SOBRE O CEAT

Em 1956, no jornal cruzalmense Nossa Terra, Verdival Pitanga escreveu sobre a História do Ginásio Alberto Tôrres…

(FONTE: JORNAL NOSSA TERRA no.87 de 01 de maio de 1956, Cruz das Almas-BA)

PROF. GERALDO

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A figura a quem dirigimos a nossa homenagem sempre lecionou matemática no velho e bom CEAT (hoje CETEP). Na verdade, conheci o professor Antonio Geraldo, de matemática, ainda no ginásio, quando o mesmo detinha a posse de um lindo fusca, novinho em folha, cor vermelho nobre. Estudávamos no prédio principal e da altura da sua escada de entrada tínhamos uma vista muito boa daquela generosa área. Pois, era dali mesmo que contemplávamos o lindo automóvel do professor Geraldo, que ficava estacionado, majestoso, sobre o gramado ao lado direito daquele prédio, também imponente. Isso era nos idos de 1975, quando o fusca era a última palavra em tecnologia automobilística. Significa dizer que o nobre mestre andava na moda, embora fosse uma pessoa extremamente simples e de bom trato. Curiosamente, o professor Geraldo não deixava qualquer poeirinha achar assento naquela reluzente pintura vermelha. Era realmente um belíssimo carro. Nunca testemunhei, mas dizem que ele, entre uma aula e outra, se dirigia até o carro pra ver se estava tudo bem, aproveitando para passar a flanela nas laterais daquela última conquista material do competente professor. Excelente professor, não fazia terrorismo em sala de aula nem qualquer outra pressão. Era solidário, amigo, compreensivo e, neste embalo, fazia a diferença e cumpria sua nobre missão. Vejam que, embora fosse uma matéria pouco simpática ao estudante, a matemática era melhor digerida na forma como era ministrada pelo eterno mestre. Ministrava com didática adequada à clientela, comentava coisas engraçadas sem perder o controle da turma, mas mantendo a disciplina da classe. Ao final da aula, o professor Geraldo papeava com alguns alunos que o seguiam pelo corredor daquele prédio, encurtando a distância entre eles. Assim, deixava os alunos à vontade, mas com o cuidado de mantê-los sob controle, ministrando os conteúdos com reconhecida competência e maestria. Incansável em ajudar , nunca gozou uma licença prêmio. Nosso homenageado, de tão popular e querido que era, foi eleito Vereador de Cruz das almas na década de 1980, desenvolvendo a função com seriedade e respeito ao Município. Parte dos seus filhos seguiu a carreira do pai, numa inequívoca demonstração de que a arte de ensinar ainda vale a pena. Tales Miler, o filho mais velho, é professor da UFRB, tendo sido, inclusive, Coordenador da Pós-graduação. Taliane, a segunda, está se doutorando em engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Bem, talvez nem ele mesmo tenha a real dimensão de sua importância no contexto educacional cruz-almense, pois o valor do professor vai além da avaliação de dentro da sala de aula. A sociedade está a observar a sua conduta também no dia a dia, nas questões familiares, honestidade etc. Por isso, sem sombra de dúvida, acreditamos que o professor Antonio Geraldo foi aprovado, na sua caminhada com Distinção e Louvor, servindo de exemplo a tantos quantos testemunharam seu feito, professores ou não, de como fazer o melhor, dentro e fora das salas de aula. Cruz das Almas agradece.

(Crônica VIII da Série RÉGUA E COMPASSO de Zé Moraes)

GINÁSIO ALBERTO TÔRRES

Eis aqui, alguns dos professores e professoras do Ginásio Alberto Tôrres, nos anos 50. Em pé da esquerda para direita: Prof. Floriano Mendonça (Latim e Português), Prof. Gilberto da Mata (Geografia), Prof. Clodoaldo Costa (diretor e prof de Boas .Maneiras) e Prof. Anibal Ramos (Matematica e Desenho), o último da fileira.
Sentadas : Profa. Gilda Paternostro (Canto Orfeônico), Profa. Ivone Passos (Português) e Profa. Faustelina Eloi (Trabalhos Manuais).

(FONTE: Informações de Hermes Peixoto. FOTO: acervo de Helenilda Meireles)

O COLÉGIO ALBERTO TÔRRES – UMA ESCOLA DE EXCELÊNCIA

Na aula inaugural da Escola de Agronomia da UFBA, na cidade de Cruz da Almas, foi solicitado pelos professores da mesma que se construísse uma escola para que seus filhos pudessem estudar. O CAT (Colégio Alberto Torres) foi inaugurado em [14 de março de] 1948 com este objetivo. Além disso, tendo como referencia e patronato Alberto Torres, político brasileiro e ruralista, a escola pretendia formar uma juventude com ímpeto ruralista capaz de contribuir com a nação. Clodoaldo Gomes da Costa, fundador e diretor da escola por muitos anos foi um dos responsáveis pela estima atribuída ao colégio. Homem das letras, escritor, colunista do semanário municipal “Nossa Terra” e idealista da educação, era um dos homens mais respeitados da cidade segundo os escritos corográficos e depoimentos. “Daí o seu grande e esplendente mérito entre nós e o alto e merecido conceito que desfruta em Cruz das Almas esse destacado apóstolo da elevação cultural de nossa gente, que é o Dr. Clodoaldo Gomes da Costa, seu ilustrado e dinâmico diretor. Espírito irrequieto nas lides educacionais. Como todo maragogipano, bem entrado nas letras […]” Assim se referia ao diretor o Jornal Nossa Terra de 12 de dezembro de 1954 que noticiava a formatura da primeira turma de professoras no “Instituto Educacional Alberto Torres”. Ainda num tempo de uma educação de acesso não democratizado o CAT era a única escola da cidade a oferecer o ginásio, ainda não era pública, impossibilitando a entrada de muitos, estudar no CAT aos poucos tornou-se sonho dos jovens cruzalmenses. A CAT foi concebido pra ser uma escola de excelência que formaria os futuros ingressantes da Escola de Agronomia da UFBA, pensando de forma inicial para formar os filhos dos professores da EAB Posteriormente foi expandido para a comunidade cruzalmense até se tornar o maior colégio da região. Aos poucos outras profissões entraram na oferta da escola como: Contabilidade, Administração, Agropecuária, Magistério, além do segundo grau cientifico. Em 1954 foi noticiado com entusiasmo pelo semanário “Nossa Terra” a formatura da turma de Professoras. A vida do colégio, suas festas, bailes, homenagens, feira, mobilizavam a pacata cidade de Cruz das Almas o que fazia com que estampasse as páginas do semanário com certa frequência, de 1954 a 1957 é possível ver a ativa vida da escola, de seus professores e alunos. A formação de professores começou a se destacar na escola. A procura pelas vagas era em grande público feminino. A tendência é criticada pelo jornalista Verdival Pitanga, diretor do “Nossa Terra”, pois os homens não se interessavam mais pelo magistério na medida que se mostra como uma profissão sem retorno financeiro. Escreve Verdival: “26 professoras e apenas 1 professor, particularidade esta que põe em chocante relevo o desencanto do sexo masculino, em nossos dias, pelo sublime e edificante sacerdócio que é o Magistério Público”. (“Nossa Terra” 13 de Novembro de 1955, p 1) Verdival em outros textos refere-se ao magistério como sacerdócio, num sentido da doação e de não esperar muito em troca. No entanto, para muitas moças o magistério abria possibilidade de relativa estabilidade financeira e social. Na medida em que projetavam ganhar seu dinheiro próprio e a própria profissionalização conferia uma respeitabilidade social a estas meninas.

(FONTE: CIVISMO, OTIMISMO E ZELO A PÁTRIA: O COTIDIANO ESCOLAR NOS ANOS DE CHUMBO. Rafael de Jesus Souza (Graduando em História; Bolsista do Programa Institucional de Bolsa Iniciação a Docência) in http://www.historiaoral.org.br/resources/anais/11/1439346891_ARQUIVO_Resumo-HOCivismo,Otimismoezeloapatria.pdf

ALBERTO TORRES

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Alberto Torres

Você sabe quem foi o homenageado que dá nome ao nosso CEAT- Colégio Estadual Alberto Torres, atual CETEP Recôncavo II Alberto Torres?

Alberto de Seixas Martins Torres , nasceu em Itaboraí em 26 de novembro de 1865 e faleceu no Rio de Janeiro em 29 de março de 1917. Foi político, jornalista e bacharel em direito. Também foi um pensador social brasileiro preocupado com questões da unidade nacional e da organização social brasileira.

Casou-se em 1890 com Maria José Xavier da Silveira, tendo três filhos: Alberto Torres Filho, Maria Alberto Torres e Heloísa Alberto Torres.

Era filho de Manuel Martins Torres, que foi vice-presidente no governo de José Porciúncula.

Iniciou os seus estudos no Rio de Janeiro. Matriculou-se, em 1880, em Medicina e cursou por apenas dois anos, vindo a abandonar este curso. Mudou-se para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de Direito, tendo também início, nesta mesma ocasião, a sua atividade jornalística, colaborando com jornais como “O Caiçara”, “A Idéia”, “O Constitucional” e “A República”. Bacharelou-se pela mesma Faculdade de Direito de São Paulo em 1886.

Regressando ao Rio de Janeiro, trabalhou como advogado no escritório de dois renomados profissionais, doutores Tomás Alves e Ubaldino do Amaral. Em 1889 foi nomeado promotor público, mas não aceitou. No mesmo ano, foi candidato a deputado pelo quarto distrito, sendo derrotado.

Entusiasta dos ideais republicanos, Alberto Torres funda em 1889, juntamente com outros publicistas, o jornal “O Povo”. Após a Proclamação da República, Torres torna-se deputado da Assembléia Constituinte fluminense instalada em 1º de março de 1892, exercendo cargo de deputado estadual até o ano seguinte. Em 1894 é eleito e inicia seu mandato de deputado federal. Em 1895, o então presidente da República, Prudente de Morais nomeia Alberto Torres para o cargo de Ministro da Justiça e Negócios Interiores (30 de agosto de 1896 a 7 de janeiro de 1897), demitindo-se pouco tempo depois, em protesto pela intervenção na cidade de Campos dos Goytacazes decretada pelo vice-presidente Manuel Vitorino.

Entre 31 de dezembro de 1897 e 31 de dezembro de 1900 exerceu o mandado de presidente do estado do Rio de Janeiro, sucedido por Quintino Bocaiuva. No ano seguinte, por decreto de 30 de abril de 1901, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, cargo do qual se afastou em 1907, por motivos de saúde. Viajou à Europa e quando retornou ao Brasil foi concedida sua aposentadoria, por decreto de 18 de setembro de 1909, quando tinha 43 anos de idade.

Foi ainda membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) desde 1911 e ao abandonar a vida pública, Alberto Torres passou a dedicar seu tempo quase exclusivamente ao estudo dos problemas políticos e sociológicos brasileiros.

Seus restos mortais foram transferidos posteriormente para o Cemitério de Porto das Caixas, em Itaboraí.

Entre novembro de 1910 e fevereiro de 1911 Alberto Torres publicou uma série de artigos na “Gazeta de Notícias”, que posteriormente viriam a compor uma de suas mais importantes obras: “A Organização Nacional”, publicada em 1914.

Outra obra importante de Alberto Torres, “O Problema Nacional Brasileiro”, foi elaborada a partir de artigos publicados no “Jornal do Comércio” em 1912 e de um discurso proferido no Instituto Histórico em 1911.

Nessas obras Alberto Torres aborda uma ampla variedade de questões, dentre eles uma proposta de reforma da Constituição, o problema da formação da nacionalidade nos países colonizados, a natureza da política nas sociedades modernas, a crítica às teorias racistas predominantes em sua época, etc.

O problema nacional brasileiro.

A organização nacional.

As fontes da vida no Brasil.

Ademais, atribui-se historicamente à sua obra “A Organização Nacional (1914)” a primeira menção – no Direito brasileiro – ao remédio constitucional “Mandado de Segurança”, tratado por Alberto Torres como Mandado de Garantia, cujo objetivo era primordialmente fazer consagrar, respeitar, manter ou restaurar preventivamente os direitos individuais ou coletivos, públicos ou privados, lesados por ato do Poder Público.

(FONTE: Faleiro, Silvana Rossetti. Colégio Evangélico Alberto Torres: memórias e história, pag. 63, UNIVATES, 2005, Lajeado, RS. ISBN 85-98611-21-2; REZENDE, Maria José de. Organização, coordenação e mudança social em Alberto Torres. Estudos de Sociologia, n. 8, 1º sem. 2000.; SOBRINHO, Barbosa Lima. (1968). Presença de Alberto Torres: sua vida e pensamento. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.;SOUZA, Ricardo Luiz de. Nacionalismo e autoritarismo em Alberto Torres. In: Sociologias, no. 13, 2005, pp. 302–323.)