A FEIRA NO BARRACÃO DE ZINCO

Contava-nos Sabino de Jesus, conhecido e respeitado político cruzalmense que, por volta dos anos 30 e/ou 40, havia ali na praça em frente à prefeitura, bem onde hoje é a fonte luminosa, um barracão coberto de zinco onde funcionava a feira de Cruz das Almas.

Na grande praça, no centro da villa a qual mede um kilometro de circunferência, tem de um lado a igreja matriz e do outro o mercado municipal, onde se fazem feiras aos sabbados e reúnem-se às vezes mais de mil pessoas para trocarem seus productos. Em um dos lados lateraes da casa do mercado se veem 20 barracas onde se talha carne verde. A casa do mercado é espaçosa, com quatro portões e cercada de grades de ferro; nos sabbados encontram-se ali negociantes, lavradores e creadores em compra e permuta de generos. – (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial. 1905)

Nesta foto antiga, podemos ver o referido barracão, indicado pela seta.

Ainda sobre a antiga feira livre de Cruz das Almas, conta-nos o memorialista, poeta e escritor Hermes Peixoto da seguinte forma:

Nossa feira era na praça
Que hoje é fonte luminosa,
Tudo vendido no chão,
Farinha, carne, “penosa”
Milho, amendoim, feijão,
Verdura e fruta gostosa.
Lembro da feira da infância
Que eu ia toda semana,
Toin Vesgo e os cavalos,
Feitos de flecha de cana,
E Colher de Pau mercando
Machucador de imburana

O trecho do cordel acima, faz parte do seu livro, “Vultos e imagens do Cruzeiro das Almas”, 2012.

(FONTE: A história da feira livre de Cruz das Almas-BA: uma proposta de educação patrimonial. EVERALDO DOS SANTOS SOUZA
UNEB, SALVADOR-BA. 2020)

Publicado por

Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista. Em 2020 foi agraciado pela Câmara de Vereadores com o Título de Cidadão Cruzalmense.