Hoje, 14 de dezembro, lembrei-me do 83º aniversário de nascimento do amigo Carlos Alberto Passos, “Seo Carlinhos” para os amigos próximos, “Marreta” para os mais antigos. Era sobrinho de Jacinta Passos e tio ou primo de Luciano Passos, portanto descendente da tradicional Família Passos. E, sempre que eu o encontrava, cumprimentava-o falando o seu primeiro nome de forma efusiva: “Carlinhos!…”;  e, dava uma pausa teatral para completar com o seu sobrenome, diminuindo o entusiasmo: “…Passos”, o que dava um peso senhorial à fala. Ele me olhava meio bravo e depois sorria, apertando-me a mão:

–  Você é terrível!

Grande  ator, roteirista, diretor de teatro e produtor musical. Jornalista de formação, era um ranzinza, reclamava de tudo, mas com um propósito: de que as coisas mudassem para melhor.

Fiquei relendo os textos dele e rindo. Que saudade. Embevecido, não consegui produzir uma crônica autoral para hoje, como de costume; mesmo porque não caberia. Então, trago um texto, ipsis litteris, de Carlinhos Passos para alegrar o nosso domingo:

“FEIJOADA BAIANA?

Por Carlos Alberto Passos

Se existe uma comida saborosa – e pesada – é a feijoada carioca. Sim, existe uma diferença com a que comemos aqui na Bahia. Onde já se viu colocar mocotó dentro dela? Até por que o mocotó perde o seu sabor, ao cozinhar junto do feijão preto. Seus ingredientes verdadeiros são a costelinha, bacon, o lombo, lingüiça e o rabinho do porco; e da vaca só a carne seca. Acompanha a couve mineira, farofa e rodelas de laranja. Essa, para aliviar o estômago!

Aqui, na Bahia, talvez pelo preço, inventaram colocar tudo que é carne no feijão.

Uns dizem que foi criação dos escravos, pois os escravocratas jogavam fora partes menos nobres do porco. Já outros estudiosos garantem que é um prato milenar vindo com os portugueses. Na Europa eles tinham o cozido e o cassoulet (feito com feijão branco). Até por que os escravos eram islamitas – que interdita (como os judeus) devorar carne de porco.

O certo mesmo é que o feijão preto e a mandioca têm origem na América do Sul.

Na década de trinta o movimento intelectual (antropofágico) com os escritores e artistas brasileiros, apresentaram a feijoada como signo da brasilidade, uma verdadeira alegoria da cozinha brasileira. Estômago fraco tem que ir com certa cautela.

Hoje é o prato mais famoso do Brasil. Mas depois de devorá-la se faz necessário um encosto e um cochilo!

E seja o que Deus quiser!”

Carlinhos Passos fez a passagem para o plano espiritual em 2018

notícia do mês

A Vila de Cruz das Almas ganhou foros de cidade, através da Lei Estadual nº1.597, em 31 de agosto de 1921.