A LENDA DO SABOROSO LICOR DE JENIPAPO DE CRUZ DAS ALMAS

Contaram-me certa vez que, há muito tempo, quando ainda se plantava cana-de-açúcar nas terras de Cruz das Almas, havia lá pelas bandas do Cadete uma grande fazenda onde morava uma jovem senhora casada com o senhor daquele  engenho.

Certa vez, depois de perder o apreço do seu  marido pois o mesmo havia se engraçado com uma jovem escrava, sentiu-se tão mal a ponto de decidir dar cabo à própria vida. Resolveu envenenar-se. Lembrou-se então de um líquido resultante de uns jenipapos passados de maduros que ficavam jogados num velho barril com resto de aguardente lá no celeiro. Botou um tanto numa pequena taça de cristal, misturou com melaço e bebeu. Mas, depois de ingerir a tal beberagem, em vez de morrer, ela notou que seu humor havia era melhorado. Tanto e, tão imediato, que a mulher sentiu foi uma imensa a alegria de viver.

Com o passar dos dias, então, retomou o gosto pelas festas e até reconquistou a atenção do marido na intimidade do casal, fazendo-o esquecer totalmente da amante. Em agradecimento, a senhora doou 10 litros daquele licor para o leilão na quermesse de São João, o que foi um grande sucesso no arraiá junino. Depois disso, nunca mais faltou alegria e licor de jenipapo nas festas daquele lugar.

E dizem que, assim, foi descoberto este delicioso e poderoso elixir da felicidade.

Verdadeira ou não, a estória é boa!

(Texto revisto e corrigido, originalmente publicado na Revista Reflexos de Universos em abril de 2021)

Publicado por

Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista e almanaquista. Agraciado em 2020 com o Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, Bahia.