Se você é cruzalmense, de nascimento ou por adoção, certamente já ouviu falar de Galeno D’Avelírio. A ele foi dado, pelos intelectuais da cidade, o título de poeta maior de Cruz das Almas. E, recentemente, lendo o poema Natal escrito por ele e publicado em 1954 no Jornal Nossa Terra, entendi, definitivamente, o porquê da justíssima homenagem.

Utilizando uma linguagem simples, Galeno produz um belo poema que é um retrato sensível de um poeta que olha para a data mais simbólica do calendário cristão a partir da solidão da sua memória de criança. Nela, não há festa ruidosa nem alegria fácil. O que existe é silêncio, noite escura, céu estrelado e um coração atravessado pela saudade.
É interessante como Galeno escreve como quem conversa consigo mesmo. A infância surge como um lugar distante, quase inalcançável, carregado de lembranças vagas e dores antigas. A estrela que cintila no céu não é apenas um símbolo religioso. Ela se transforma em confidente muda, testemunha das feridas da vida adulta e da luta íntima de quem ainda anseia, mesmo cansado.
Na segunda parte do poema, o Natal aparece em contraste direto com a solidão do poeta (ou do seu eu lírico). A figura de Papai Noel, tão cheia de encanto na infância, agora surge esvaziada, sem deixar marcas reais no presente. O sapato vazio resume essa sensação de abandono e de promessas não cumpridas.
Resumindo, neste poema Natal não é apenas uma data: reflete o tempo que passou, a inocência perdida e a dura constatação de que crescer também é aprender a conviver com ausências. Galeno nos entrega um texto simples, mas profundo, que toca justamente por não tentar disfarçar a tristeza que, muitas vezes, também faz parte dessa noite sagrada.
Ah, Galeno, Galeno… nosso poeta maior!
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