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Bar de Barrão, na Avenida Alberto Passos em 1960

Quem viveu em Cruz das Almas/BA nos anos oitenta há de se lembrar do Bar do Barrão. Estabelecimento comercial, tocado pelo simpático Barrão. Ficava bem ali na Avenida Alberto Passos, pertinho da praça Senador Temístocles. Era frequentado predominantemente por pesquisadores da Embrapa e professores da então Escola Superior de Agricultura (a primeira do Brasil), hoje Universidade do Recôncavo. Por lá passavam também pessoas simples e modestas da comunidade. Lugar democrático, supostamente sem preconceitos. (…)

Naquele pequeno espaço cabia mais o moleque e alegre aconchego baiano que pilantragem e maldade. Para quem sabia curtir, era um bom exercício de superação de preconceitos e reafirmação de amizades. Maravilhoso, frequentado por muita gente boa.

Nada de fino cardápio. O que rolava era carne de sol gorda cozida em pedaços, passarinha, pititinga, torresmo, mocotó e tripa de porco fritas. Sempre duas, no máximo, três dessas opções. Bolos e salgados. As bebidas resumiam-se na cerveja, cachaça, fernet, underberg e vermute. Copos, talheres e pratos duralex sempre arranhados e embaçados. Cada um pegava sua cerveja, dosava sua purinha, o traçado e se servia do tira-gosto. Quando muito, alguém fazia um prato coletivo para revezar de mão em mão no meio de seu grupo.(…) Nenhuma alma a reclamar de nada. Bebendo e comendo com se estivessem todos num refinado banquete.
Uma caderneta encardida de espiral, amassada e sempre úmida era o “caixa” do estabelecimento. Sucesso também era, no Carnaval,  o tradicional churrasco no espeto.

Barrão abria seu boteco à tardinha, sol se pondo. Não demorava muito, a turma ia juntando aos bandos. E dá-lhe prosa, predominantemente sobre política. Diferentemente de hoje, as discussões não eram apaixonadas nem cegamente enviesadas. Muito menos agressivas. Com maioria de gente culta e de boa racionalidade, conduziam-se diálogos maduros, chegando-se, no improviso e no bafo alcoólico, a interessantes e valiosas análises políticas conjunturais. Atravessávamos, na época, o governo do último general. Aquele destrambelhado do “prendo e arrebento”, que era mais motivo de chacota que de referência.

(FONTE: http://jornalalerta.com.br/davi-nao-davino/ )

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