Quem esteve na Rua da Estação no último dia 4 de junho, quinta-feira passada, vivenciou um momento muito especial. Foi uma daquelas cenas que aquecem o coração.
Quem passou por lá naquele dia, certamente percebeu que havia algo diferente no ar. Não era apenas a proximidade do São João. Era gente, muita gente, crianças, jovens, adultos e idosos ocupando a rua com pincéis, tintas, criatividade e alegria. Durante algumas horas, aquele importante pedaço da cidade deixou de ser apenas um caminho por onde se passa e virou um lugar de encontro.
E não eram artistas renomados, não! Não tinham galerias e nem exposições com vernissage no currículo: eram artistas da vida real! Gente comum transformando o chão da rua em tela e colorindo a cidade com talento, dedicação e afeto.
A iniciativa do coletivo Resenha de Rua deixou a Rua da Estação ainda mais bonita para celebrar o mês de junho. Mas a beleza não ficou apenas nos desenhos. Ela apareceu também nos sorrisos, nas conversas entre vizinhos, nas crianças correndo de um lado para o outro e na sensação gostosa de pertencimento.
E havia ainda um ingrediente especial a mais naquela decoração: além das referências ao São João, tão presente na alma do povo cruzalmense, a rua também foi tomada pelo verde e amarelo da esperança.
Sim, é tempo de Copa do Mundo, tempo de reunir amigos diante da televisão, de pendurar bandeiras nas janelas e de sonhar juntos com o tão desejado hexacampeonato da Seleção Brasileira.
Os desenhos misturam o clima junino com a paixão nacional pelo futebol. Bandeirolas e bolas, espadas e camisas amarelas, tradição e torcida ocupam o mesmo espaço numa combinação que parece contar a própria história do nosso povo, povo que sabe transformar qualquer celebração em motivo para estar junto.
Ao observar aquela movimentação, um gatilho de memória afetiva foi disparado. Parecia que o tempo havia voltado alguns anos. Lembrou o tempo em que os moradores se reuniam para enfeitar as ruas nas festas populares e também nas Copas do Mundo, quando cada bandeira pintada nos muros e sobre a rua representava não apenas uma torcida, mas um sentimento coletivo de união.
Muito legal! A rua pertencendo novamente às pessoas. Ver moradores trabalhando lado a lado, compartilhando ideias e construindo algo bonito para todos foi uma demonstração simples, mas poderosa, de comunidade. Afinal, ruas não são feitas apenas de calçamento e casas. São feitas de histórias, encontros, lembranças e sentimentos.
E naquele dia, a Rua da Estação demonstrou exatamente isso. Por algumas horas, a vizinhança reviveu um costume que parecia adormecido, o de celebrar o São João, sonhar com o hexa e, acima de tudo, fortalecer os laços que fazem uma cidade ser muito mais do que um conjunto de ruas e construções.
A Rua da Estação que já é festiva por natureza, ficou mais colorida, mais bonita e mais viva. Muito linda de se ver.

