Já não temos mais o Carnaval em Cruz das Almas. Digo, a festa momesca mesmo, de verdade, como era em tempos idos. Nas últimas décadas mudou muito. Principalmente se compararmos como era comemorada na cidade a folia de Momo, também chamada de Mi-Careme ou Micareta, lá pelos anos 30, 40 e 50.
Havia muitas agremiações que promoviam as festas carnavalescas por aqui: Cruz das Almas Clube, Lira Guarany, Euterpe Cruzalmense, Sociedade dos Artífices e o tão aguardado, mas acessível para poucos, Baile do Paço Municipal.
Os bailes noturnos iniciavam-se na sexta-feira e iam até a terça-feira “gorda”. E, para a criançada aconteciam as matinês aos sábados, domingos e terças à tarde. Todos dançavam ao som de marchinhas antigas ou as que foram lançadas naqueles anos por famosos cantores da época. As execuções sempre eram realizadas pelas filarmônicas ou por pequenas orquestras com músicos e cantores que sabiam como animar os foliões; estes se divertiam jogando confetes e serpentinas uns nos outros e, inclusive espirravam o lança-perfume, que acabou tendo seu uso proibido em 1961.
Os brincantes se vestiam com roupas leves e tinham acessórios para compor o visual e se apresentavam com chapéus enfeitados, máscaras, colares e pulseiras, exagero nas pinturas do rosto, algumas peças que lembravam fantasias estilizadas, homens que se produziam grotescamente com roupas femininas. Ainda havia aqueles grupos de amigos que mandavam confeccionar vestuários num mesmo modelo, para ficarem iguais, formando assim, um bloco para curtirem juntos. Assim surgiram “Os Ciganos”, “As Donzelas”, “Os Vips”, entre outros.
Uns poucos iam com vestimentas lúdicas mais elaboradas para participarem dos concursos de fantasias nas categorias: luxo e originalidade. Nem todos promoviam concursos, porém um dos mais disputados era o do Cruz das Almas Clube.
Havia também a coroação da Rainha do Carnaval que tinha sido eleita depois de disputada campanha nos dias que antecederam a festa e movimentava todas as comunidades que as candidatas representavam.
Nas ruas, as pessoas se divertiam assoprando apitos ensurdecedores e espirrando, com bisnagas plásticas, águas nos transeuntes; e todos levavam na brincadeira, tentando se esquivarem dos esguichos.
Os desfiles de carros alegóricos, das batucadas, das escolas de samba, dos cordões, dos grupos de caretas e dos blocos de rua também marcaram este período.
O trio elétrico foi inventado em 1951; e em 1953 já havia um trio elétrico em Sapeaçu que, muito provavelmente, também animava o carnaval de Cruz das Almas. Mas, lá no início da década de 70, o comerciante e prefeito Carmelito Barbosa Alves lança na cidade o Trio Carbasa e inicia uma nova era da festa em Cruz das Almas…
Mas esta história fica para ser contada num outro Carnaval.


