Chegando na Bahia no ano de 1888, o fundador da empresa August Suerdieck veio para o interior baiano como empregado da firma alemã F. H. Ottens, que o enviou a Cruz das Almas a fim de fiscalizar o enfardamento de fumo.
Quatro anos depois, comprou da firma onde trabalhava o seu próprio armazém. Criou sua própria empresa em Cruz das Almas, como exportador e enfardador de fumo, dedicando-se também ao cultivo da planta nas matas de São Félix e Cruz das Almas. Em 1935, deu início a manufatura de charutos no município de Cruz das Almas. Nesse ano, possuía apenas 50 trabalhadores, mas 10 anos depois, esse número subiu para 500 empregados.

As redes ferroviárias na Bahia promovem o nascimento de cidades, sua urbanização e progresso. Igualmente, as fábricas de charuto delimitam o florescimento do poderio econômico de cidades como Maragogipe que não fora contemplada com a ferrovia, mas foi elegida o maior parque charuteiro da América Latina.
A qualidade do fumo Suerdieck permitiu que esta fábrica ficasse conhecida na Europa proporcionando grandes lucros. A vinda do irmão de August, Ferdinand Suerdieck para a Bahia, tornaria possível em 1899 a instalação do primeiro armazém e em 1905 se constrói a primeira fábrica Suerdieck em Maragogipe.
A segunda metade do século XX é marcada por momento complexo, como o apogeu de muitas fábricas e armazéns como a Suerdieck com instalações nas cidades de Maragogipe, Cachoeira e Cruz das Almas, entretanto, não duraria muito para acompanharmos a partir da década de 1990 o fechamento de algumas, inclusive a Suerdieck de Maragogipe que teve suas instalações transferidas para Cruz das Almas.

No ano 2000, a maior produtora de charutos e cigarrilhas do Brasil, a Suerdieck ,instalada na Bahia havia mais de 100 anos, fechou sua última unidade na cidade de Cruz das Almas, dispensando os cem funcionários. Desde o início dos anos 90 a empresa vinha passando por dificuldades financeiras, acumulando um passivo bancário próximo dos R$ 20 milhões. Mesmo com a crise, a Suerdieck produziu no ano de 1999 cerca de cinco milhões de unidades, bem mais que a segunda maior charuteira baiana, a Menendez-Amerindo, que fabricou cerca de 3,5 milhões.
Os problemas da Suerdieck foram provocados por falta de capital de giro para financiar a lavoura de fumo. Isso levou ao fechamento da unidade da cidade de Maragogipe em 92. Mas a situação se agravou com os sucessivos prejuízos da Agro Comercial Fumageira, outra empresa do grupo (que chegou a empregar mais de cinco mil pessoas até o final dos anos 80) responsável pela produção do fumo usado na confecção dos charutos e cigarrilhas.

notícia do mês

A Vila de Cruz das Almas ganhou foros de cidade, através da Lei Estadual nº1.597, em 31 de agosto de 1921.