FILARMÔNICA LIRA GUARANY

Ata da sessão de fundação da Filarmônica Lira Guarany, ocorrida em 15 de novembro de 1922:

“Aos quinze dias do mês de novembro de 1922, nesta cidade de Cruz das Almas, às dezoito horas e trinta minutos, na residência do senhor Cizino de Oliveira Cintra sai à rua da Vitória, reuniram-se os senhores: Cizino de Oliveira Cintra, Antônio Cruz, João Teotônio de Almeida, Serafim dos Santos, Joaquim Pereira Leite, Egidio Queiroz e um grande número de amigos do senhor Cizino Cintra. Após breve palestra do senhor Cizino Cintra, fazendo ver a todos os presentes os motivos da reunião, foi convidado o senhor Joaquim Pereira Leite para presidir a assembléia geral. O senhor Joaquim agradeceu a escolha de seu nome para presidir aquela memorável sessão, propôs a todos os presentes que proclamassem Nossa Senhora da Conceição Padroeira daquela Filarmônica que estava sendo criada a partir daquele instante, no que foi aceito por todos os presentes. Logo em seguida foi franqueada a palavra a fim de ser escolhido o nome da nova filarmônica. Foram apresentados vários nomes. Depois de muita discussão o senhor Cizino Cintra pediu a palavra e fez a seguinte explanação: “Meus senhores, já que o nosso grupo musical vem atuando como Grupo Guarany sugiro a todos que a nossa filarmônica que acaba de nascer se chame Sociedade Filarmónica Lira Guarany”. Pela sua idéia o senhor Cizino foi aplaudido de pé por todos os presentes àquela memorável noite. A seguir foram escolhidos os nomes para formarem a primeira diretoria, sendo proclamado presidente e regente da nova filarmônica o senhor Cizino de Oliveira Cintra, vice presidente o senhor João Teotônio, secretário Joaquim Pereira Leite, tesoureiro Antonio Oliveira. A seguir o senhor Cizino Cintra agradeceu a escolha do seu nome para presidir a filarmônica que acabava de nascer e pediu a todos muito trabalho para que a nova filarmônica não perecesse, mas crescesse rapidamente para suplantar a filarmônica já existente na cidade. E não ocorrendo mais nada o senhor Joaquim depois de pedir a união de todos, deu por encerrada a Sessão a qual, eu Serafim dos Santos, tive a honra de servir de secretário e lavrei a presente ata que será por mim e por todos assinada. Cruz das Almas, 15 de novembro de 1922.
Serafim dos Santos
Cizino de Oliveira Cintra
Joaquim Pereira Leite
Antônio Oliveira Cruz
Antônio das Neves
João F. de Almeida
Egidio Queiroz
Gregorio Caldas
Antonio B. Oliveira
Maximiano Santos
Serafim Barboza
Antônio Conceição
Otacillio Queiroz.”

Cizino de Oliveira Cintra

ZACARIAS BAPTISTA DE MAGALHÃES

Zacarias Baptista de Magalhães, um dos pioneiros donos de terras em Cruz das Almas e antigo senhor do Engenho da Lagoa e da Fazenda Umbaubeira.

Foi casado com D. Lorena, filha do fazendeiro Possidônio Costa e com ela teve apenas uma filha. Mais tarde, depois de viúva, D. Lorena casou-se com Mateus Ilarião Santana (que é avô do escritor Alino Matta Santana).

Zacarias Baptista de Magalhães era parente do Cel. José Baptista da Fonseca, o Cazuzinha.

(FONTE: a foto e as informações foram gentilmente cedidas por Rafael Costa e por Lorena Rocha Magalhães, descendentes da família Baptista de Magalhães.)

A VISITA DO DEPUTADO E A “INAUGURAÇÃO DE NOVAS RUAS”, NA VILA DE CRUZ DAS ALMAS, EM 1913.

Em linguagem telegráfica e, ao mesmo tempo, laudatória, o jornal soteropolitano “Gazeta de Notícias”, na edição de 23/09/1913, noticia a visita à Vila de Cruz das Almas do deputado Ubaldino Assis, “eminente chefe [do] segundo districto”, que teria sido recebido na estação ferroviária “por mais de seiscentos cavalheiros e pela banda [de música] 5 de Março” e, na Rua da entrada da Vila, por “grande massa popular [e] extraordinário número de senhoras e senhoritas sob chuva de flores”.
A matéria continua com a descrição dos rapapés – que deveriam ser comuns nestes tipos de eventos naquela época -, registrando, em seguida, que foram “inauguradas novas ruas”, com os nomes de Dr. Seabra (o então governador do Estado) e Dr. Ubaldino Assis (o próprio deputado visitante). Parece-me que a rua Dr. Seabra (rua dos Poções) mantém a designação recebida na “inauguração”. E quanto à rua designada como Dr. Ubaldino Assis, continua com o nome que recebeu em 1913? Em caso negativo, alguém sabe como se chama hoje?

(FONTE: João Nascimento in Facebook)

ESTAÇÃO DA LESTE MANOEL VITORINO

Pesquisando sobre qual teria sido a importância da Estação de Pombal (ou Estação Cruz das Almas ou Estação Eng. Eurico Macedo) para Cruz das Almas, encontro no interessante trabalho acadêmico do Historiador Nilton Antonio Souza dos Santos a curiosa informação de que a referida estação também teria tido o nome de Manoel Vitorino.

“A Estação Ferroviária está na memória dos viajantes, dos moradores, dos funcionários em geral. Em um jornal da época foi publicado alguns versos escrito pelo Senhor Avelino Pereira dos Santos:

Saudade expressão que mim recorda
Os meus áureos tempos de menino
Quando passo naquela estaçãozinha
Hoje fechada por força do destino.
Solitária, silenciosa e adormecida
Estação de Leste Manoel Vitorino.
Hoje fechada ela contempla o passado
Desafiando o tempo ainda resiste
Como para servir de testemunha
De muita coisa que não mais existe
Mais quando a vejo alegro-me em revelá-la
Lamentando sua sorte fico triste.
Seu nome lembra um velho Engenheiro
Da nossa republica, um vice – presidente.
Ali comecei minha vida Férrea
Num belo dia e com desejo ardente
Onde meu maior sonho de menino
Era da ferrovia um dia ser agente

A memória é também uma construção do passado, mas pautada em emoções e vivencias. Percebe-se a importância e saudade que ele sente da Estação de Manoel Vitorino, que localizava no Município de Cruz das Almas.”

Daí, buscando mais informações, encontrei o seguinte:

http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/manoel.htm

CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS… PARTE III


“Esse mundo todo de gente é daqui da cidade; agora você não imagina quanta gente vem das cidades vizinhas para fazer a feira aqui. Olha prá o abrigo lá da praça e veja quem vai chegando; é o Baratinha, na sua conhecida Marinete vermelha cor do barro das estradas por onde ela rodopia. Vem trazendo de Cachoeira o pessoal que chegou pelo vapor da Baiana, vindo da Bahia e a rebarba de gente que ponga pulos caminhos em Muritiba, Mão Divina, Cabeças e pelas estradas afora, que dividem os matos em duas bandas por este mundão de terra, fazendo a gente chegar de um lugar a outro todo sujo e chocalhando.
Vem, também, gente de Sapé, de Afonso Pena…”

Renato Passos da Silva Pinto Filho.

O CARURU DE SETE MENINOS

Oferecer caruru de São Cosme e São Damião para 7 meninos é uma tradição, que infelizmente, tem se perdido com o tempo.

Sete garotos (algumas casas aceitavam meninas) sentados no chão e no meio um grande prato de barro com caruru, vatapá, galinha, feijão fradinho, feijão preto, banana frita, farofa de dendê, rapadura, pipoca, cana, abará, acarajé…

Primeiro, eram entoados cânticos para os santos gêmeos da igreja católica e ibêjis do candomblé.
Depois, era autorizada a comilança!

Sim, um (bom e inesquecível) momento de farra: os pequenos avançavam, metiam a mão no prato, muitas risadas, caras lambuzadas de caruru, era dendê nas paredes, nos cabelos…
E a disputa pelo pedaço de galinha? Era a parte mais cobiçada, sendo comum um querer tirar o pedaço da ave da boca do outro!

Dizia a tradição ainda que quem encontrasse um quiabo inteiro, no ano seguinte deveria oferecer um caruru dedicado aos santos.
Havia também a tradição de distribuir pelas ruas, queimados/balas/doces para os pequenos.
Mais do que uma farra, era uma festa! Salve, São Cosme e São Damião!

E você, essa experiência faz parte das suas lembranças de infância?

(Baseado no texto do Professor Adson Brito do Velho, Salvador,Bahia)

CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS…PARTE II

“E quanta gente vem dos povoados, fazendas e sítios distantes do centro da cidade: vem todo mundo que mora nas terras da Escola de Agronomia, vem toda gente da Chapadinha, da Serraria, desce gente da Matataúba, da Boa Vista, do Coqueirinho e Baseana; não fica ninguém no Campo Limpo, e o mesmo acontece em Batatan, Sapezinho, Conceição Velha e Caminhoá; lá vem chegando o povo de Poções, da Umbaubeira, do Araçá, da Boca da Mata e do Oitão; chega gente, e mais gente, e lá vem gente que não acaba mais; não sei como é que dá todo mundo aqui na praça. Chega o povo da Embira, da Santa Júlia, da Tapera, do São José, do Alegre, do Taboleiro da Miséria, da Laranjeira e da Taboca; tem gente que chega de caminhão da Sapucaia, de Oliveira, de Monte Alegre; muita gente do Oiteiro Redondo, do Capivari, do Mirante; do Bom Gosto e da Melancia, chegam desde a noite para se acomodarem cedo e se alojarem nos seus lugares; tem gente chegando montada em animais, em cima das carroças e dos carros de bois das Três Bocas, lá do Combê, do Tintureiro, da Tábua, da Tiririca e do Engenho.”

Renato Passos da Silva Pinto Filho

CRUZ DAS ALMAS DOUTROS TEMPOS… PARTE I


Notem os nomes de algumas localidades, entre as décadas de 40 e 50:

“Vem gente da rua Assembléia de Deus, do Beco do Futuca, da rua da Jurema, da rua do Sacopan, da rua do Hospital onde fica o Hospital Nossa Senhora do Bom Sucesso, da Mata do Casuzinha e da rua do Genipapo; vem mais gente da rua da Malva, da rua das Flores, da rua da Cadeia, da rua dos Poções, da rua da Casta Suzana, da rua do Anjo, da rua Santo Antonio, da rua da Vitória, da Baixinha da Vitória, do Pulo do Bode; vem todo mundo do Beco de Martiniano Gomes, da rua do Cemitério e onde fica o Cemitério, rua da Palmeira, da Praça da Bandeira, rua da Tabela, do Beco do Cinema, da rua do Joga Pinico, do Alto do Rolete, da rua Desidério Brandão que era o marido de Dona Amanda e pai de Alvaro Brandão; e lá vem mais gente da rua Cicero Nazareno, da rua Crisógno Fernandes pai de Maria Helena, da rua do Itapicuru, da rua da Estrada de Ferro e das outras ruas de cujo nome agora não me lembro.”

Texto de Renato Passos Silva Pinto Filho.

O JACARANDÁ DA PRAÇA DA MATRIZ

Sabia que o Jacarandá-da-Bahia, no jardim em frente a Catedral, foi plantado por alunos do CEAT no ano de 1952, para marcar o início da primavera daquele ano?

Antigamente a chegada da primavera era comemorada todos os anos em Cruz das Almas. A Semana da Primavera era um grabde e movimentado evento cultural promovido para estudantes do primário e do CEAT, com direito a lanche, plantio de mudas, bonitos desfiles com alegorias, jogos da primavera, eleição da Rainha da Primavera, etc.

O HOMEM QUE CRIAVA JIBÓIAS

Você, cruzalmense, conheceu ou já ouviu falar de Seo Láo, dono de uma pensão no Centro da cidade e que criava duas jibóias soltas dentro de casa? Segundo contam, ele dizia que eram para comer os ratos e que elas eram mansinhas. Inclusive, Seu Láo gostava de exibir-se saindo para passear com as cobras no pescoço. E aí… esta estória procede?