Lembrei-me que amanhã, dia 4 de agosto, será o Dia do Padre. Me deu vontade de falar de um homem que não conheci pessoalmente, mas que gostaria muito de tê-lo conhecido. Falo do Cônego Antônio da Silveira Franca, o primeiro intendente da então Vila da Cruz das Almas. Sim, você sabia que o primeiro gestor desta terra era um padre? E acho que não era um padre comum, não. Era desses que não se contentam em rezar apenas pelas almas, mas que arregaçam as mangas e trabalham por elas, aqui mesmo, no chão batido do mundo.

Conta a História que ele tomou posse como Intendente, juntamente com os primeiros Conselheiros, em 1º de dezembro de 1897, e desde então não descansou um só dia sem pensar em como afastar a escuridão que não vinha da noite, mas da ignorância. Já na sua primeira gestão, consta em relatório que ele inaugurou seis escolas na nova vila (lembre-se que era 1897).

“Cada escola que abrirmos será mais um foco de luz”, dizia ele, como se tivesse uma lanterna guardada no bolso da batina, pronto para acender na vida dos meninos e meninas da vila. Para o Cônego Franca, a Educação era mais que um direito – era a chave da liberdade, a arma contra o servilismo que diminuía o caráter de um povo.

Eu fico imaginando aquele homem caminhando pelas ruas não calçadas ainda, cumprimentando a todos com um sorriso firme, a batina negra balançando ao vento, enquanto a cabeça fervilhava de planos para erguer escolas, iluminar mentes, libertar consciências. Governou com patriotismo até 14 de outubro de 1901 quando, segundo registros oficiais, renunciou para se dedicar novamente às atividades pastorais na Capital da Província. Mas, se foi para outro canto, deixou por aqui a certeza de que um padre pode ser também um estadista, um guia não só das almas, mas das ideias.

Amanhã, enquanto a cidade vive o tempo moderno, penso que seria interessante o Poder Público trazer à memória esse homem que acreditava que abrir uma escola em Cruz das Almas era acender uma estrela no céu do futuro do Brasil. E não é que ele estava certo? Olha aí que temos o Prédio Escolar Comendador Themístocles, o Ginásio Alberto Torres (atual CETEP), a Escola Agronômica e, a caçula, UFRB que formaram e formam homens e mulheres de mentes iluminadas e espalham conhecimento pelo mundo. Talvez o Poder Público Municipal devesse lembrar mais vezes das lições do seu primeiro gestor, o Cônego Antônio da Silveira Franca: cuidar da Educação, da liberdade de pensar e fazer o que ditam a ética e a justiça. Porque, sem isso, nenhum povo é realmente feliz.

E assim, amanhã, neste Dia do Padre, minha prece é simples: que tenhamos mais homens como o Cônego Antônio da Silveira Franca, capazes de transformar fé em ação, sermão em mudança, e cada pequena vila em um lugar iluminado pelo saber.

notícia do mês

A Vila de Cruz das Almas ganhou foros de cidade, através da Lei Estadual nº1.597, em 31 de agosto de 1921.