas, a Regularização da Loja “Deus e Fraternidade”, por uma Comissão delegada pela Grande Loja Unida da Bahia.

O término da construção da sede própria, deste importante patrimônio, ocorreu no inicio de 1959 e sua inauguração aconteceu em junho do mesmo ano, por ocasião da posse do novo Quadro Administrativo, tendo como Venerável o Sr. Joel Martins Reis. Após a árdua tarefa de finalizar a construção da sede da maçonaria em Cruz das Almas, o trabalho dos abnegados membros continuou em outras frentes em benefício da comunidade. Este reconhecimento perpassou pelo poder público, de que a instituição atuava em conformidade com o seu objetivo social, sem fins lucrativos e, prestadora de serviços à coletividade. Assim, em 06/11/1987, a Loja Maçônica “Deus e Fraternidade”, nº 51, obteve a declaração de Utilidade Publica Municipal por meio da Lei Municipal nº 451, sancionada pelo então Prefeito, Carmelito Barbosa Alves.

Dois anos depois, por meio da Lei nº 5.358 de 10 de outubro de 1989, o Deputado José Amando, presidente da Assembleia Legislativa, no exercício do cargo de Governador do Estado da Bahia, decretou e sancionou o reconhecimento do trabalho realizado pela Loja Deus e Fraternidade, nº 51 como de Utilidade Pública Estadual.

Em 2015 a Assembleia da Loja em reconhecimento à grandeza dos serviços prestados em beneficio da construção da sede própria onde está instalada e à dedicação a fraternidade maçônica, faz justa homenagem ao Sr. Claudemiro Dias Pamponet, um dos fundadores da Loja Deus e Fraternidade, nº 51, nominando o imóvel da sede como: “Edifício Maçônico Claudemiro Dias Pomponet”.

A Loja Deus e Fraternidade, nº 51 possui ainda uma vasta biblioteca, um Clube Social “Flor de Acácia” e um anexo que já foi uma Escola Primária e, atualmente, funciona o Grupo Alcoólicos Anônimos.

Há alguns anos, organizado e promovido pelos membros da Loja Maçônica local, acontece na cidade o já aguardado e tradicional Natal do Bode, evento de caráter secular e festivo cuja finalidade é arrecadar fundos para a filantropia.

(FONTE: extraído do texto O TRIÂNGULO MAÇONICO”: FUNDAÇÃO DA LOJA “UMA OBRA PRIMOROSA” in HOMENAGEM À Augusta Respeitável Loja Simbólica DEUS E FRATERNIDADE Nº 51, 69 ANOS DE EXISTÊNCIA.)

29 DE JULHO NÃO É O COMEÇO DA HISTÓRIA

124 anos…
Parece bastante tempo, não é mesmo? Mas saiba que essa é apenas uma parte da sua História; nossa Cruz das Almas é bem mais antiga que isso…

Sim, não contaram para você na escola mas, bem antes, já existia por aqui uma civilização: a indígena, os nossos povos originais. E, antigamente também, lá no tempo do Império, Cruz das Almas já era um arraial provavelmente conhecido pelos tropeiros que por aqui passavam e paravam.

Prova disso é que de 1815 há o registro de quando ela foi elevada à condição de “Freguezia” por Permissão Real do Príncipe Dom João. Em 1877 ganhou Igreja Matriz, um marco para o lugar.

O “districto” continuou a crescer, em 1881 ganha linha de trem e estação, a Pombal. Demonstra também ter força política e, finalmente em 1897, emancipa-se de São Félix e é elevada à condição de “Villa”.

Tudo isso bem antes de 124 anos atrás!
Pois é, meu jovem… Cruz das Almas tem muito mais História pra contar!

A CASA SENHORIAL DO MAJOR ALBERTO PASSOS


Provavelmente, muitos sabem que no local onde está edificada a agência do Banco do Brasil em Cruz das Almas, fora, outrora, o endereço da casa senhorial do Major Alberto Veloso da Rocha Passos.
Renato Passos da Silva Pinto Filho, neto do Major Alberto Passos e autor do livro “Cruz das Almas dos meus bons tempos”, traz, no Capítulo I desta obra, uma descrição primorosa desta casa, intitulada “Apresentação da Casa Grande do meu Avô”. Na ilustração da capa do seu livro, aparece o portão de entrada, que ficava bem ao lado do Paço Municipal.
Esta casa viria a ser demolida, parece-me que no início da década de 1970 (corrija-me quem souber a data precisa), para, no mesmo local, ser edificada a atual agência do Banco do Brasil, que até então funcionava na Rua J. B. da Fonsêca.

(FONTE: João Nascimento in Facebook/Almanaque Cruzalmense)

MÁRIO PINTO DA CUNHA

Nascido em 2 de fevereiro de 1907, natural da cidade de São Francisco do Conde/Bahia. Filho de João Pinto Cunha e de dona Maria Carolina Freitas da Cunha, casou-se com a senhora Zulmira de Almeida Cunha com quem teve oito filhos: Nei, Almir. Haroldo, Getúlio, Mário Augusto, Rui, Luiz e Carolina. Era funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos e, por este motivo, veio morar em Cruz das Almas.

Depois de ter morado em diversas cidades do interior, radicou-se em Cruz das Almas e aqui foi Inspetor Federal do Ensino e Secretário Municipal. Participou do movimento literário desta cidade escrevendo uma coluna no jornal NOSSA TERRA. Também escreveu para o JORNAL DO CLUBE DE CAMPO LARANJEIRA, para o jornal O NACIONALISTA, foi Editor do JORNAL DO POVO e foi correspondente do jornal A TARDE de Salvador.

Escritor, um ótimo cronista, intelectual destacado e declarado admirador da cultura helênica. Escreveu os livros “História de Cruz das Almas”, “Aquarela de Cruz das Almas e, por último, o “Memorial de São Francisco do Conde”. Mário Pinto da Cunha faleceu em Cruz das Almas no dia 29 de abril de 1985.

(Fonte: SANTANA, Alino Matta. in Cruz das Almas Cultural. 2018. Graf.e Edit. Nova Civilização. MAGALHÃES, Cyro. in Facebook/Almanaque Cruzalmense. Foto: acervo de Reflexos de Universos, gentilmente cedida por Hermes Peixoto)

CRUZ DAS ALMAS: SUA CRIAÇÃO, A ORIGEM DE SEU NOME E SUAS VÁRIAS HISTÓRIAS.

O arraial de Cruz das Almas, então pertencente ao Município de São Félix, torna-se vila em 29 de julho de 1897. Graças a sua emancipação política, ou seja, ao seu desmembramento de São Félix, através da Lei Estadual 190 de 1897, obteve a sua independência administrativa, com o que, meses depois, já podia organizar a sua primeira eleição para ter Intendente e Conselheiros próprios.


Quanto ao nome do Município, para explicar a sua origem, duas versões foram contadas ao longo do tempo: a primeira, oficializada a partir da obra de Mário Pinto da Cunha “História de Cruz das Almas” publicado em 1959, atribui o nome à existência de um cruzeiro na antiga estrada das tropas, onde tropeiros a caminho de São Félix e Cachoeira paravam para se encontrar, descansar e, principalmente, rezar para as almas, pedindo a elas proteção durante a viagem. Em torno deste local, teriam sido construídas, então, as primeiras casas “de brancos” que formaram o núcleo inicial do lugarejo.


Já uma outra versão, dá-nos conta de que alguns fundadores da vila, estes de origem européia, e por homenagem ou saudosismo pátrio, teriam batizado o novo povoado com o mesmo nome de sua terra natal, a Cruz das Almas de Portugal.

Bem… de certo mesmo, e o que se tem de registro da época em documentos da Igreja Católica, é que através do Alvará Régio do Príncipe Regente Dom João, datado de 22 de janeiro de 1815, a região de Cruz das Almas foi oficialmente elevada, com a bênção da igreja, à condição de Freguesia, recebendo o nome de Nossa Senhora do Bonsucesso da Cruz das Almas, tendo como matriz a igreja de Nossa Senhora do Desterro do Outeiro Redondo e, só anos depois, em 1877, foi construída a Igreja Matriz de Cruz das Almas. Estava pois criado o distrito, mas a escrituração continuou nos livros de Outeiro Redondo até 1857, quando então foi aberto o primeiro livro separado de Cruz das Almas.

Mas é importante lembrarmos de que, apesar do apagamento na História, os primeiros donos e habitantes destas terras foram os indígenas, povos Cariris e Sabujás. E o que aconteceu com eles? Foram expulsos? Dizimados? Nada se sabe ou se fala.

Vamos pesquisar!

FLORIANO DE ARAÚJO MENDONÇA

FLORIANO DE ARAÚJO MENDONÇA, ou Dr. Floriano Mendonça, era natural de Itabuna, nascido em 15 de maio de 1908. Graduado em Engenharia Agronômica, veio para Cruz das Almas para ser professor de Entomologia da então recém instalada Escola de Agronomia. Também lecionava Latim e Português no Colégio Alberto Tôrres. Grande amante das letras, participou ativamente do movimento literário que se instalou em Cruz das Almas graças a fundação do jornal NOSSA TERRA. Escritor, tinha uma redação extremamente escorreita; era cronista, compositor e poeta. Dentre os vários trabalhos tinha publicados os livros: Folhas Dispersas, em 1932; Rumor de Passos, em 1935; O Milagre das Rosas, em 1945 e, em 1972, A Sombra da Torre de Santa Tereza, que retrata o seu período como seminarista. Assinava a coluna intitulada “Pé de Coluna”, na última página do Jornal NOSSA TERRA, que fazia muito sucesso. De sua criação também é a belíssima letra do Hino de Cruz das Almas.