VAMOS, SIM, CANTAR O HINO A CRUZ DAS ALMAS!

Um dia desses me dei conta de que por mais que eu já tivesse ouvido o Hino a Cruz das Almas, nas belíssimas vozes de Meyre Kal, Cássia Maria, Rogério Lima e até do sanfoneiro João Junior, e já ter cantado diversas vezes em solenidades públicas, sempre havia um verso ou outro que me deixava meio “encucado”. A melodia vinha, o peito se enchia de orgulho, e lá estava aquela palavra que parecia ter escapado de um livro antigo, dessas que não se ouve no cotidiano de simples mortais.

E foi aí que me peguei com uma questão muito séria: será que tem gente que evita cantar o hino do município  justamente por isso, por não entender a letra? Ah, não! Eu me recuso a aceitar a ideia de boicotá-lo, de preferir nem executá-lo por achar que o público em geral tem dificuldade de cantar o hino. Na moral… Só porque o hino tem palavras bonitas demais? Ora, quando não se entende uma palavra, não é motivo para afastar-se dela, mas sim uma oportunidade para aprender ou ensinar as pessoas a se aproximarem dela. Conquista-se através da beleza da letra. É nossa literatura!

Bem, aproveito o Almanaque Cruzalmense para resolver, fazer o que talvez devesse ter feito já há muito tempo: perguntei  o que aquelas palavras querem dizer no hino. E elas, vaidosas, foram se revelando, uma a uma…

O RECANTO, por exemplo, contou que é um lugar muito bonito, de clima agradável. O APRAZÍVEL sorriu dizendo que é algo prazeroso, gostoso de estar. O FERAZ se gabou de ser fértil, produtivo. A PUJANÇA chegou com peito estufado: potência, vigor, poder. O ARDOR veio quente: fervor, entusiasmo, paixão.

O ESCOL olhou de cima e disse: “sou o que há de melhor, a elite”. O ENTERNECE falou, emocionado: “eu comovo, eu impressiono”. O TORRÃO pisou firme no chão: solo, lugar, terra. O VIÇO veio com frescor de manhã chuvosa: exuberância, beleza. O TABULEIRO (de frutos coberto, e não soberbos) apontou para o horizonte: “sou patamar, planalto, platô”.

O VIGOR apareceu musculoso, força e energia pura. Os DITOSOS dançaram sorrindo: afortunados, felizes, venturosos. O MADEIRO mostrou uma cruz. O BENZENDO veio de mãos erguidas, abençoando. E o CRUZEIRO, imponente, ficou parado, como quem guarda a entrada da cidade: grande cruz de madeira, erguida junto às estradas, nas praças e igrejas.

Sabendo disso, agora a letra do hino já não soa tão distante. Cada verso ganha significado; e cada palavra, rosto e história.

Assim, na próxima vez que esta belíssima composição do poeta Floriano Araújo Mendonça e do maestro Eduardo Vieira de Melo começar a tocar, vou escutar e cantar com mais gosto. Não só porque “eu me orgulho de ti, Cruz das Almas”, mas porque agora entendo cada letra, cada palavra e cada linha que celebra esta cidade, em harmonia.

notícia do mês

A Vila de Cruz das Almas ganhou foros de cidade, através da Lei Estadual nº1.597, em 31 de agosto de 1921.