
Nós, do Almanaque Cruzalmense, sabemos da importância e fazemos questão de lembrar alguns pontos da memória afetiva de Cruz das Almas.
Quando foi inaugurado, em 1948, o Colégio Alberto Torres resumia-se a um único edifício, o chamado Prédio Principal. Era ali que tudo acontecia. As aulas, os encontros, os primeiros passos de gerações inteiras de cruzalmenses.
O mais bonito é constatar que esse mesmo prédio continua em funcionamento, permanece de pé, firme, exibindo uma arquitetura que resistiu ao tempo com dignidade. Quem já atravessou seus corredores reconhece de imediato o piso de cerâmica hidráulica em vermelho e preto, marca forte de uma época em que as escolas também eram pensadas para durar e para encantar.
Há ainda um detalhe que fala direto ao coração de quem estudou ali. No saguão do Prédio Principal, a frase que acolheu alunos por décadas faz parte da memória afetiva da cidade:
A instrução é dote que não se gasta, direito que não se perde, liberdade que não se limita. – Coelho Neto
Não é apenas um ensinamento na parede, é um lema silencioso que formou consciências e acompanhou vidas inteiras.
Vivemos agora um momento importante, com a reforma necessária e aguardada. Nosso desejo, no entanto, enquanto guardiões da memória local, é que esse processo preserve tanto as características arquitetônicas originais quanto essa mensagem histórica. Cada ladrilho, cada traço e cada palavra ali escrita contam um pouco da formação educacional e humana de Cruz das Almas.
Para nós do Almanaque Cruzalmense, falar do Alberto Torres tem sido mais do que falar de um prédio escolar. Tem sido respeitar a memória coletiva, reconhecer que o passado bem preservado fortalece o presente e inspira o futuro. É isso que esperamos. É isso que defendemos.


