
Quem passa pelos arredores da antiga Escola de Agronomia, atual sede da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Cruz das Almas, logo se depara com uma construção que, à primeira vista, desperta a curiosidade de muitos. Trata-se de um casarão imponente, envolto em um mistério, conhecido como Palácio do Candeal. Sua história, porém, vai muito além das paredes que o sustentam. Ele é o reflexo de um tempo em que a cidade começava a se firmar como pólo de desenvolvimento e educação, abrigando a Escola de Agronomia da Bahia.
A lenda mais difundida sobre o Palácio do Candeal remonta ao período da intervenção federal na Bahia, sob o comando do general Renato Onofre de Pinto Aleixo, nomeado interventor do estado. Conta-se que, em uma visita programada à Escola de Agronomia, foi construída nas terras da instituição uma residência de inverno especialmente para receber o general, uma construção erguida com o propósito de ser à altura do ilustre hóspede.
O que torna essa história ainda mais interessante é o fato de que, segundo alguns, o casarão poderia ostentar o status de ser um dos palácios oficiais do governo baiano, tal qual o Palácio de Ondina, o Palácio da Aclamação ou até o Palácio Rio Branco. Afirma-se que o interventor teria ficado hospedado por alguns dias no local, chegando até mesmo a despachar documentos e assinar um decreto estadual dali. No entanto, quando consultado sobre o assunto, o Governo do Estado da Bahia não encontrou registros que comprovassem tal versão, transformando o casarão em um enigma histórico.
Independentemente da veracidade dos relatos, o Palácio do Candeal permaneceu como uma referência marcante na paisagem da Escola de Agronomia. Nas décadas de 1950 e 1960, o prédio servia como alojamento para os pré-vestibulandos que vinham a Cruz das Almas realizar o Exame de Admissão ao curso de Agronomia. Era um tempo em que a cidade fervilhava de jovens estudantes, e o casarão desempenhava um papel crucial nesse cenário educacional.
Atualmente, o casarão já não ostenta o mesmo prestígio de outrora. O tempo passou e, hoje, o Palácio do Candeal está ocupado por quatro ou cinco famílias que dividem o espaço da residência. O outrora majestoso casarão, hoje desprovido do status de “palácio oficial”, permanece como um símbolo da história viva de Cruz das Almas, envolto nas suas narrativas, fatos e lendas que o circundam.

