LEMBRANÇAS DE INFÂNCIA DA SEMANA SANTA

De minhas experiências na infância com a Semana Santa, lembro-me de minha avó materna começar uma série de rituais a partir do Domingo de Ramos.

Naquela época, em toda família católica, quer os membros fossem ou não praticantes no restante do ano, sempre tinha uma avó que impunha o resguardo da Quaresma a ser respeitado por todos naquela casa, principalmente (e sem discussão) na Semana Santa.
A partir do Domingo de Ramos, redobravam-se as rezas, na quarta-feira dava-se início aos jejuns leves, até chegar às interdições do banho, da música laica, das galhofadas, das conversas altas, até a nem pensar em comer carne vermelha na “quinta-feira santa e na sexta-feira maior”, termo que minha avó usava para definir a época na qual Jesus havia sido crucificado. Ah… ligar a televisão e o rádio também era proibido. Para nós, crianças, acabávamos por achar aquele tempo bastante tedioso, mas cumpríamos sem reclamar, temendo o castigo divino.

Porém, de todos os eventos da Semana Santa “da minha época”, o que mais me chamava atenção, e que guardo ainda na lembrança, era a malhação ou queima do Judas, no Sábado de Aleluia! Tinha a leitura do testamento: “O Judas morreu, não teve o que deixar…”
Quem mais lembra?

(Baseado no texto de Andrea Regina Moura Mendes, in A Malhação do Judas: Rito e Identidade)

Publicado por

Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista e almanaquista. Agraciado em 2020 com o Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, Bahia.