
Ainda imbuído do espírito pré-momesco, trago hoje memórias do Carnaval de Cruz em 1956, através da crônica de Ene-Eme, publicada no semanário cruzalmense Jornal Nossa Terra:
O povo não tomou conhecimento de golpes, estado de sítio, estando vibrando de alegria e entusiasmo. Sem comissões, sem comandantes e quartéis generais, o povo brinca e expande os seus sentimentos. O formidável Leonel Bambá, maneja caprichosamente a sua batuta, apresentando a notável batucada “Sou Artista ou Não?”, capaz de desfilar e causar sucesso, até na capital da República. Nos gramados da folia, “Vasco e Flamengo” confraternizam-se, em peleja amistosa, dirigida com sucesso pela notável Dadinha. Os “caboclos” também se movimentam, enquanto os «bumbas meu boi», começam a farrear e a correr pelas ruas da cidade.
A querida Euterpe, está sendo a pioneira do nosso Carnaval, com sua ornamentação expressiva e seus animados bailes.
A rua dos Poções, continua em franca atividade, pró eleição da mimosa Aidil Sobral, tão linda como as manhãs primaveris, tão magnetizadora como os raios de Phebo.
O arrojado nortista Amorim, vai revolucionar os meios carnavalescos, com sua grande marcha “O barnabé”, idealizada por um gaúcho e por ele musicada, em homenagem aos funcionários da verba três.
Com seu olhar de mistérios infindos, Bernadeth Falcão organiza um bloco supersônico, uma grande surpresa e autêntica novidade.
A “Turma do Funil” baterá o record, enquanto o popular Zeca Dois Velhos, (aqui prá nós) sairá fantasiado de girafa. É segredo!
0s vitorianos trabalham ocultamente, ansiosos para o grande dia da vitória de sua candidata. Da mesma forma que os creusistas, com mais de vinte mil cruzeiros arrecadados estão certos que subirão ao poder.

