LUCIANO PASSOS, ILUSTRE CRUZALMENSE.

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Luciano Passos nasceu em Cruz das Almas, poeta, advogado, político e fotógrafo. Casado com a poetisa Lita Passos, para quem escreveu seus mais belos poemas e pai de Bárbara e Lucas.

Abaixo, alguns dados biográficos, em ordem cronológica, sobre Luciano Passos:

1944 – Nascimento, 04 de maio, na Fazenda Campo Limpo, Cruz das Almas, Bahia, filho de Dr. Ramiro Eloy Passos e da Prof.ª Maria Ubaldina Silva Passos;

1950 – Faz o curso primário no Prédio Escola Comendador Temistocles, e o curso ginasial no Colégio Estadual Alberto Tôrres em Cruz das Almas;

1960 – Mudança para Salvador, Bahia – Faz o curso Clássico no Colégio Antonio Vieira;

1966 – Redator da Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Salvador.

1967 – É Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Salvador;

1968 – Advogado da Secretaria do Trabalho e Bem Estar Social da Bahia;

1970 – Assessor Jurídico do Ministério das Comunicações em Brasília-DF;

1971 – Chefe do Serviço Jurídico do Departamento de Administração do Ministério das Comunicações em Brasília-DF;

1974 – Casamento a 23 de dezembro com Angelita de Almeida Passos (Lita Passos), cruzalmense, poetisa, ele com 30 e ela com 20 anos;

1976 – É vereador eleito à Câmara de Vereadores de Cruz das Almas. Nasce seu filho Lucas de Almeida Passos em Salvador-Ba;

1977 – Nasce sua filha Bárbara de Almeida Passos, em Cruz das Almas-Ba;

1979 – Professor de Organização Social e Política do Brasil, e, Direito e Legislação do Colégio Alberto Tôrres;

1979 – Gerente do Centro Social Urbano de Cruz das Almas até 1989;

1983 – Vereador Eleito à Câmara de Vereadores de Cruz das Almas e Presidente da Câmara;

1984 – Presidente da Associação de Vereadores do Recôncavo;

1985 – Publica Casulo de Vidro – Poesia – “Fotos e poemas se misturam num Mundo de luzes brancas e pretas”;

1987 – Publica Cavalo Estrelado – Poesia Um livro dedicado aos assanhaços da sua terra, uma demonstração da força viva da natureza;

1989 – Vereador Eleito à Câmara de Vereadores.

1989 – Publica Corpo Aceso – Poesia – Dedica este livro a “Estrela mais Próxima” Minha pele é um reboco e meu queixo é apenas a perspectiva de um soco”, diz o poeta;

1990 – Relator da Lei Orgânica do Município de Cruz das Almas;

1990 – Presidente da Fundação Cultural Galeno D’Avelírio (Casa da Cultura) de Cruz das Almas;

1993 – Secretário da Prefeitura Municipal de Cruz das Almas;

1994 – Publica o livro de poesia Língua Bailarina, dedicado ao “som do sax e ao tom do sexo”;

1995 – Publica seu primeiro livro de prosa poética, “Cruz das Almas Estrela Guia e Lençol Perpétuo”. Homenagem a personagens da sua terra natal, para a qual se voltou inteiramente o seu espírito nos últimos anos de vida;

1997 – Assessor Parlamentar da Câmara de Vereadores de Cruz das Almas.

1997 – Publica Santa Cruz dos Laranjais – A obra revela em prosa poética o espírito do povo de Cruz das Almas, através de seus personagens. “É uma pesca da memória submersa; fotógrafa a alma de uma cidade através de instantâneos da sua gente e seus costumes”;

1997 – Faleceu em 14 de novembro, no Hospital COT, em Salvador-Ba. O funeral saiu da residência de seus pais em sua terra Natal, Cruz das Almas, onde vivera 53 anos.

Luciano Passos deixou inédito um livro: Imagens do Silêncio (Poemas de perdas e penas).
(FONTES: http://meyrekal.blogspot.com.br/2011/05/personalidade-cruzalmense-luciano.html; http://www.cruzdasalmas.com.br/lucianopassos/p2/cron.htm; https://luciano-passos7.webnode.com/)

JACINTA PASSOS: UMA MULHER CRUZALMENSE, UM CORAÇÃO MILITANTE.

Jacinta Passos, com a filha Janaína (1948).
Jacinta Passos, com a filha Janaína (1948).

A baiana Jacinta Passos nasceu em Cruz das Almas, na região do Recôncavo da Bahia, em 1914, filha de Berila Eloy e Manuel Caetano da Rocha Passos, pertencentes a famílias tradicionais da região, muito católicas. Seu avô paterno, Themístocles da Rocha Passos, duas vezes Senador na Província (depois Estado) da Bahia, é hoje nome da principal praça da cidade. Seu pai, também político, foi eleito deputado estadual quatro vezes, as duas últimas pela UDN.

Jacinta passou a infância entre o núcleo urbano de Cruz das Almas e a fazenda Campo Limpo, de propriedade do pai, onde nascera e morava com a família, mergulhada na cultura do fumo, das tradições africanas e das canções infantis que marcariam sua poesia. Após a transferência da família para Salvador, cursou a Escola Normal, onde se formou com láurea. Trabalhou como professora de matemática, dando aulas particulares e, depois, na prestigiosa Escola Normal onde se formara. Nessa época, era muito religiosa. Praticava a religião com uma entrega total, dedicando-se com fervor e buscando uma união profunda e direta com Deus.

Desde o final da década de 1920 escrevia poemas, em geral de conteúdo religioso. Nos anos 30, ao lado do irmão, o estudante de medicina e também poeta Manoel Caetano Filho, participou de círculos e grupos literários de Salvador, como a Ala das Letras e das Artes (ALA), chefiada pelo crítico Carlos Chiacchio. Seus poemas começaram a circular entre os intelectuais da cidade. Continuava religiosa, mas, à medida que o tempo passava, sua religiosidade ia adquirindo conteúdo social e militante.

A partir da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, envolveu-se fortemente com política. Ao lado do irmão, assumiu posições públicas e participou de movimentos a favor da paz mundial e do final da ditadura do Estado Novo. Denunciou as opressões que pesavam sobre as mulheres, defendendo mudanças imediatas na condição feminina. Continuava católica, porém cada vez mais afastada das posições ortodoxas da Igreja.

Após a entrada do Brasil na guerra, em 1942, participou intensamente da luta antinazista e antifascista, envolvendo-se com grupos de esquerda. Tornou-se também uma ativa jornalista, escrevendo sobre temáticas sobretudo sociais. Foi uma das poucas mulheres da Bahia, à época, a assumir posições políticas públicas e a desenvolver uma intensa e regular atividade jornalística, publicando artigos e poesias no jornal O Imparcial e na revista cultural Seiva. Publicou semanalmente em O Imparcial uma “Página Feminina”, que ampliava muito os assuntos habitualmente reservados às mulheres, introduzindo discussões políticas e literárias.

Jacinta alargou seus contatos literários, dedicando-se com afinco à poesia. Em 1942, publicou o livro Nossos poemas (Salvador, A Editora Bahiana), cuja primeira parte, “Momentos de Poesia”, contém poemas seus, enquanto a segunda, “Mundo em Agonia”, reúne poemas do irmão, Manoel Caetano Filho. O volume mereceu boas críticas na imprensa, firmando os nomes dos dois poetas no meio intelectual baiano.

Jacinta Passos tornou-se amiga de intelectuais comunistas, como Jorge Amado, que no final de 1942 retornara à Bahia, aprofundando a participação em movimentos sociais e feministas. Nessa época, abandonou o catolicismo.

Mudou-se em 1944 para São Paulo, onde se casou com o jornalista e escritor James Amado. No ano seguinte, publicou seu segundo livro, Canção da Partida (São Paulo, Edições Gaveta), contendo dezoito poemas, três transcritos do livro anterior. A edição, extremamente bem cuidada, foi de apenas duzentos exemplares, numerados e assinados pela autora e ilustrados pelo grande artista Lasar Segall. Canção da Partida recebeu críticas muito elogiosas de intelectuais expressivos como Aníbal Machado, Antonio Candido, Gabriela Mistral, José Geraldo Vieira, Mário de Andrade, Roger Bastide e Sérgio Milliet, firmando o nome da poeta no cenário nacional.

Jacinta Passos continuou fortemente envolvida com política. Lutou pelo final da guerra, pela redemocratização do Brasil, pela liberdade de expressão, pela anistia aos presos políticos e pela ampliação dos direitos das mulheres. Em 1945, ano em que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi legalizado e lançou uma grande campanha de filiação de novos membros, ingressou oficialmente nesse partido, nele permanecendo até morrer.

De volta a Salvador, foi candidata a deputada federal e a deputada estadual pelo PCB, não se elegendo. Contribuiu para o jornal comunista O Momento e continuou participando ativamente da política. Em 1947, após uma gravidez muito difícil, deu à luz sua filha única. Com o marido e a filha, viveu alguns anos em uma fazenda no sul da Bahia, onde se dedicou à família e à escrita.

Mudou-se em 1951, com a família, para o Rio de Janeiro, onde lançou seu terceiro livro, Poemas políticos (Rio de Janeiro, Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil). Contendo dez poemas inéditos, políticos e líricos, além de uma seleção de poesias anteriores, Poemas políticos ampliou o prestígio da escritora, tornando-a mais conhecida nos círculos literários do Rio de Janeiro, a capital do país.

No final desse ano sofreu grave crise nervosa, com delírios persecutórios. Ficou vários meses internada em sanatórios do Rio, onde foi diagnosticada como portadora de esquizofrenia paranóide, considerada então uma doença progressiva e irrecuperável. Durante essa internação e nas seguintes, foi tratada à base de choques elétricos, injeções de insulina e barbitúricos. Transferida para a Clínica Psiquiátrica Charcot, em São Paulo, teve o diagnóstico confirmado.

Em 1955, separada do marido e da filha, regressou a Salvador, voltando a residir com os pais. Continuou militando no PCB, um partido em crise, ensinou em comunidades pobres de Salvador e publicou artigos sobre literatura no jornal comunista O Momento, onde, durante alguns meses, foi também responsável por uma página literária. Continuou escrevendo poesias. Recebeu a visita da filha durante duas férias escolares e a visitou, no Rio de Janeiro.

Publicou em 1957 seu quarto livro, A Coluna (Rio de Janeiro, A. Coelho Branco Fº Editor). O volume contém um longo poema épico, de quinze cantos, sobre a Coluna Prestes, marcha de cerca de vinte e cinco mil quilômetros, empreendida na década de 1920, e liderada, entre outros, por Luiz Carlos Prestes, que buscava mudanças políticas profundas para o Brasil. O livro foi bem recebido por críticos como Paulo Dantas. Vários de seus trechos foram transcritos em publicações de esquerda do país, até 1964.

Após permanecer cerca de dois anos na cidade pernambucana de Petrolina, onde vivia sozinha e em extrema pobreza, transferiu-se em 1962 para Aracaju, em Sergipe. Ali morou, também sozinha, em Barra dos Coqueiros, povoação de pescadores situada em frente à cidade. Vivia muito pobremente, em um barraco de madeira, à beira do rio. Possuía uma máquina de escrever, onde, à noite, datilografava poemas e textos políticos, que distribuía pelas ruas durante o dia. Numa época de grande agitação e polarização política, desenvolveu, sozinha e ao lado de integrantes do PCB local, intensa militância junto a pescadores, estudantes e trabalhadores, inclusive após o golpe militar de 1964.

Foi detida em 1965, quando pichava nos muros da cidade palavras de ordem contrárias à ditadura. Recolhida ao 28º BC de Aracaju, graças à interferência da família Passos foi transferida para um sanatório particular da mesma cidade, a Casa de Saúde Santa Maria, onde permaneceu até sua morte, em 28 de fevereiro de 1973, aos cinqüenta e sete anos de idade.

 

JACINTA

(FONTE: Texto de Janaina Amado in Site Oficial de Jacinta Passos)

LITERATURA DE CORDEL

“Na plêiade de nomes que honram as letras cruzalmenses”, como bem diz o Prof. Alino Matta Santana, destacamos os nossos  representantes na Literatura de Cordel:

  • CONDE BARBOSA
  • ANDRÉ  PEIXOTO
  • LAURENICE BARBOSA
  • HERMES PEIXOTO
  • REI CÔNSUL

AS ESCULTURAS DO PAÇO MUNICIPAL

PAÇO MUNICIPAL EM 1950
PAÇO MUNICIPAL EM 1950
PAÇO MUNICIPAL, ATUALMENTE
PAÇO MUNICIPAL, ATUALMENTE

(…)

Eu não podia deixar

De falar da Prefeitura

Um belo e imponente prédio

De arrojada arquitetura

Abrigou vários mandatos

Fomentou nossa cultura

A prefeitura foi tudo

Nesta cidade, afinal

Foi fórum, foi até cadeia

Câmara e hospital

Abrigou até os bailes

De animado carnaval

A sua fachada linda

Tem colunatas mulher

Duas divas sustentando

Estruturas de alcacer

E lá em cima uma águia

Vela a cidade com fé

Ah! Essa misteriosa águia

Símbolo desta cidade

Hoje tão esquecida

Pra nossa infelicidade

Os jovens nem a conhecem

Porque não a vêm de verdade

Pergunto a quem ali passa

Se já ergueu a cabeça

Para o alto do edifício

Se não o fez não se esqueça

E veja o que lá existe

E depois me agradeça

Ladeando a bela águia

Duas mulheres, contudo

Parecem a Venus de Milo

Com os seus bustos desnudos

Seus rostos de mulher forte

E que merecem um estudo

Protegendo águia e mulher

Estão gárgulas aladas

Duas figuras macabras

Por alguém esculturadas

Formando um belo conjunto

Que hoje nem são notadas

As gárgulas colocadas

Em catedrais medievais

Serviam para impedir

Que demônios infernais

Fossem impedidos de entrar

Nestes sagrados locais

Não consegui informação

De quem queria o escultor

Com as gárgulas proteger

Se de plebeu ou doutor

Que dentro da prefeitura

Fizesse maldade ou terror

Aquela águia me intriga

Desde os tempos de criança

Ela parece que guarda

A cidade com segurança

Seu olhar severo e grave

Enche-nos de esperança

Uma coisa lamentável

Fizeram com as figuras

Que no meu tempo eram brancas

Como mármore, as esculturas

Cobriram com tinta marrom

As insígnes criaturas

(FONTE: A História Política do Cruzeiro das Almas, da Série Cruz das Almas em Cordel – Vol II, Hermes Peixoto, 2014.)