A ESTAÇÃO CRUZ DAS ALMAS

 

Aquele prédio nas proximidades da Coplan, conhecido como “estação velha” e que chama a atenção principalmente de quem entra na cidade, pois se destaca pelos seus belos traços que, segundo Ygor Coelho, lembram a arquitetura moderna de Niemeyer nos anos 50, é o antigo prédio da Estação Cruz das Almas, construída  pela Viação Férrea Federal Leste Brasileiro em 1958. 

Ela fez parte do trecho Cruz das Almas-Santo Antônio de Jesus e a ideia do  projeto original era unir as linhas Sul (Salvador – Monte Azul) e da E. F. Nazaré, esta isolada mais ao sul do Recôncavo. Por algum motivo ainda não determinado, a linha nunca foi concluída; ou seja, jamais alcançou a cidade de Santo Antônio de Jesus, muito menos Nazaré. Mas, mesmo assim, sabe-se que pelo menos entre os anos de 1960 e de 1963 um trem de passageiros chegou a circular entre Cruz das Almas e Conceição de Almeida. Alguns cruzalmenses contemporâneos relatam  terem a lembrança de presenciar trem com vagões de carga (cimento, pedras) manobrando por ali, mas logo depois a linha foi desativada. De 1960 a 1963, realmente, o Guia Levi, usado como referência de horários de trens de passageiros, acusa a existência de trens de passageiros ligando Cruz das Almas à estação de Conceição de Almeida, um trecho com 11 quilômetros de extensão; mas, em 1965, ele já não mais existia. Este trecho seria o início da ligação com a E. F. Nazaré e jamais teria sido completado – ou se foi, foi desativado antes que os trens fizessem a ligação de Cruz das Almas com Santo Antônio de Jesus, já que a linha parou de funcionar em 1970. Esta estação, que na verdade é um ramal, ganhou o nome de Cruz das Almas porque a Estação de Pombal que ficava mais longe da cidade, na linha principal, teve o nome alterado para Engenheiro Eurico Macedo.

O prédio abandonado desde o início da década de 70, atualmente faz parte do espólio da RFFSA e está sob a guarda do Município. Neste São João recebeu uma pintura artística que serviu não só para embelezar o monumento mas reforçou o desejo da população de que o prédio venha a  transformar-se num equipamento de uso público, como um centro cultural ou um museu, por exemplo.

(REFERÊNCIA: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ba_monte%20azul/cruzalmas-nova.htm )

Publicado por

Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista e almanaquista. Agraciado em 2020 com o Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, Bahia.

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