A vida de pesquisador é realmente uma caixinha de surpresas. Vejam vocês que encontrei, numa edição do Nossa Terra de 1957, um artigo de Mário Pinto da Cunha, em em o memorialista discorria sobre o que ele próprio chamou de “solecismo histórico”.

“Muito já se tem escrito e falado sobre os nossos equívocos e desacertos no registrar os fatos da vida nacional. Certamente, os nossos historiadores e cronistas sofrem a influencia do temperamento latino, que nos faz ver analisar as ocorrências em função das preferencias, simpatias e outros fatores do momento. É claro que os temos também criteriosos e emancipados, como Oliveira Lima e Rocha Pombo. Não obstante, continua a ser a verdade histórica, mesmo nos tempos modernos, coisa muito relativa. Daí vermos tanto vilão alçado a dignidade de herói e vice-versa. Dizemos isto sem pretensões outras a não ser o desejo de contribuir para ver eliminados, se possível, ao menos os solecismos históricos mais comuns(…) Além do aligeiramento e superficialidade dos estudos e pesquisas, temos a lenda a superar, muita vez, a realidade.(…)São inúmeros os nossos solecismos históricos e fantasias. E precário o testemunho dos povos, e por isto para uns Calabar é herói, para outros traidor. São as histórias da Historia.”

Pois é, né…

notícia do mês

A Vila de Cruz das Almas ganhou foros de cidade, através da Lei Estadual nº1.597, em 31 de agosto de 1921.