A Sociedade Agro Comercial Fumageira, como empresa foi constituída em 1950, para se dedicar exclusivamente ao cultivo científico do fumo Sumatra. A orientação técnica ficou sob a responsabilidade de Fernando Meyer Suerdieck, que havia recebido treinamento nos Estados Unidos. Durante dois anos (1947/49) ele estagiou em Hartford, Connecticut, nas plantações de H. Duys & Co. Inc., empresa holandesa que produzia na América o fumo originário da Indonésia. Em vista do sucesso, Fernando foi buscar os ensinamentos necessários à introdução da sua cultura em Cruz das Almas. Em extensas plantações cobertas com gaze, o fumo capeiro foi cultivado com a mesma qualidade do nativo indonésio. A Agro chegou inclusive a contratar um especialista, Johannes Andreas Scheltes, que se fixou em Cruz das Almas.

A Agro Comercial Fumageira foi concebida com o propósito de tornar a Suerdieck autossuficiente na matéria-prima usada no capeamento dos charutos claros, pondo um ponto final nas importações de fumos nobres, da Indonésia e de Cuba. Luiz Eloy Passos, produtor e enfardador de fumos, entrou como sócio da Agro. Seu capital foi formado por terras privilegiadas, desmembradas da Fazenda Santa Júlia, onde foram iniciadas as plantações, pioneiras no país, do fumo oriundo da Indonésia, batizado como Sumatra-Bahia.

A Agro Comercial, sozinha, chegou a empregar acima de 2 mil trabalhadores, número esse que aumentava durante os períodos de picos de produção. Já o conglomerado Agro Comercial Fumageira e Suerdieck somava até 5 mil funcionários.

A área de cultivo de fumo da Agro comercial Fumageira chegou até cerca de 500 hectares, com uma produção anual em torno de 500 toneladas de fumo. Aproximadamente 90% da produção era exportada e o restante era comprado pela Suerdieck Charutos e Cigarrilhas. Havia produção de fumo durante quase todos os meses do ano, pois os cultivos eram programados para tal. Os países importadores do fumo produzidos pela Agro eram: Estados Unidos, Holanda, Bélgica, França e outros.

A Agro Comercial Fumageira aprimorou o cultivo de fumo e introduziu novas tecnologias, elevando a produtividade de 780 para 1.200 kg por hectare. Houve um período em que sua equipe atendia 25% da demanda mundial de fumo para capa. Isso representava um faturamento anual de US$ 12.000.000,00. Sem dúvida, uma contribuição extraordinária para a economia cruzalmense.

(FONTE: Ubaldo Marques Porto FILHO. Suerdieck Epopéia do Gigante.)

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