A FESTA DA PADROEIRA

Ano 1939

Antigamente, a festa da Padroeira Nossa Senhora do Bonsucesso era realizada na primeira semana de dezembro, apresentava um cenário bastante diferente do presenciado atualmente. Na parte sacra não houve grandes mudanças, porém na profana ocorreram significativas modificações quanto à qualidade e a quantidade das atrações oferecidas. O tempo, na sua marcha evolutiva irreversível, levou muitas delas para o arquivo das recordações, às quais temos o imenso prazer de relembrá-las. Não existem mais nas quermesses com seus leilões: as bancas de jogos de diferentes modalidades, o “Bumba Meu Boi” de André Derrapante e a “Burrinha” de Zé de Bibiano, as doceiras com seus tabuleiros repletos de doces de sabores variados, sempre iluminados pelos tradicionais candeeiros a querosene, entre as quais Chica Pavão, Joaninha Cachimbo, Maria Sapé, Justiniana e Olegária. Apenas restou a queima de fogos variados e específicos para o evento, cuja fabricação os sucessores do Totônio Fogueteiro deram continuidade.

(FONTE: NARRATIVAS QUE A MEMÓRIA CONSERVOU – CRÔNICAS de Leandro Costa Pinto de ARAÚJO, 2015.)

HISTÓRICA ESCOLA DE AGRONOMIA DO BRASIL

Sabia que em 1875 foi criada a primeira Escola de Agronomia do Brasil, mais precisamente em São Bento das Lages, interior da Bahia e que, posteriormente, o curso foi vinculado a Universidade Federal da Bahia, no campus de Cruz das Almas que é, atualmente, a UFRB?

O CASO DA INAUGURAÇÃO DA RÉPLICA DA TORRE DE PETRÓLEO

Cyro Mascarenhas relata-nos um acontecimento ocorrido provavelmente entre o final da década de 50 e início da de 60, quando a Frente Nacionalista de Cruz das Almas resolveu construir um monumento em homenagem à Petrobrás para ser instalado numa praça da cidade de Cruz das Almas. Era a réplica de uma torre de petróleo construída em madeira de lei.

“um fato curioso que merece destaque, é a história da inauguração da torre de petróleo, erguida sob os auspícios da Frente Nacionalista, com a colaboração da prefeitura municipal. O local escolhido para esse monumento em homenagem à luta pelo petróleo foi a Praça dos Artistas, sabe onde é? Ali na confluência da antiga rua da Estação com a rua Mata Pereira, uma praça de formato triangular. Bem em frente ficava a Sociedade Beneficente dos Artistas e vem daí o nome da praça. Pois bem, essa torre construída pelo talento do operário cruzalmense foi colocada no local, às vésperas de sua inauguração que aconteceria num domingo. Para surpresa geral, a torre desapareceu na madrugada desse domingo. A solenidade já estava programada, convites expedidos para autoridades e a população. O que fazer? Essa era a dúvida que atormentava os dirigentes da Frente. Resolveu-se encomendar às pressas, uma pequena réplica medindo mais ou menos um metro. Ela seria exibida no verdadeiro comício em que se transformou o que seria uma simples solenidade. Foi redigido um manifesto denunciando à população a suposta ação criminosa perpetrada por entreguistas reacionários, lacaios do truste internacional. O alto falante móvel começou a circular por todas as ruas, divulgando o manifesto e confirmando a realização do evento, ainda que com uma torre simbólica. Nesse ínterim descobriu-se que o monumento fora arrastado e largado num matagal da Escola Agronômica. Fora obra de alguns estudantes que retornando da farra de fim-de-semana resolveu fazer a sacanagem. Mas aquela altura isso pouco importava.O importante era tirar proveito do fato. O que foi feito com a maestria de companheiros comunistas experientes nesse mister. Essa turma era retada mesmo (…) No final da história, quando a praça já estava lotada, os ânimos exaltados, e o prefeito fazia o seu discurso, eis que é anunciada a chegada da torre. Era trazida por uma comitiva de estudantes que resolvera devolvê-la a tempo de ser devidamente inaugurada. Era de arrepiar ver o povo, em delírio, aplaudindo a chegada torre! Uma apoteose, um grand finale (…).”

(FONTE: http://www.historiaoral.org.br/resources/anais/3/1340416677_ARQUIVO_TEXTOCOMPLETOHEBERok.pdf ; excerto: Depoimento do Sr. Cyro Mascarenhas Rodrigues em Cruz das Almas (BA), Agosto de 2010, p.p 24-25. )

A BANDEIRA

Resultado da Lei ou da tradição, a Bandeira é o símbolo representativo de um grupo: seja um Estado, uma região, uma cidade, uma empresa, uma sociedade ou simplesmente um individuo.
Ligada a princípios básicos como a simplicidade, a simbologia e a distintividade, a Bandeira é um elemento de nobreza de entre todas as simbologias e representações.

A Bandeira de Cruz das Almas é formada de um retângulo com fundo na cor amarelo ouro, sobreposta com uma cruz firmada de preto, acompanhada de quatro enxadas; em que o amarelo ouro é alusivo às riquezas das suas terras férteis e as enxadas simbolizam a atividade agrícola aqui muito bem desenvolvida. O conjunto da obra, portanto, é uma referência ao nome da cidade – Cruz das Almas.

Instituída por decreto pelo então prefeito Dr. Fernando Carvalho de Araújo, em 29 de julho de 1971.

ANDRÉ PEIXOTO, O SENHOR DOS CORDÉIS.

André Antônio Peixoto nasceu na localidade de Araçá, zona rural de Cruz das Almas, no dia 30 de novembro de 1908. Filho de Clementina Romualda de Souza e de Romão Antônio Peixoto. Morou na roça até os quinze anos de idade, trabalhando como agricultor. Depois, em 1923, foi trabalhar em Salvador, retornando para Cruz das Almas em 1927. Em 1939 começou a trabalhar na Escola de Agronomia; primeiro na firma de construção, depois como funcionário da EAB, na função de pintor, até aposentar-se em 1983.

Já aposentado, tinha ali próximo ao Mercado Municipal uma barraquinha onde vendia um sabão medicinal que ele próprio fabricava e livros de cordel de vários autores, além dos de sua própria autoria.

O cordelista André Peixoto faleceu em maio de 1994.

(FONTE: O Livro do Centenário, de Alino Matta Santana. )

(IMAGEM: Jornal O Nacionalista, de 5 de abril de 1959 – acervo de Hermes Peixoto Santos Filho)

AUGUST SUERDIECK

Quando se falar das fábricas de charutos do município de Cruz das Almas, não se pode esquecer a empresa Suerdieck que foi a maior representante da Bahia no mercado de charutos. A manufatura de charutos Suerdieck é importante na história de Cruz das Almas. Seu principal representante foi August Suerdieck, que veio para a Bahia, empregado da firma alemã e fiscalizava o enfardamento do fumo exportado da Bahia por esta empresa. Resolveu vir para Salvador. Da capital baiana August Suerdieck seguiu por via férrea, num percurso de 159km, até uma pequena estação distante 6km de um povoado à beira duma estrada de tropeiros, onde chegou em lombo de burro. Chamava-se Oiteiro Redondo, que não passava de um rude arraial em formação. Os deslocamentos pelo interior da zona fumageira eram penosos. Nos períodos das chuvas intensas, entre março e agosto, o lamaçal e os atoleiros, nas estradas carroçáveis, impediam a livre circulação das tropas de burros que faziam o transporte na região. Se fazia sol, o calor escaldante maltratava o gringo desacostumado ao clima tropical. Mas, August Suerdieck soube superar as adversidades climáticas e o desconforto de um núcleo florescente. Adaptou-se de tal forma que resolveu ficar. Em 1892, aos 32 anos, criou a empresa AUG.SUERDIECK, iniciando no ano seguinte as atividades como compradora, enfardadora e exportadora de fumos. Um ano depois, em 1894, August comprou dois imóveis, uma casa residencial e o seu primeiro armazém, da própria organização onde havia trabalhado, a firma F. H. Otens. Em 1897 assistiu Oiteiro Redondo ser desmembrado de São Félix e receber o nome de Villa de Cruz das Almas.

August Suerdieck faleceu em 1930, na Alemanha, assumindo a direção da firma a sua viúva, D. Hermine Suerdieck que também faleceu no ano seguinte.

Os herdeiros, Gerhard Meyer Suerdieck e Geraldo Suerdieck, filho e neto do alemão August Suerdieck fizeram dessa empresa uma referência de gestão e empreendedorismo, colocando a Bahia na vanguarda da exportação de charutos no mundo, sendo o requinte e a qualidade sua “marca registrada”, deixando um legado que jamais será esquecido pela história.

FONTE: Suerdieck, epopéia do gigante. Ubaldo Marques Porto
Filho. – Salvador, 2003.

ROTARY CLUB

O Rotary Club de Cruz das Almas faz parte do Distrito 4391 do Rotary International, na região do Estado da Bahia. Fundado em 16 de junho de 1953, tem sua sede localizada na Rua Prof. Mata Pereira, n°66, Centro. Seu primeiro presidente foi o engenheiro agrônomo Dr. José Pereira de Miranda Júnior, ex-chefe do Instituto Agronômico do Leste – IAL

O Rotary Internacional não tem fins lucrativos e é uma organização de vários clubes de serviços que formam uma rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que se unem para causar mudanças positivas e duradouras em si mesmos, nas suas comunidades e no mundo todo. O Rotary reúne mais de um milhão de associados.

CURIOSIDADE: Sabia que no dia 19 de agosto de 1937, Gerhard Meyer Suerdieck foi admitido como 71º sócio no Rotary Clube da Bahia? O ingresso do industrial numa organização de origem americana (Chicago, 23.02.1905) mostrou o rumo das suas convicções. Ele deu um discreto recado à ala da colônia alemã que já atuava em favor do nazismo. Em 6 de julho de 1944, Gerhard tomou posse no Conselho Diretor do Rotary, para um mandato de um ano como tesoureiro da entidade. No dia 24 do mês seguinte, na reunião mensal dos rotarianos, o empresário proferiu uma palestra intitulada “Fabricação de Charutos na Bahia”.

PAUL PERCY HARRIS, O FUNDADOR DO ROTARY INTERNATIONAL

Paul Percy Harris nasceu em 19 de abril de 1868 em Racine, Wisconsin, nos Estados Unidos, ao norte de Chicago. Foi o segundo dos 6 filhos de George N. Harris e Cornelia Bryan Harris. Por problemas financeiros, aos dois anos foi morar, juntamente com seu irmão Cecil, então com 5 anos, com seus avós paternos Howard e Pamela Harris, na cidade de Wallingford, no Estado de Vermont, nos Estados Unidos. 

Foi aí que praticamente começou o direcionamento da vida de Paul Harris, como ele mesmo recorda em suas memórias “Meu Caminho para Rotary”: “ Eu tive o privilégio de viver em um lar estável, onde não faltava nada e nada era excessivo; onde os ideais eram os mais elevados e a educação era o objetivo supremo.” Esta visão em direção à educação o levou às Universidades de Iowa, onde se formou advogado e obteve o título de doutor honorário na Universidade de Vermont. 

Ao receber o seu diploma, Paul decidiu que passaria cinco anos conhecendo o mundo antes de se dedicar à sua nova profissão de advogado. Foi neste tempo que trabalhou como repórter de jornal, professor de economia, ator de teatro e cowboy. Fez também inúmeras viagens pelos Estados Unidos e Europa como representante de uma companhia de mármores e granitos.

Finalmente, em 1896 decidiu advogar em Chicago. O ambiente da cidade era difícil, com muita imoralidade, Incêndios fraudulentos, e falências, melhorando em 1900 com o fechamento das casas de jogos e tavernas, com a Promulgação da Lei Federal de Falências e a segregação da prostituição. Foi advogado durante 32 anos, membro do Colégio de Advogados do Estado de Illinois, do Colégio Americano de Advogados e Presidente da Comissão de Ética Profissional do Colégio de Advogados de Chicago. Em um dia no outono de 1900, Paul P. Harris se encontrou com o advogado Bob Frank para jantar em um luxuoso bairro no norte de Chicago. Eles saíram para uma caminhada parando em algumas lojas no caminho. Harris ficou impressionado com a maneira como Frank tinha feito amizades com muitos dos vendedores.

Desde que se mudara para Chicago para abrir seu escritório de advocacia, Harris não havia encontrado a mesma Camaradagem que Frank tinha com seus colegas empresários, e naquele momento começou a pensar em como encontrar esse tipo de companheirismo que o lembrava da cidade em que ele havia crescido na Nova Inglaterra. Em 23 de fevereiro de 1905 Paul Harris, juntamente com outros três homens de negócios: Silvester Schiele, comerciante de carvão, Gustavus Loehr, engenheiro de minas e Hiram Shorey, alfaiate, reuniram-se no Edifício Unity, na N orth Deaborn Street, 127, 7º andar formando o primeiro clube. O primeiro Presidente foi Silvester Schiele. O clube recebeu o nome de “Rotary” devido ao fato de que seus sócios se reuniam em rodízio nos respectivos locais de trabalho, em um sistema de rodízio. Seu quadro associativo cresceu rapidamente. Em 1907 surgiu o primeiro projeto comunitário: a instalação do primeiro sanitário público da cidade de Chicago, localizado perto da Prefeitura.

Em 1910 foi realizada a primeira Convenção, congregando se os clubes na Associação Nacional de Rotary Clubs. Paul Harris foi eleito Presidente da Associação. Nessa Convenção, por proposição de Arthur Frederik Scheldon, professor de marketing, foi adotado o lema: “mais se beneficia quem melhor serve seus companheiros”. Paul conheceu a sua futura esposa Jean Thompson em 1910 durante um passeio organizado pelo Prairie Club of Chicago, um grupo de amadores de atividades ao ar livre que ele ajudou a formar. Paul e Jean casaram-se em julho Daquele mesmo ano e dois anos mais tarde Paul construiu uma casa com vista para o campo onde eles se encontraram pela primeira vez. A casa recebeu o nome de Comely Bank, o mesmo nome da rua onde Jean morou em sua infância, em Edimburgo, na Escócia. Paul e Jean não tiveram filhos.

Na 2ª Convenção, em Portland, Oregon, no ano de 1911, Paulo foi reeleito, dedicando-se ao desenvolvimento e expansão. Aprovou-se a proposta de Benjamin Franklin Collins, adotando-se o lema: “Servir, porém não a si próprio. Somente 40 anos depois, na Convenção de 1950, em Detroit, Michigan, EUA, foram oficialmente designados os lemas: “Mais se beneficia quem melhor serve” e “Dar de si antes de pensar em si”. O primeiro Rotary Club fora dos Estados Unidos foi fundado em 1911 em Winnipeg, Manitoba, Canadá. Nesse ano Nasceu a “The National Rotarian” publicação precursora da revista “The Rotarian”.

Na Convenção de Duluth, Minnesota, em 1912, o nome foi mudado para Associação Internacional de Rotary Clubes, e encurtado em1922 para Rotary International.

Os Harris viajaram pelo mundo promovendo Rotary, sempre reconhecido como personalidade mundial, destacada, tendo recebido inúmeras condecorações. No Brasil, em 1942, recebeu do Presidente Getúlio Vargas, a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Paul faleceu em Comely Bank em 27 de janeiro de 1947 com 79 anos e foi enterrado no cemitério Mount Hope, nos arredores de Blue Island, perto da sepultura de seu velho amigo Silvester Schiele. Após a morte de Paul, Jean retornou à Escócia, sua terra natal, onde faleceu em 1963, com 82 anos. Em “Meu Caminho para Rotary”, Paul atribui os valores nele incutidos por seus avós e vizinhos, a base que o levou à concepção de Rotary:

“O Rotary nasceu do espírito de tolerância, boa fé e serviço, qualidades Características de meus familiares e companheiros de infância na Nova Inglaterra. Tenho tentado transmitir minha fé nesses valores a outros Seres humanos, com a mesma intensidade com que ela brilha dentro de mim”.

HISTÓRIA DA PRIMEIRA IGREJA BATISTA EM CRUZ DAS ALMAS

Histórico: O início do trabalho de evangelização dos batistas no município de Cruz das Almas ocorreu na década de 1940. O casal Francisco Marques de Souza e Angélica Freitas de Souza, membros da Segunda Igreja Evangélica Batista na Capital – Salvador, chegou à cidade por ocasião da transferência da Escola Agronômica da Bahia (hoje Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB) de Salvador para o município de Cruz das Almas em 1943. Ele, mestre de obras da Escola Agronômica, assim que estabeleceu residência nesta mesma localidade, iniciou juntamente com sua esposa, o trabalho de evangelização. Depois de algum tempo reunindo-se em casas, o evangelista Francisco Marques organizou em 1945 a Congregação Batista em Cruz das Almas. No mesmo ano, o Pastor da Primeira Igreja Batista em Castro Alves, Belmiro Sampaio, foi convidado para realizar a profissão de fé e batismos dos novos convertidos. De acordo com o registro no Livro de Atas da Segunda Igreja Evangélica Batista na Capital, dentre os primeiros a descerem às águas batismais, em 31 de março de 1946, está Adelelmo Costa. Na mesma época, o intenso trabalho missionário deu origem à Congregação Batista no Araçá (zona rural do município). Até o ano de 1949, o trabalho de evangelização e pastoreio dos irmãos de ambas as congregações foram realizados pela Segunda Igreja Evangélica Batista na Capital em parceria com a Primeira Igreja Batista em Castro Alves, quando os membros das duas congregações foram transferidos para a Primeira Igreja Batista em Castro Alves.

A emancipação: A emancipação se deu num culto festivo em 18 de março de 1951, organizado numa sessão extraordinária, realizada em 07 de março de 1951, presidida pelo Pastor Fileto de Souza Barreto, da Primeira Igreja Batista em Castro Alves. Os membros fundadores foram 65, sendo 33 da Congregação de Cruz das Almas (Adelelmo Costa, Angélica Freitas de Souza, Antônio Cardoso de Andrade, Antônio Cavalcante, Armando Silva Lima, Claudionor Assunção, Deoclécio Alves, Eremita Pereira de Oliveira, Etelvita Souza, Francisco Marques de Souza, Francisco Pereira Alves, Gilberto de Jesus, Herundina Souza Santos, Joana Santos, João Celestino da Silva, José Francisco de Souza, José Salustiano de Souza, Josefa Delfina Andrade, Josefa Sales Santos, Juraci Alves Pereira, Leopoldina do Sacramento, Letícia Souza Pinto, Maria das Neves, Maria Pereira, Martinho Seixas de Oliveira, Matildes Souza, Odilon Vieira dos Santos, Railda Costa, Raimundo dos Santos, Rita Maria Batista Costa, Rosalina Lima dos Santos, Severo Bispo dos Santos, Teodora de Jesus) e 32 da Congregação de Araçá (Alexandrina Alves Leite, Alice Fernandes Nascimento, Alzira Queirós de Santana, Amália Peixoto Eloi, Antônio Alves Costa, Augusta de Jesus Peixoto, Domingos Pereira Santana, Eurenice de Souza Alves, Filomena Peixoto Eloi, Flora Santos Alves, Georgina Alves Costa, Glória Pereira Barbosa, Helena Conceição, Isadoria Cândida do Sacramento, Isaura Conceição, Jardelina Madalena da Conceição, João Batista da Costa, João Nascimento Borges, José Antônio Magalhães, Lindaura Caldas Nascimento, Manuel Caldas Correia, Manuel Souza Nunes, Maria Almeida, Maria Alves Leite, Maria Borges Magalhães, Maria de Lourdes Batista de Oliveira, Maria Santana, Mario Alves Costa, Maura de Souza Nunes, Odília Lemos Ribeiro, Pedro Pereira Rodrigues e Roque José Ribeiro).

Filiação à Convenção Batista da Bahia: A nossa Igreja é filiada a CBBa e à Associação Batista do Vale do Paraguaçu.

Templos: Antes da sede atual (inaugurada em 1965), localizada na Rua Professor Mata Pereira, nº 420, Centro, a Primeira Igreja Batista funcionou em dois outros templos provisórios: o primeiro na Rua Rui Barbosa (antiga Rua da Estação), nº 2, onde a congregação foi emancipada e outro na mesma rua do templo atual (nº 515).

Expansão: A PIB em Cruz das Almas, visando formar e nutrir discípulos de Cristo, tem experimentado a expansão do Reino de Deus, através da multiplicação de igrejas e congregações: São cinco igrejas emancipadas: Igreja Batista Nova Betel, Igreja Batista Moriá, Segunda Igreja Batista em Cruz das Almas, Igreja Batista Nova Vida e Igreja Batista Nova Jerusalém em Itatim; seis congregações: Suzana, Chapadinha, Vilarejo, São Judas Tadeu, Cabaceiras do Paraguaçu e Duvê Baron em Camaçari; um ponto de pregação na Rua Crisógno Fernandes; e duas frentes missionárias: Fonte do Doutor e Pumba. Vale destacar que a inauguração da extensão do Seminário Teológico Betel Brasileiro (sede em João Pessoa) em 2005 ampliou de modo significativo o potencial da PIB como celeiro de obreiros (pastores, missionários, líderes, professores).

Primeira Igreja Batista em Cruz das Almas na atualidade: Desde 18 de março de 1984, nossa Igreja é pastoreada pelo pernambucano Pastor Josias Aureliano da Silva: Servo do Deus Altíssimo, que ao longo desses 35 anos de ministério, vem dedicando-se integralmente ao desenvolvimento do Reino de Deus através dessa agência de evangelização. Referência no município de Cruz das Almas e municípios circunvizinhos, a Primeira Igreja Batista, através de seus Ministérios, organizações e congregações, tem se comprometido com a missão integral da Igreja, buscando o desenvolvimento dos valores do Reino de Deus através da manifestação do amor e da justiça, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário.

Pesquisa relizada pela Equipe de Elaboração de Memorial da PIB em Cruz das Almas: Deuma dos Santos Silva (Coord.), Pr. Edvan Avelar Silva, Diáconos Edmundo Fonseca Santos, Helenilda Santos de Meireles Almeida e Maria José de Jesus Fonseca Santos.


(Fontes: Livros de Registros de Atas das Igrejas: Primeira Igreja Batista em Cruz das Almas, Primeira Igreja Batista em Castro Alves e Segunda Igreja Evangélica Batista na Capital.)

Publicado in: http://assembleia.batista.org.br/cbba/pibcruzdasalmas/

BREVE HISTÓRIA RECENTE DAS ESPADAS

O termo espada liga-se, de imediato, ao fato de ser possível a sua manipulação por parte do guerreiro, como é chamado aquele que vai para as batalhas de espada, as guerras de espada. O feixe de luz propiciado pela queima da pólvora, quando é noite, produz uma imagem muito bela e, poder-se-ia dizer, uma imagem ao mesmo tempo temida e fascinante, ainda mais quando associada ao seu efeito sonoro, assemelhando-se a uma espada em movimento, uma arma-brinquedo animada e até mesmo dotada de “personalidade”, melhor dizendo, de mana transmitido da parte do fabricante, do possuidor, ao objeto possuído; senão que mana reivindicado por aquele que, mesmo sem tê-la fabricado, à utiliza em confiança de ser fortalecido por seu poder. Esta, a espada, objeto caracteristicamente significativo em sua ligação com a fantasia que se forma em torno da idéia de nobrezas guerreiras e castas medievais androcêntricas. Aliás, esse medievalismo, um medievalismo ibérico combinado à herança oriental e moura, parece inscrever-se em muito da produção estética sertaneja brasileira, uma certa mitologia do sertão encantado.

As antigas espadas em Cruz das Almas eram feitas de um espécie de bambu chamada taboca (Guadua weberbaweri), utilizando-se cortes do seu tronco em sua estrutura externa, tratava-se de um tipo de madeira de menor espessura e mais frágil que o bambu3 atualmente utilizado nas espadas atuais. Já a utilização de bambus com maior diâmetro, resistência e tamanho dos gomos, é herança da utilização dessas mesmas dimensões no antigo buscapé, também um foguete de rabeio, mas que explode no final. As antigas espadas se assemelhavam muito mais aos chamados coriscos atuais e, pelo que me foi informado, não havia a utilização de limalha de ferro nos mesmos. A utilização predominante do bambu atual, ao que parece começou a ocorrer entre as décadas de 1930-1940, justamente quando a guerra foi se tornando um padrão no processo de desenvolvimento do divertimento. Nesse momento, a administração local passou a combater a utilização de buscapés, uma vez que esses propiciavam um risco intenso ao explodir, inclusive porque, uma das formas de se brincar com a espada, é justamente pela prática da desentoca, ou seja, correndo-se atrás da espada que foi atirada contra si mesmo, e atirando-a de volta ao primeiro tocador, ou apenas pisando na espada. Tal prática, ao que parece, produziu no passado machucados gravíssimos em muitas pessoas por conta justamente da convivência entre toca de espada e buscapé, quando exteriormente idênticos. A partir da década de 40, a estrutura básica da guerra, com a eliminação dos buscapés da brincadeira e com as brincadeiras e chistes característicos entre amigos e familiares nos festejos, estava já praticamente definida, a não ser por três fatores interligados que só poderão se configurar posteriormente: 1) na década de 40 o festejo junino ainda era um festejo basicamente familiar e doméstico, no sentido da família extensa, tendo Cruz das Almas provavelmente não mais que 15.000 habitantes; 2) o fabrico naquele momento ainda era predomínio quase exclusivo de fogueteiros profissionais; 3) por fim, a festa não tinha nenhuma relação com o turismo, estando a cidade relativamente isolada de moradores não nativos, ou pelo menos, moradores que não tenham vivido experiências lúdicas semelhantes em suas cidades de origem, considerando-se a popularidade do São João no interior do nordeste, e mesmo do Brasil até esse momento.

(FONTE: BRINCANDO COM FOGO: ORIGEM E TRANSFORMAÇÕES DA GUERRA DE ESPADAS EM CRUZ DAS ALMAS, Dr. Moacir Carvalho, UnB. in http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19327.pdf )

BAIXA DA LINHA: UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA

Vista da Comunidade da Baixa da Linha. Foto: Fabiane Lima  – 2015.

A comunidade da Baixa da Linha está localizada em terras próximas a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Constituídapor aproximadamente  mais  de  duzentas  casas(…).

Em  entrevista  cedida  no dia  12  de  março  de  2015,  por  um  morador nascido naquele  local, o Sr.  Simão do Nascimento,  este relata que a comunidade surgiu como  ponto de  refúgio  e  trabalho  de  quebrar pedras. Os escravos  que  trabalhavam  em  usinas  de engenhos  em  Santo  Amaro, Muritiba,  Cachoeira  e  São  Gonçalo  dos  Campos  quando da compra  de suas alforrias se  deslocavam  e  buscavam  as  atividades  de  quebradores de  pedra.  Em  decorrência  da  existência  de  jazidas  de  pedras  próximas ao  rio  Capivari e  abertura  da  via  férrea  pela  Rede  Ferroviária  Federal em 1915  e  a  construção  de pontes,  bueiros  e  estações  estes  alforriados quebradores  de  pedras  foram permanecendo  na  área  e  constituindo famílias,  surgindo  assim,  a  Comunidade  da Baixa da Linha que se autodefine como remanescentes de quilombo tendo Certidão de Autodefinição  expedido  pelo  Departamento  de  Proteção  ao  Patrimônio Afro -Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

Certidão de Autodefinição  expedido  pelo Departamento  de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro em 27 de setembro de 2010.  

UM IMPORTANTE SÍTIO ARQUEOLÓGICO – O senhor Simão do Nascimento informa que em 2000 na localidade foram descobertas urnas funerárias (grandes vasos de barro, lacrados), quando moradores aravam as  terras para o plantio de subsistência. Conforme o relato do mesmo foram descobertas três urnas: uma inteira grande, sendo encaminhada para a Igreja localizada na comunidade, e as outras quebradas, que alega não saber o paradeiro. Informando de maneira não clara que um rapaz chamado Val havia levado as urnas para o Centro Cultural de Cruz das Almas e lá retiraram o ouro destas (SANTOS, 2013, p.39). 

Estudos realizados por Nilton Antônio Souza Santos a respeito da relação do trem e a Comunidade Quilombola de Cruz das Almas, torna-se viável perceber uma possível relação, baseando-se na perspectiva de estudos centrados nas comunidades remanescentes de quilombos. E entendendo que o transporte ferroviário fez parte da ascensão da economia brasileira em meados do século XIX, e teve grande importância no desenvolvimento das cidades no Brasil, na maioria delas construídas com fins comerciais, com o objetivo de transportar mercadorias como: café, açúcar, farinha, fumo e outros produtos de peso. E em seguida usada para transportar pessoas, passando a ser um dos mais importantes meios de transporte mais usados da época. Outro item a ser observado é que. para o imaginário brasileiro, quilombos eram agrupamentos de africanos escravizados fugidos das fazendas, engenhos e minas que buscavam reproduzir uma vida comunitária à semelhança da África. [Nem sempre os eram.] 

Sendo assim os relatos de Senhor Simão trás um fundo de verdade, em  que muito se aproxima de um momento de ascensão econômica de nosso país como também das origens da Comunidade Baixa da Linha que se autodenomina como Remanescentes de Quilombo, uma vez que, existe toda uma interdependência. Essa comunidade é composta em sua maioria por  negros, conhecida como “Comunidade da Linha”, por conta da linha do trem existente no devido espaço.

(FONTE: Conservação e Preservação das Urnas Aratu do Sítio Reitoria, Cruz das Almas – Ba. – Pesquisa acadêmica UFRB in https://www.passeidireto.com/arquivo/45174953/conservacao-e-preservacao-das-urnas-aratu-do-sitio-reitoria-cruz-das-almas-ba )