
Conheça a história de Cícero Nazareno, o anjo bom de Cruz das Almas!
Nasceu no sítio Araçá, município de Cruz das Almas, no dia 08 de dezembro de 1875. Também era conhecido por Cícero Caramelo, porque andava com caramelos no bolso e dava-os às crianças.
Ele veio para a cidade e passou a residir com dois filhos do primeiro casamento, num quartinho situado no fundo da residência de D. Almerinda Sampaio, na rua da Vitória, hoje denominada Rua Manoel Vilaboim. Depois seus filhos viajaram e ele ficou sozinho.
Cícero Nazareno era pobre e quando sabia que alguém estava muito doente, espontaneamente, ia à procura e tomava conta até a morte. Pacientemente, rezava o enfermo com ramos de “Maria Preta” e “Vassourinha”, dava remédio, alimento e até banho, se fosse necessário. Quando o doente morria e a família não tinha condições, providenciava o funeral com o auxílio da prefeitura. Ele rezava a todos que o procurava. Quando um menino torcia o pé, com muito jeito, ele puxava e colocava no lugar. Certa vez, Vanderlino, um dos filhos de D. Almerinda Sampaio, torceu a perna; atendendo ao pedido da mãe da criança, ele rezou três vezes e o menino ficou bom. Seu segundo casamento foi com uma senhora que chegou aqui e vivia pedindo esmola. Ele a amparou e depois se casaram.
D. Albertina França, também sua vizinha, contou que ele ajudava demais os pobres: “Se alguém precisasse, ele saia pedindo até conseguir a cama, o colchão, e a roupa de cama”.
Uma vez, chegou a Cruz das Almas uma senhora com câncer. Naquele tempo esta doença ainda não era conhecida. Ela ficou alojada onde hoje é o Mercado Municipal. Ele cuidou dela até o enterro. Ele só fazia o bem… Era um espírito de luz.
Segundo o barbeiro Ademar Coelho Velame, Cícero Nazareno era um homem caridoso. Sua vida era labutar com tuberculosos, mulheres que tinham filhos à toa naquelas casas velhas, levar café para um, água para outro e rezar. Viriato, o chefe da barbearia, era quem dava as coisas para ele levar. Em 1940, Dr. Luiz Eloy Passos, prefeito na época, tomou conhecimento do que ele fazia e passou a ajudá-lo, inclusive dando lhe uma casinha. Atendendo ao pedido de Viriato, Dr. Luiz Passos colocou o nome dele na rua onde estava morando na sua nova casa, que por sinal foi a primeira desta rua.
Se uma pessoa pedisse para levar uma encomenda, Cícero Nazareno fazia de boa vontade. Certa vez alguém lhe pediu para levar 5 quilos de carne em sua casa. Naquele tempo, não existia saco plástico. Ele ia com a carne pendurada em palha de licuri. Na frente da Igreja, uma moça o atropelou com a bicicleta. Ele caiu para um lado e a carne para o outro. Mesmo assim, não deixou de fazer a entrega. O homem não parava. Onde mandassem ele ia. Nasceu com aquele dom. Fazia de coração, não era por boniteza e nem esperando recompensa. Não tinha emprego e não pedia para si. Se alguém desse algum trocado, ele recebia. Morreu tuberculoso… Vivia tratando pessoas doentes, não se alimentava direito e naquele tempo não existia penicilina. Depois de longo período acamado, foi levado para a Santa Casa de Misericórdia onde faleceu a 18 de fevereiro de 1950, seu enterro também foi realizado com a ajuda da Prefeitura e dos seus amigos.
(FONTE: Centro Espírita Obreiros da Fraternidade)
