
Estava aqui a pensar… qual seria a missão, o propósito da existência (e resistência) do Almanaque Cruzalmense?
No trem da História, a viagem não acaba nunca. Só os viajantes é que param, descem em diferentes estações. E mesmo assim, podem prolongar a viagem em memória, em lembranças, em narrativa. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É possível (e, às vezes, preciso) ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir ou para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recontar a viagem. Sempre.
(Baseado no texto de José Saramago e inspirado na Estação de Pombal)

