A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA POMBAL

A Estação Ferroviária Pombal, localizada em Cruz das Almas, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, que teve a pedra fundamental colocada em 1880, pelo Senador do Império o Barão de Cotegipe; e inaugurada em 1881, pelo Presidente da Província da Bahia, Conselheiro João Lustoza Cunha Paranaguá, o Marquês de Paranaguá. O engenheiro civil chefe foi o empreiteiro inglês Hugh Wilson, acionista administrador da Brazilian Imperial Central Bahia Railway Company Limited, concessionária da Estrada de Ferro Central da Bahia.

(Foto da placa: acervo Luciano Fraga Fraga )

TROLE ou TRÓLER

Era um tipo de carrinho usado na manutenção das linhas de trem. A relação com os cruzalmenses é que, me contaram, fazia a alegria de muitos garotos que brincavam nos troles, pongados sobre eles nos trechos da Mata de Cazuzinha, em frente ao antigo IBF e até a estação da Coplan.😄

ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Estação Cruz2

A Estação de Pombal foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome foi alterado para Cruz das Almas. Desta estação, que ficava a 6 km do centro do município, deveria sair uma variante que uniria a linha à estação de Santa Teresinha, na mesma linha, atravessando o rio Paraguassu mais para o sul, eliminando o gargalo da ponte entre Cachoeira e São Félix. Esse era o projeto dos anos 1960, que nunca foi construído. Ferroviários da região dizem que a estação recebeu muito cimento vindo de Minas Gerais por via ferroviária nos anos 1970. Ela fica próxima da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que é situada na entrada rodoviária antiga da cidade. A partir de 1970, a lista de estações no Guia Levi já não mostra a estação de Cruz das Almas, mas sim uma estação chamada de Eng. E. Macedo, comumente chamada de Eurico Macedo, que é a mesma – a falta de documentação não permite a confirmação, mas o prédio tem arquitetura dos anos 1930 e o fato de ter sido construída uma nova estação mais próxima à cidade também com o nome da cidade (na linha de Santo Antonio de Jesus, aberta no final dos anos 1950 e erradicada em 1964) levam à quase certeza que a estação mais afastada tenha trocado o nome. “Dá medo visitar a estação Eurico Macedo, é um lugar isolado, não existe absolutamente ninguém; para andar na linha, só quando se acha alguém do lugar que sabe exatamente onde ela fica. Passei em lugares em que mal cabe o trem, não tem vias marginais, só mato e trilho, e se o trem passar no momento exato, aí complica” (Roosevelt Reis)

Conta-nos Geraldo Almeida Souza… “a Estação de Pombal, também conhecida como estação velha. Está viva na minha memória o deslumbramento de criança ao ouvir o apito da maria fumaça e o seu despontar bufando os vapores da caldeira. Tinha uma pequena vila ao seu redor com casas de funcionários da ferrovia. No pátio os vendedores de amendoim, laranja, cocadas e outros alimentos comercializados com os passageiros. Essa lembrança é da década de cinquenta o que prova que o nosso cérebro é um fantástico computador.”

(FONTES: Lorena Silva Santos; Roosevelt Reis; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr.: Estradas de Ferro do Brazil, 1886; A Leste Brasileiro e o Desenvolvimento Econômico da Bahia, 1960; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XX, 1958; Guia Geral das Estradas de Ferro, 1960; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht, via http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cruzalmas.htm )

O RIO CAPIVARI

Conta-nos o memorialista Leandro Costa Pinto de Araújo que, em épocas passadas, paralelamente à Ferrovia Leste Brasileiro, lá pras bandas da Estação do Pombal, corria o rio Capivari de modo contínuo em longo percurso, desde a nascente até o seu desaguadouro no Rio Paraguaçu na cidade de São Félix, no qual havia peixes de várias espécies e eram feitas muitas pescarias, preferencialmente com anzol. Inclusive, no trecho mais largo, em frente da Estação Ferroviária, havia uma ponte de madeira ligando a estrada com destino a Muritiba, destinada à travessia de veículos, pessoas e animais. Por ali passavam também os pequenos caminhões conduzindo fumo beneficiado até o porto de Cachoeira, para ser transportado por via marítima, entre os quais o do armazém de Garridinho, dirigido por Crispim de Adélia. Nas grandes tempestades o volume de água crescia provocando enchentes que atingiam as casas ribeirinhas, indo até o quintal da venda de Aristóteles, situada próximo à ferrovia. Atualmente esta importante dádiva da natureza está agonizante e ecologicamente destruída. Os peixes desapareceram em razão do alto grau de poluição; seu curso d’água outrora volumoso, nos dias atuais é apenas um córrego, interrompido em vários trechos pela formação de brejos e pastagens.

ESTAÇÕES GÊMEAS?

Vejam a incrível semelhança entre estas antigas estações ferroviárias: a primeira é a daqui de Cruz das Almas, e a segunda, já demolida, é de Feira de Santana.

Há quem diga, talvez baseando-se simplesmente na semelhança do desenho arquitetônico, que ambas as estações foram projetadas por Oscar Niemeyer; este blog, porém, em suas pesquisas ainda não encontrou registro documental algum que possibilite afirmar essa versão. 

BAIXA DA LINHA: UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA

Vista da Comunidade da Baixa da Linha. Foto: Fabiane Lima  – 2015.

A comunidade da Baixa da Linha está localizada em terras próximas a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Constituídapor aproximadamente  mais  de  duzentas  casas(…).

Em  entrevista  cedida  no dia  12  de  março  de  2015,  por  um  morador nascido naquele  local, o Sr.  Simão do Nascimento,  este relata que a comunidade surgiu como  ponto de  refúgio  e  trabalho  de  quebrar pedras. Os escravos  que  trabalhavam  em  usinas  de engenhos  em  Santo  Amaro, Muritiba,  Cachoeira  e  São  Gonçalo  dos  Campos  quando da compra  de suas alforrias se  deslocavam  e  buscavam  as  atividades  de  quebradores de  pedra.  Em  decorrência  da  existência  de  jazidas  de  pedras  próximas ao  rio  Capivari e  abertura  da  via  férrea  pela  Rede  Ferroviária  Federal em 1915  e  a  construção  de pontes,  bueiros  e  estações  estes  alforriados quebradores  de  pedras  foram permanecendo  na  área  e  constituindo famílias,  surgindo  assim,  a  Comunidade  da Baixa da Linha que se autodefine como remanescentes de quilombo tendo Certidão de Autodefinição  expedido  pelo  Departamento  de  Proteção  ao  Patrimônio Afro -Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

Certidão de Autodefinição  expedido  pelo Departamento  de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

UM IMPORTANTE SÍTIO ARQUEOLÓGICO – O senhor Simão do Nascimento informa que em 2000 na localidade foram descobertas urnas funerárias (grandes vasos de barro, lacrados), quando moradores aravam as  terras para o plantio de subsistência. Conforme o relato do mesmo foram descobertas três urnas: uma inteira grande, sendo encaminhada para a Igreja localizada na comunidade, e as outras quebradas, que alega não saber o paradeiro. Informando de maneira não clara que um rapaz chamado Val havia levado as urnas para o Centro Cultural de Cruz das Almas e lá retiraram o ouro destas (SANTOS, 2013, p.39). 

Estudos realizados por Nilton Antônio Souza Santos a respeito da relação do trem e a Comunidade Quilombola de Cruz das Almas, torna-se viável perceber uma possível relação, baseando-se na perspectiva de estudos centrados nas comunidades remanescentes de quilombos. E entendendo que o transporte ferroviário fez parte da ascensão da economia brasileira em meados do século XIX, e teve grande importância no desenvolvimento das cidades no Brasil, na maioria delas construídas com fins comerciais, com o objetivo de transportar mercadorias como: café, açúcar, farinha, fumo e outros produtos de peso. E em seguida usada para transportar pessoas, passando a ser um dos mais importantes meios de transporte mais usados da época. Outro item a ser observado é que. para o imaginário brasileiro, quilombos eram agrupamentos de africanos escravizados fugidos das fazendas, engenhos e minas que buscavam reproduzir uma vida comunitária à semelhança da África. [Nem sempre os eram.] 

Sendo assim os relatos de Senhor Simão trás um fundo de verdade, em  que muito se aproxima de um momento de ascensão econômica de nosso país como também das origens da Comunidade Baixa da Linha que se autodenomina como Remanescentes de Quilombo, uma vez que, existe toda uma interdependência. Essa comunidade é composta em sua maioria por  negros, conhecida como “Comunidade da Linha”, por conta da linha do trem existente no devido espaço.

(FONTE: Conservação e Preservação das Urnas Aratu do Sítio Reitoria, Cruz das Almas – Ba. – Pesquisa acadêmica UFRB in https://www.passeidireto.com/arquivo/45174953/conservacao-e-preservacao-das-urnas-aratu-do-sitio-reitoria-cruz-das-almas-ba )

AS DUAS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE CRUZ DAS ALMAS

Você sabia que Cruz das Almas tem duas antigas estações ferroviárias?

A Estação de Pombal, que ficava a 6 km do centro do município, foi aberta pela E. F. Central da Bahia na sua linha principal, em 1881. Mais tarde o nome da estação foi alterado para Cruz das Almas e, posteriormente, novamente alterado para Eng. Eurico Macedo.

A outra estação, que também tem o nome de Cruz das Almas, a do ramal de Conceição do Almeida, foi aberta pela VFFLB em dezembro de 1958; é a que fica ali na entrada da cidade, perto da Coplan. Dizem que foi inaugurada, mas nunca entrou em funcionamento.