A FEIRA LIVRE

Você sabia que até 1947, antes da construção do atual Mercado Municipal na Praça do Lavrador, a feira livre acontecia na praça defronte ao Paço Municipal e estendia-se pela rua em frente a Cofel (que não existia ainda!) indo até o fundo da Igreja Matriz?

PRAÇA SENADOR TEMÍSTOCLES

Sabia que até meados da década de 50, o centro da cidade, cuja extensão de um quilômetro ia da Igreja Matriz até o Mercado onde aconteciam as feiras de sábado, era formado por trechos e ruas de nomes Landulfo Medrado, 1º de Dezembro, Frederico Costa, Quintino Ferreira e Cônego Franca. Porém, em 10 de maio de 1955, a Lei Municipal nº 72, sancionada pelo prefeito Ramiro Eloy Passos, suprime-lhes estes nomes e a praça principal da cidade passa a ter, então, uma única denominação de Praça Senador Temístocles.

CENSO DE 1872

Para quem gosta de pesquisa histórica, segue abaixo um link para acesso aos dados do Censo de 1872, o primeiro oficialmente empreendido pelo Estado imperial brasileiro. Nele podemos encontrar alguns dados acerca da população da então Freguesia de Nossa Senhora do Bonsucesso de Cruz das Almas.

Algumas coisas chamam atenção como o reconhecimento jurídico dos indivíduos (livres ou escravos), números sobre os estrangeiros e migrantes (gente proveniente de outras províncias) e também uma divisão da população por profissões.

Apesar de tal censo, segundo me recordo, já ter sido questionado quanto ao seu grau de fidelidade, creio que vale a pena dar uma olhada: http://www.nphed.cedeplar.ufmg.br/pop-72-brasil/?fbclid=IwAR2Nnl6j4k-ZGaI_mE9eng4Is-e1bfHxKvx55p-Dj4Jk3j4FwToe1qSRrcE

Alguns números interessantes:
População total: 15.604 pessoas
Escravos: 1.946 (entre pretos e pardos)
Número de homens e mulheres alfabetizados: 2.830
Africanos livres: 48

(FONTE: Mateus Santos in https://www.facebook.com/groups/1792945904308483/ )

DA SÉRIE: “SÃO JOÃO PASSOU POR AQUI?” – 2

Foto: Paulo Galvão Filho / 2019

A senhora Raimunda Silva Souza estava com 74 anos quando nos concedeu um pequeno mas valioso relato oral de suas memórias sobre as festa de São João na cidade. Hoje falecida, nasceu em Cruz das  Almas  em  1936  e  pôde  vivenciar  a  festa  por  um  longo  período.  Como  um  número significativo de mulheres da cidade, trabalhou nos armazéns de fumo desde os seus 14 anos, mãe solteira de filhos gêmeos, após o falecimento de seu marido, criou seus filhos sozinha, com a renda obtida no trabalho nos armazéns de fumo. Segundo as suas memórias, o “[…] São João era o seguinte… alegre, o povo entrava nas casas, pra gente brincar, sair, comer na casa dos vizinhos. Era bandeirola, fita… e ainda bota. Se reunia a rua toda pra botar”.

Essa, aliás, parece  ser ainda  uma  prática  comum  para  muitos  moradores  de  Cruz das Almas: a  forma  de  partilhar a arrumação das ruas, organizar mesas, receber pessoas em casa, socializar comidas e bebidas típicas da época.

(FONTE: Depoimento de dona Raimunda Silva Souza , 74 anos, operária de Armazém de Fumo. Entrevista realizada em Cruz das Almas-BA in  https://docplayer.com.br/81884849-Universidade-do-estado-da-bahia-uneb-departamento-de-ciencias-humanas-campus-v-programa-de-mestrado-em-historia-regional-e-local.html )

FORRÓ NA MORÁ

A partir de 1993, durante a gestão do prefeito Carmelito Barbosa Alves, o “Arraiá do Laranjá” realizado no Sumaúma passou a chamar-se “Forró Na Morá”, um trocadilho de namorar (ato de encontro amoroso) e na moral (comportamento ético). Eis, a seguir, uma retrospectiva da programação e atrações artísticas da festa nos anos de 1993 a 1996:

(FONTE: CARTILHA DO FORRÓ NA MORÁ – IV , uma colaboração de Rei Cônsul)

PERFIL SOCIOECONÔMICO DO MUNICÍPIO

Fotomontagem: Wikipédia

Localizado no Território de Identidade Recôncavo, o município de Cruz das Almas foi criado pela Lei Estadual nº 190 de 29/07/1897. Além de Cruz das Almas, Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragogipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Salinas da Margarida, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Félix, São Felipe, Sapeaçu, Saubara e Varzedo, são os municípios que compõem o Território de Identidade Recôncavo. Cruz das Almas está localizado entre as coordenadas aproximadas de latitude -12º40´12´´ e longitude 39º06´07´´, a uma altitude média de 220 m acima do nível do mar e caracteriza-se pelo clima árido e semiárido. Faz divisa com os municípios de Cabaceiras do Paraguaçu, Muritiba, São Félix, São Felipe e Sapeaçu. Com uma área territorial de 139,117 km² (IBGE 2018), Cruz das Almas fica distante 138 Km de Salvador, capital do Estado da Bahia. A rodovia BR-101 é a principal via de acesso ao município, que não possui aeroporto. De acordo com Censo Demográfico 2010, Cruz das Almas possuía 58.606 habitantes. Sua densidade demográfica era de 402,11 hab/km2 . Em relação à situação do domicílio, 49.885 habitantes residiam em áreas urbanas e 8.721 habitantes residiam em domicílios rurais, perfazendo um grau de urbanização de 85,1%. Na decomposição por gênero, a população era majoritariamente do sexo feminino, ou seja, em números absolutos eram 30.924 habitantes do gênero feminino e 27.682 do sexo masculino. Para o ano de 2016, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Cruz das Almas conta com uma população de 64.552 habitantes, apresentando um acréscimo de 10,1% em comparação ao ano de 2010.

De toda riqueza produzida no município, no ano de 2014, 79,7% era proveniente do setor de comércio e serviços. O setor industrial respondia por 14,6% do Valor Agregado Bruto (VAB), e o setor primário (agropecuária), foi responsável por 5,6% do VAB do município de Cruz das Almas. No mesmo ano, os maiores estoques de emprego formal pertenciam aos seguintes setores de atividade econômica: serviços (3.227), comércio (4.517), indústria de transformação (1.563) e administração pública (1.729).

Informações do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) indicam que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o município de Cruz das Almas aumentou de 0,574 em 2000 para 0,699 em 2010. Vale ressaltar que o IDH é sintetizado por três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda, sendo que quanto mais próximo de 1 (um) for o valor do IDH, maior será o nível de desenvolvimento da cidade.

(FONTES:
 Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia e IBGE / 2016 e 2018)

O COLÉGIO ALBERTO TÔRRES – UMA ESCOLA DE EXCELÊNCIA

Na aula inaugural da Escola de Agronomia da UFBA, na cidade de Cruz da Almas, foi solicitado pelos professores da mesma que se construísse uma escola para que seus filhos pudessem estudar. O CAT (Colégio Alberto Torres) foi inaugurado em [14 de março de] 1948 com este objetivo. Além disso, tendo como referencia e patronato Alberto Torres, político brasileiro e ruralista, a escola pretendia formar uma juventude com ímpeto ruralista capaz de contribuir com a nação. Clodoaldo Gomes da Costa, fundador e diretor da escola por muitos anos foi um dos responsáveis pela estima atribuída ao colégio. Homem das letras, escritor, colunista do semanário municipal “Nossa Terra” e idealista da educação, era um dos homens mais respeitados da cidade segundo os escritos corográficos e depoimentos. “Daí o seu grande e esplendente mérito entre nós e o alto e merecido conceito que desfruta em Cruz das Almas esse destacado apóstolo da elevação cultural de nossa gente, que é o Dr. Clodoaldo Gomes da Costa, seu ilustrado e dinâmico diretor. Espírito irrequieto nas lides educacionais. Como todo maragogipano, bem entrado nas letras […]” Assim se referia ao diretor o Jornal Nossa Terra de 12 de dezembro de 1954 que noticiava a formatura da primeira turma de professoras no “Instituto Educacional Alberto Torres”. Ainda num tempo de uma educação de acesso não democratizado o CAT era a única escola da cidade a oferecer o ginásio, ainda não era pública, impossibilitando a entrada de muitos, estudar no CAT aos poucos tornou-se sonho dos jovens cruzalmenses. A CAT foi concebido pra ser uma escola de excelência que formaria os futuros ingressantes da Escola de Agronomia da UFBA, pensando de forma inicial para formar os filhos dos professores da EAB Posteriormente foi expandido para a comunidade cruzalmense até se tornar o maior colégio da região. Aos poucos outras profissões entraram na oferta da escola como: Contabilidade, Administração, Agropecuária, Magistério, além do segundo grau cientifico. Em 1954 foi noticiado com entusiasmo pelo semanário “Nossa Terra” a formatura da turma de Professoras. A vida do colégio, suas festas, bailes, homenagens, feira, mobilizavam a pacata cidade de Cruz das Almas o que fazia com que estampasse as páginas do semanário com certa frequência, de 1954 a 1957 é possível ver a ativa vida da escola, de seus professores e alunos. A formação de professores começou a se destacar na escola. A procura pelas vagas era em grande público feminino. A tendência é criticada pelo jornalista Verdival Pitanga, diretor do “Nossa Terra”, pois os homens não se interessavam mais pelo magistério na medida que se mostra como uma profissão sem retorno financeiro. Escreve Verdival: “26 professoras e apenas 1 professor, particularidade esta que põe em chocante relevo o desencanto do sexo masculino, em nossos dias, pelo sublime e edificante sacerdócio que é o Magistério Público”. (“Nossa Terra” 13 de Novembro de 1955, p 1) Verdival em outros textos refere-se ao magistério como sacerdócio, num sentido da doação e de não esperar muito em troca. No entanto, para muitas moças o magistério abria possibilidade de relativa estabilidade financeira e social. Na medida em que projetavam ganhar seu dinheiro próprio e a própria profissionalização conferia uma respeitabilidade social a estas meninas.

(FONTE: CIVISMO, OTIMISMO E ZELO A PÁTRIA: O COTIDIANO ESCOLAR NOS ANOS DE CHUMBO. Rafael de Jesus Souza (Graduando em História; Bolsista do Programa Institucional de Bolsa Iniciação a Docência) in http://www.historiaoral.org.br/resources/anais/11/1439346891_ARQUIVO_Resumo-HOCivismo,Otimismoezeloapatria.pdf

NOSSO FUMO, PRÊMIO NACIONAL

Plantação do fumo Bahia-Brasil, em Cruz das Almas, na propriedade de August Suerdieck. No fundo a parte especial, abrigada do sol. Foto de 1908.

Em 1908, participando da Exposição Nacional do Rio de Janeiro, a empresa Aug. Suerdieck foi agraciada com dois prêmios, uma Medalha de Ouro e um Grande Prêmio Especial. Este último foi para a cultura aperfeiçoada do fumo, fruto da introdução, em Cruz das Almas, de plantações pioneiras no Brasil, abrigadas do sol, sob coberturas de gaze. Nestas condições, baseadas em estudos de combinação do sol com sombra, conseguiu-se melhorar a qualidade do fumo capeiro escuro, nativo. As premiações tiveram reflexos imediatos sobre os recém-lançados charutos Suerdieck, que ganharam conceito, saindo da penumbra interposta pelos fabricantes famosos. Suerdieck emergiu como nome de qualidade, abrindo as portas à consolidação de seus charutos nos mercados exigentes de bons produtos.

(FONTE: trecho do livro A Epopeia do Gigante de Ubaldo Marques Porto Filho).