AS BANDEIRANTES E OS ESCOTEIROS

VOCÊ SABIA QUE…
Em Cruz das Almas, em 1951 o Movimento Bandeirante, formado só por garotas, antecedeu o Grupo de Escoteiros, criado em 1953, formado majoritariamente por garotos?

(FONTES: JORNAL NOSSA TERRA (1955/1956); HISTÓRIA DE CRUZ DAS ALMAS de MÁRIO PINTO DA CUNHA (1959)

PERSONALIDADES DA EDUCAÇÃO CRUZALMENSE

Certamente você já deve ter ouvido falar de Mata Pereira e Rozentina Marques. Mas, além de nomes de ruas, você sabe quem realmente foram eles?


O Professor Pedro Augusto da Mata Pereira e a Professora D. Maria Rozentina Marques foram oficialmente os educadores responsáveis pela chamada Instrucção Pública na sede da Villa de Cruz das Almas, lá pelos idos de 1900. Ele pela turma masculina e ela pela turma feminina.

WALTER SIQUEIRA, O REI DAS CHARADAS

Walter Siqueira Santos nasceu em Saubara no ano de 1921, mas morou em Cruz das Almas por uma vida, onde constituiu a sua familia, estudou, trabalhou e muito contribuiu para a nossa sociedade. Era um homem muito inteligente, muito culto, que lia bastante. Escrevia e publicava no Jornal Nossa Terra, Jornal A Tarde, Revista Cruzeiro e Revista A Cigarra, isso lá pelos idos dos anos 50. Walter Siqueira, na sua coluna literária do Jornal Nossa Terra, assinava usando o pseudônimo de Matuto Cruzalmense; era considerado o Rei do Logogrifo (charada), chegando a Campeão Brasileiro de Charadismo, esse tipo de desafio literário fazia parte da publicação de quase todos os jornais brasileiros. Em Cruz das Almas foi professor, escrivão e secretário da Câmara Municipal. Uma interessante curiosidade é que Walter Siqueira, já de idade avançada, foi estudar Contabilidade no Colégio Cruz das Almas. E lá, tendo como um dos professores o seu amigo Hermes Peixoto, que era bem mais jovem que ele, diga-se de passagem, mas o já conhecia desde os tempos do Nossa Terra. Hermes Peixoto, conhecendo também a inteligência do agora aluno, perguntou-lhe: – Por que você não faz o Curso de Direito? Walter Siqueira tomou por conselho a provocação do mestre amigo e fez mesmo o curso, chegando a atuar na cidade como tal profissional.
Faleceu em Salvador, em 2002.

FONTE: Informações e foto do jornal Nossa Terra gentilmente cedidas por Hermes Peixoto. Foto de Walter Siqueira: disponível em CRUZ DAS ALMAS -FOTOS ANTIGAS in Facebook

HISTÓRICA ESCOLA DE AGRONOMIA DO BRASIL

Sabia que em 1875 foi criada a primeira Escola de Agronomia do Brasil, mais precisamente em São Bento das Lages, interior da Bahia e que, posteriormente, o curso foi vinculado a Universidade Federal da Bahia, no campus de Cruz das Almas que é, atualmente, a UFRB?

O COLÉGIO ALBERTO TÔRRES – UMA ESCOLA DE EXCELÊNCIA

Na aula inaugural da Escola de Agronomia da UFBA, na cidade de Cruz da Almas, foi solicitado pelos professores da mesma que se construísse uma escola para que seus filhos pudessem estudar. O CAT (Colégio Alberto Torres) foi inaugurado em [14 de março de] 1948 com este objetivo. Além disso, tendo como referencia e patronato Alberto Torres, político brasileiro e ruralista, a escola pretendia formar uma juventude com ímpeto ruralista capaz de contribuir com a nação. Clodoaldo Gomes da Costa, fundador e diretor da escola por muitos anos foi um dos responsáveis pela estima atribuída ao colégio. Homem das letras, escritor, colunista do semanário municipal “Nossa Terra” e idealista da educação, era um dos homens mais respeitados da cidade segundo os escritos corográficos e depoimentos. “Daí o seu grande e esplendente mérito entre nós e o alto e merecido conceito que desfruta em Cruz das Almas esse destacado apóstolo da elevação cultural de nossa gente, que é o Dr. Clodoaldo Gomes da Costa, seu ilustrado e dinâmico diretor. Espírito irrequieto nas lides educacionais. Como todo maragogipano, bem entrado nas letras […]” Assim se referia ao diretor o Jornal Nossa Terra de 12 de dezembro de 1954 que noticiava a formatura da primeira turma de professoras no “Instituto Educacional Alberto Torres”. Ainda num tempo de uma educação de acesso não democratizado o CAT era a única escola da cidade a oferecer o ginásio, ainda não era pública, impossibilitando a entrada de muitos, estudar no CAT aos poucos tornou-se sonho dos jovens cruzalmenses. A CAT foi concebido pra ser uma escola de excelência que formaria os futuros ingressantes da Escola de Agronomia da UFBA, pensando de forma inicial para formar os filhos dos professores da EAB Posteriormente foi expandido para a comunidade cruzalmense até se tornar o maior colégio da região. Aos poucos outras profissões entraram na oferta da escola como: Contabilidade, Administração, Agropecuária, Magistério, além do segundo grau cientifico. Em 1954 foi noticiado com entusiasmo pelo semanário “Nossa Terra” a formatura da turma de Professoras. A vida do colégio, suas festas, bailes, homenagens, feira, mobilizavam a pacata cidade de Cruz das Almas o que fazia com que estampasse as páginas do semanário com certa frequência, de 1954 a 1957 é possível ver a ativa vida da escola, de seus professores e alunos. A formação de professores começou a se destacar na escola. A procura pelas vagas era em grande público feminino. A tendência é criticada pelo jornalista Verdival Pitanga, diretor do “Nossa Terra”, pois os homens não se interessavam mais pelo magistério na medida que se mostra como uma profissão sem retorno financeiro. Escreve Verdival: “26 professoras e apenas 1 professor, particularidade esta que põe em chocante relevo o desencanto do sexo masculino, em nossos dias, pelo sublime e edificante sacerdócio que é o Magistério Público”. (“Nossa Terra” 13 de Novembro de 1955, p 1) Verdival em outros textos refere-se ao magistério como sacerdócio, num sentido da doação e de não esperar muito em troca. No entanto, para muitas moças o magistério abria possibilidade de relativa estabilidade financeira e social. Na medida em que projetavam ganhar seu dinheiro próprio e a própria profissionalização conferia uma respeitabilidade social a estas meninas.

(FONTE: CIVISMO, OTIMISMO E ZELO A PÁTRIA: O COTIDIANO ESCOLAR NOS ANOS DE CHUMBO. Rafael de Jesus Souza (Graduando em História; Bolsista do Programa Institucional de Bolsa Iniciação a Docência) in http://www.historiaoral.org.br/resources/anais/11/1439346891_ARQUIVO_Resumo-HOCivismo,Otimismoezeloapatria.pdf

HISTÓRIA DA ESCOLA DE AGRONOMIA EM CRUZ DAS ALMAS

Vista_aérea_do_prédio_da_Reitoria_da_UFRB_-_Cruz_das_Almas

No dia 1 de novembro de 1859, Dom Pedro I criou o Imperial Instituto Bahiano de Agricultura (IIBA) no município de São Francisco do Conde. Posteriormente, em 15 de fevereiro de 1877, foi instituída a Imperial Escola Agrícola da Bahia (IEAB) vinculada ao IIBA, sendo essa a antecessora da sede da UFRB. No ano de 1905, a IEAB transforma-se no Instituto Agrícola da Bahia, sendo então administrada pelo Governo do Estado da Bahia, instituindo a Escola Média Teórica e Prática de Agricultura em 1911 e voltando a oferecer curso superior em 1920. Em 1931, a Escola Agrícola da Bahia é transferida para Salvador e em 1943 é transferida novamente para Cruz das Almas denominada como Escola Agronômica da Bahia, passando a fazer parte da UFBA em 1968 com o nome de Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (EAUFBA).

Atualmente, a UFRB tem sua administração central em Cruz das Almas, no local que antes era a Escola de Agronomia da UFBA.

(FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_do_Rec%C3%B4ncavo_da_Bahia )