

(…)
Eu não podia deixar
De falar da Prefeitura
Um belo e imponente prédio
De arrojada arquitetura
Abrigou vários mandatos
Fomentou nossa cultura
A prefeitura foi tudo
Nesta cidade, afinal
Foi fórum, foi até cadeia
Câmara e hospital
Abrigou até os bailes
De animado carnaval
A sua fachada linda
Tem colunatas mulher
Duas divas sustentando
Estruturas de alcacer
E lá em cima uma águia
Vela a cidade com fé
Ah! Essa misteriosa águia
Símbolo desta cidade
Hoje tão esquecida
Pra nossa infelicidade
Os jovens nem a conhecem
Porque não a vêm de verdade
Pergunto a quem ali passa
Se já ergueu a cabeça
Para o alto do edifício
Se não o fez não se esqueça
E veja o que lá existe
E depois me agradeça
Ladeando a bela águia
Duas mulheres, contudo
Parecem a Venus de Milo
Com os seus bustos desnudos
Seus rostos de mulher forte
E que merecem um estudo
Protegendo águia e mulher
Estão gárgulas aladas
Duas figuras macabras
Por alguém esculturadas
Formando um belo conjunto
Que hoje nem são notadas
As gárgulas colocadas
Em catedrais medievais
Serviam para impedir
Que demônios infernais
Fossem impedidos de entrar
Nestes sagrados locais
Não consegui informação
De quem queria o escultor
Com as gárgulas proteger
Se de plebeu ou doutor
Que dentro da prefeitura
Fizesse maldade ou terror
Aquela águia me intriga
Desde os tempos de criança
Ela parece que guarda
A cidade com segurança
Seu olhar severo e grave
Enche-nos de esperança
Uma coisa lamentável
Fizeram com as figuras
Que no meu tempo eram brancas
Como mármore, as esculturas
Cobriram com tinta marrom
As insígnes criaturas
(FONTE: A História Política do Cruzeiro das Almas, da Série Cruz das Almas em Cordel – Vol II, Hermes Peixoto, 2014.)

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