
Conta-nos o escritor Cyro Mascarenhas que, na década de 80, Cruz das Almas teve um barzinho bem transado, na Rua da Malva, onde frequentavam poetas, escritores, artistas plásticos e muitos intelectuais. O poeta Zezinho Cordier era seu proprietário. Como frequentador, nas oportunidades que voltava a Cruz das Almas, vivia bons momentos por lá e escreveu esse poema em sua homenagem. Muitos dos que leem se lembrarão dele.
POEMA BAR. Rua da Malva s/n
Na rua do povo
povo poema
poema-se bar
poema-se povo.
Povo oprimido
cheirando a fumo
faz parir
das entranhas deste bar
sua arte
sua graça.
Na expressão dos artistas
povo canta a sua alegria
povo geme a sua dor
povo chora a sua tristeza
povo brada a sua revolta
mas avisa que o amanhã
será diferente.
Na rua do povo
povo poema
poema-se bar
poema-se povo.
Nov. 1984

