O CARURU DE SETE MENINOS

Oferecer caruru de São Cosme e São Damião para 7 meninos é uma tradição, que infelizmente, tem se perdido com o tempo.

Sete garotos (algumas casas aceitavam meninas) sentados no chão e no meio um grande prato de barro com caruru, vatapá, galinha, feijão fradinho, feijão preto, banana frita, farofa de dendê, rapadura, pipoca, cana, abará, acarajé…

Primeiro, eram entoados cânticos para os santos gêmeos da igreja católica e ibêjis do candomblé.
Depois, era autorizada a comilança!

Sim, um (bom e inesquecível) momento de farra: os pequenos avançavam, metiam a mão no prato, muitas risadas, caras lambuzadas de caruru, era dendê nas paredes, nos cabelos…
E a disputa pelo pedaço de galinha? Era a parte mais cobiçada, sendo comum um querer tirar o pedaço da ave da boca do outro!

Dizia a tradição ainda que quem encontrasse um quiabo inteiro, no ano seguinte deveria oferecer um caruru dedicado aos santos.
Havia também a tradição de distribuir pelas ruas, queimados/balas/doces para os pequenos.
Mais do que uma farra, era uma festa! Salve, São Cosme e São Damião!

E você, essa experiência faz parte das suas lembranças de infância?

(Baseado no texto do Professor Adson Brito do Velho, Salvador,Bahia)

Publicado por

Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista e almanaquista. Agraciado em 2020 com o Título de Cidadão Cruzalmense pela Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, Bahia.